Money Week: 1º dia teve Cerbasi, Luiz Barsi, André Esteves e Bredda

Rodrigo Petry
Editor-chefe, com 18 anos de atuação em veículos, como Estadão/Broadcast, InfoMoney, Capital Aberto e DCI; e na área de comunicação corporativa, consultoria e setor público; e-mail: rodrigo.petry@euqueroinvestir.com.
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Crédito: Divulgação/EQI

O cenário de juros em baixa suscitou o debate sobre a sustentabilidade dos investimentos de longo prazo ao longo do primeiro dia da terceira edição da Money Week.

Para debater os desafios e as oportunidades desta nova conjuntura, onde o rentismo da renda fixa deu lugar ao risco, sobretudo da bolsa de valores, a Money Week trouxe pesos pesados do mercado.

Entre os nomes que ampliaram o conhecimento do público no maior evento online de investimentos da América Latina estiveram:

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Ibovespa rumo aos 150 mil pontos

Para Esteves, do BTG Pactual, a bolsa poderá não só recuperar os 120 mil perdidos como pode chegar aos 150 mil pontos no próximo ano.

Segundo ele, o desenvolvimento da vacina contra a Covid-19, que já conta com cinco ou seis candidatas, é a pré-condição para este cenário.

O cenário base é de ampla vacinação global ao longo do primeiro trimestre ou do primeiro semestre de 2021“, afirmou.

Diante disso, “não tem limite para o sucesso. Só depende da gente“, disse, emendando ser necessário também que seja retomada a agenda de reformas, como forma de o governo conter o déficit público e agir com responsabilidade fiscal.

Esteves diz acreditar, porém, ser preciso não só dar atenção às grandes reformas, como a administrativa e a tributária, mas também às menores.

Como exemplo cita a independência do Banco Central, a lei de falências e a lei do gás entre as medidas que podem trazer grandes vantagens para o país.

Juros

Sobre os juros, Esteves afirma que o Brasil atingiu as pré-condições para que não tenha mais dois dígitos de taxa Selic como situação normal.

Fomos fazendo uma série de pequenas reformas e alguns avanços, parcialmente encobertos por retrocessos, de modo que conquistamos o direito de ter juros de um dígito. Temos todas as condições de manter esse ambiente saudável econômico”, analisou André Esteves.

Também otimistas com projeção da Selic na faixa dos 2% aos 3% ao ano até o final de 2021 estão Henrique Bredda, gestor do fundo de investimento Alaska Asset Management, e Evandro Pereira, CFO da Genial Investimentos.

O cenário segue sendo de Selic baixa e bolsa para cima. Com Selic a menos de 3%, a bolsa subindo 15% ao ano já é excelente”, avaliou Pereira.

Bredda recomendou ao investidor aproveitar as incertezas do momento para escolher bons ativos. “É uma boa oportunidade para comprar oportunidades”, disse.

Pereira indica atenção especial ao setor de serviços. “O setor de serviço está atrasado na retomada e tem boas oportunidades. Pode ser que surpreenda, especialmente as ações ligadas ao consumo doméstico”, disse.

Neste contexto, o investidor brasileiro precisará estar cada vez mais preparado para lidar com a renda variável.

Pereira, Panachão, Custodio e Bredda na Money Week

Pereira, Fabiana Panachão (apresentadora da Money Week), Custodio e Bredda na Money Week

Consenso entre Bredda e Pereira é que o governo de Jair Bolsonaro está cada vez mais parecido com o de Michel Temer, mais posicionado ao centro. E caminha para um 2021 menos tumultuado politicamente.

Parece que está ficando cada vez mais parecido com o governo Temer. Acredito que vamos entrar em 2021 com governo mais arrumado com Congresso, sem embate o tempo todo”, afirmou Bredda.

Perspectivas nas empresas

O executivo de uma das maiores fabricantes de calçados do País e um empreendedor da área de entretenimento e turismo estiveram lado a lado, ainda que virtualmente, no palco da Money Week para compartilhar como suas empresas enfrentaram o pior momento da pandemia e suas perspectivas.

“Eu vejo que, se vier uma segunda onda, nós aprendemos a lidar com a situação, ” disse Pedro Bartelle, CEO da Vulcabras. “Nossa expectativa é positiva nesse final de ano. Nossas dúvidas são quanto à política e economia do Brasil. Se terá recessão, ou algum novo projeto de incentivo do governo.”

Bartelle e Flavio Sarahyba, dono do Camarote Nº1, participaram deste primeiro dia de Money Week. Descreveram um segundo trimestre caótico, mas contaram também dos aprendizados e ganhos de eficiência que vieram com a parada forçada em março.

Longo prazo

Para falar sobre investimento no longo prazo ninguém melhor que Luiz Barsi Filho e sua “herdeira” no mundo dos investimentos, Louise Barsi.

Sempre pensem no longo prazo. Vai ajudar a mitigar muitos dos riscos”, disse Louise durante a Money Week.

Segundo ela, recentemente, por conta da pandemia, que derrubou os preços das ações, alguns investidores ganharam dinheiro rápido, mas, em sua visão, essa foi uma situação bastante particular.

Tipos de investidores

Pai e filha analisaram também que existem dois tipos de investidores na bolsa: os órfãos da renda fixa, que agora está rendendo 2% ao ano, e os que acharam que já perderam muito tempo.

Ambos vêm buscando enriquecimento rápido, mas não é assim que funciona. A gente experimentou um pouquinho disso [retorno rápido] agora na pandemia. A maioria das pessoas ganhou dinheiro, mas será que fizeram direito ou foi sorte? É perigoso pensar que no curto prazo terá ganhos de 50%, 100%. Quanto mais longevo for seu pensamento, maior a chance de retorno consistente”, reforçou Louise.

Conforme Luiz Barsi, ao se investir em bons projetos, a chance de retorno sobre o investimento é maior.

É folclórico dizer que se perde [na bolsa]. Se você especular, com certeza vai perder. Se você investir, com certeza você vai ganhar. Investindo em bons projetos, você jamais será malsucedido. As ações garantem o futuro”, diz ele.

Como poupar

Muito antes de pensar na estratégia de investimento, o primeiro passo é começar a poupar. E como fazer sem que isso seja um grande sacfifício?

Quem tem as dicas é o renomado especialista em inteligência financeira Gustavo Cerbasi. Com mais de 16 livros publicados, ele tem uma estratégia simples: encontrar recompensas para se manter motivado.

Segundo ele, para começar, inicialmente, precisa-se traçar uma estratégia de curto prazo, de cerca de seis meses. Assim fica mais fácil ver na prática como é possível poupar e concretizar projetos.

Pode ser uma viagem ou algo que se deseja muito comprar, mas de custo não tão alto.

Iniciantes no mercado

Cerbasi também falou sobre a chegada de novos investidores ao mercado. A esse grupo, ele aconselha buscar conteúdo de qualidade e ter o auxílio de um assessor de investimentos.

Eu mesmo trabalho com isso há 20 anos e tenho assessor, para trocar ideia, checar a sensibilidade dele sobre os mesmos dados. Essa troca é importante”, diz.

Aos iniciantes, ele sugere Fundos Imobiliários como um bom investimento para começar.

Os brasileiros ainda preferem ter o imóvel físico e não fundos. Mas o rendimento é muito maior. As pessoas acham que o fundo é uma empresa, que vão ter que contar com a sorte para o dinheiro não sumir. Quando, na verdade, você estará comprando um imóvel, só que através de um condomínio de investidores”, afirma.

Governança pública

Por fim, a Money Week debateu ainda a necessidade de uma política de governança no Brasil para atrair mais investimentos.

Embaixador da Rede Governança Brasil, o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), João Augusto Nardes,  ressaltou que, do ponto de vista dos investidores, os recursos aplicados no Brasil dependem hoje em grande parte de segurança jurídica.

Para tanto, é necessário que haja uma clara política de governança no setor público brasileiro, como forma de atraí-los, afirmou o ministro.

“A governança estimula a transparência e contribui para o uso eficiente dos recursos”, destacou. “Sem transparência, a sociedade não investe no país, é preciso segurança jurídica. Com as regras, nós estamos montando isto“, afirmou Nardes, durante participação na Money Week.

Veja mais Money Week:

  • Segundo dia, contou com Roberto Sallouti, Felipe Massa e representantes do Banco Central;
  • Terceiro dia, debateu IPOs, Unicórnios, ESG e investimentos no exterior;
  • Quarto dia, abordou day trade, investimento de longo prazo e finanças pessoais; e
  • Quinto dia, debateu FIIs, a FinTwit e a construção de patrimônio.

(Com Claudia Zucare Boscoli, Felipe Alves, Giovana Kindlein, Giovanna Castro, Naiana Oscar e Paulo Amaral)

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