Money Week: “Aprendemos a lidar com pandemia”, diz CEO da Vulcabras

Giovanna Castro
Jornalista formada pela UNESP.
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Crédito: Pedro Bartelle, CEO da Vulcabras e Flávio Sarahyba, empresário da área de entretenimento e turismo, falaram sobre a retomada dos negócios no pós-pandemia

O executivo de uma das maiores fabricantes de calçados do País e um empreendedor da área de entretenimento e turismo estiveram lado a lado, ainda que virtualmente, no palco da Money Week para compartilhar como suas empresas enfrentaram o pior momento da pandemia.

Eu vejo que, se vier uma segunda onda, nós aprendemos a lidar com a situação” disse Pedro Bartelle, CEO da Vulcabras.

Ele e Flavio Sarahyba, dono do Camarote Nº1, participaram do primeiro dia da Money Week, maior evento online de investimentos da América Latina, totalmente online e gratuita.

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Na conversa, Bartelle e Sarahyba descreveram um segundo trimestre caótico. Na Vulcabras, as fábricas ficaram fechadas até junho. A empresa correu para readequar a cadeia produtiva, alinhar as medidas de distanciamento social e prevenção, além do monitoramento da saúde dos funcionários.

O cancelamento de eventos, a pausa nas viagens e o fechamento dos bares fizeram com que Flavio não tivesse receita alguma por três meses. Além disso, patrocínios foram cortados, afinal, não fazia sentido para as marcas investirem em eventos.  “Fizemos um corte inicial de 20% a 30% do nosso quadro de trabalho. Infelizmente, optamos por cancelar os contratos temporários e mantivemos os funcionários que já eram contratados há algum tempo“, conta Sarahyba.

Oportunidades em meio à crise

Aos poucos, Sarahyba conta que foi se readequando à nova realidade. Depois do isolamento mais severo, muitas pessoas voltaram a viajar e alugar casas de temporada para ficar em segurança com suas famílias. E esse é justamente um de seus negócios.

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Seu bar, o Boa Praça, um dos mais populares do Rio,  também tem mantido uma boa frequência de clientes desde a reabertura. Seguindo as medidas recomendadas pelos agentes de saúde, o empresário conseguiu manter o negócio seguro e atraente.

Enquanto retomava gradativamente alguns de seus negócios, também começou a oferecer aos clientes eventos online, que se popularizaram na pandemia.

Após três meses de retomada, o empresário conseguiu recontratar as pessoas que inicialmente mandou embora, além de ter tornado suas empresas mais eficientes.

Quando o Boa Praça estava fechado, nós estávamos fechados mas olhando para o futuro. Fizemos treinamento de pessoal, auditorias, tudo o que podíamos fazer para melhorar“, explicou. Parte considerável dessa melhoria passou pela digitalização de processos e muita conversa com os funcionários.  Ele conta que não foi fácil tomar decisões, mas olhando para trás sente que saiu fortalecido.

Flavio Sarahyba contou na Money Week como sobreviveu aos meses de receita zerada

Flavio Sarahyba contou na Money Week como sobreviveu aos meses de receita zerada – Foto: Reprodução/ Money Week

Como a Vulcabras se reorganizou

A parada forçada no início da pandemia também serviu para a Vulcabras revisar processos e buscar mais eficiência. Bartelle conta que reuniu todas as áreas da companhia e equipes para entender as dificuldades de cada setor, desde o chão de obra até os escritórios. Assim, a Vulcabras encontrou soluções eficazes para manter sua produção mesmo com a pandemia e ainda melhorá-la.

A empresa também soube aproveitar algumas mudanças do mercado consumidor. Com a crise, aumentou a procura por tênis com melhor custo benefício, impulsionando as vendas da Olympikus, sua principal marca.

Ao mesmo tempo, a pandemia acelerou as vendas online e levou para o e-commerce consumidores que só compravam em lojas físicas.  “Esses foram legados que vieram para ficar“, enfatizou o empresário.

Ex-piloto de carros automotivos, Bartelle falou dos aprendizados desse período fazendo uma analogia às pistas.  Nas corridas, quando fazia pausas, voltava muito mais veloz, disse. “O mundo estava girando muito rápido. Eu mesmo consegui parar um pouco a minha vida, tão agitada, para estar mais perto da família e repensar algumas coisas.”

Pedro Bartelle falou sobre o impacto da pandemia na indústria calçadista brasileira na Money Week -Foto: Reprodução/ Money Week

Bartelle falou sobre o impacto da pandemia na indústria calçadista brasileira -Foto: Reprodução/ Money Week

Expectativas para 2021 e possível segunda onda da COVID

Sobre o futuro, os empresários temem uma nova onda de Covid-19 e seguem cautelosos até a chegada das vacinas. Ao mesmo tempo, avaliam que estão mais preparados do que em março para lidar com novos fechamentos e restrições.

Eu vejo que, se vier uma segunda onda, nós aprendemos a lidar com a situação. Não interfere no funcionamento das nossas fábricas e dos nossos negócios. Isso  porque temos aqui todas as medidas necessárias de isolamento, máscaras, etc“, comentou Bartelle.

Nossa expectativa é positiva nesse final de ano, já temos uma entrada boa para o ano que vem. Nossas dúvidas são quanto à política e economia do Brasil. Se terá recessão, ou algum novo projeto de incentivo do governo.

Segundo o CEO, as medidas tomadas pelo governo foram positivas para a manutenção dos negócios. Ele citou a desoneração da folha de pagamentos, injeção de dinheiro na economia com o auxílio emergencial e as medidas de reabertura. Mas, entende que há um desafio grande no ano que vem ainda, principalmente após os gastos realizados em 2020.

Sarahyba diz que está cauteloso quanto aos seus negócios até que uma vacina seja disponibilizada à população. Para ele, não podemos sequer pensar em carnaval sem a vacinação.

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