Money Week: Flavio Sarahyba conta como enfrentou a crise

Giovanna Castro
Jornalista formada pela UNESP.
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Crédito: Flavio Sarahyba é um dos palestrantes da Money Week. Empresário, tem negócios na área de entretenimento, bares e negócios imobiliários -Foto: Reprodução/ Instagram

O empresário e investidor carioca Flavio Sarahyba atua em dois dos setores que estão entre os mais afetados pela pandemia: turismo e entretenimento. Ele é um dos palestrantes da Money Week,  evento online gratuito que acontecerá de 23 a 27 de novembro.

Formado em Direito pela Universidade Cândido Mendes, Sarahyba é dono da Hub, empresa de entretenimento que começou como produtora audiovisual, atendendo a marcas como Ray-Ban, Champions League e Nike. Hohe, a empresa foca em eventos, com destaque ao Camarote Nº 1, antigo Camarote Brahma, tradicional no carnaval carioca.

O Boteco Boa Praça, que fica na praça Cazuza, também é um negócio de sucesso da Hub. O bar é um point tradicional no Rio de Janeiro e nasceu de uma parceria da empresa com o grupo Life, um dos principais desse ramo no Brasil.

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Hoje o Twitter é pauta na Money Week.

Ao mesmo tempo, tem ainda uma imobiliária internacional com foco em temporada. A empresa surgiu antes dos eventos globais que aconteceram no Rio, como a Copa do Mundo e as Olimpíadas. Na época, Sarahyba viu uma oportunidade de negócio, já que a cidade ainda carecia desse serviço.

Ao contrário da Hug, que cresceu exponencialmente, a imobiliária passou por momentos de oscilação. “Com a pandemia, houve uma transformação. Não temos mais viagens internacionais, mas temos um mercado doméstico aquecido. As pessoas querem viajar com suas famílias ou com grupos de amigos”, comentou.

Criterioso nas sociedades

Sarayba começou a empreender há 12 anos, desenvolvendo, com outros sócios, uma revista criada exclusivamente para iPads. Ele conta que essa sua primeira experiência lhe deixou de lição a importância de ser criterioso quanto às suas sociedades.

Por ter começado seu negócio com poucos recursos, já que sua família não era do ramo e por ter perdido seu pai cedo, Flavio acabou fechando parcerias financeiras das quais se arrependeu mais tarde.

“Quando você não tem dinheiro, você fica menos criterioso sobre a fonte da qual vem o dinheiro. Acabei me associando a pessoas que foram muito importantes para mim no primeiro momento, porque tinham capital para investir nos meus negócios, mas depois, quando a empresa tomou forma, acabaram sendo um peso porque não contribuíam à altura”, comentou.

Foi assim que Sarahyba decidiu criar seu próprio negócio, ou melhor, seus dois novos negócios. No começo, foi muito questionado por querer investir em duas empresas ao mesmo tempo. Todos diziam a ele que era necessário ter foco para prosperar.

Mas ele não conseguiu abandonar nenhuma das duas ideias. Acreditava no potencial tanto da empresa de entretenimento, quanto da imobiliária. Arriscou e acertou.

Ele centralizou toda a parte administrativa e financeira das duas empresas em um único escritório. Então, as empresas nasceram com propósitos inovadores e clientes diferentes, mas com custos reduzidos.

Hoje, com mais capital, Flavio tem total poder de decisão sobre quem são seus sócios e é muito criterioso sobre isso. “O dinheiro é importante, mas precisamos sempre pensar no futuro. Quando a empresa ganha musculatura, a entrega e as atribuições de cada pessoa que está envolvida no negócio precisa ser à altura da participação que ela possui. Do contrário, começam a vir à tona as diferenças dentro da sociedade”, disse.

A boa gestão é a chave para o sucesso

Para Sarahyba, a gestão é o principal fator para se diferenciar no mercado. Segundo ele, há pouco espaço para amadores. Por isso, é importante tomar decisões com propriedade e entregar o resultado mais otimizado possível.

“Na área de bar e restaurante, por exemplo, olhamos 100 imóveis para ficar com 1. Todo mundo pergunta por que não abrimos outro bar se o Boa Praça é um sucesso no Rio. A resposta é que não abrimos porque não perdemos dinheiro. Só abrimos um negócio se for no imóvel certo, com o preço certo e dentro de uma série de pré-requisitos”, comentou.

Assim, as coisas demoram mais para sair, mas têm um risco muito pequeno de não darem certo, explica. Além disso, é importante estar atento às oportunidades, ao momento do mercado. E mais: nunca se acomodar.

A imobiliária, por exemplo, teve como diferencial o momento em que foi criada. Afinal, praticamente não existiam concorrentes ao negócio dentro do setor escolhido. “Surfamos em uma onda de inovação.”

A crise e seus aprendizados

Mesmo com empresas consolidadas, o início da pandemia foi um desastre para todos os negócios de Sarayba. O bar fechou e a imobiliária ficou cerca de 4 meses sem vendas. A parte de entretenimento foi totalmente interrompida.

No começo, o empresário confessa que ficou assustado e passou meses amargando prejuízos, sem qualquer tipo de receita. Mas, como as empresas tinham fôlego, com fluxo de caixa, houve espaço para a recuperação.

Mais do que se recuperar, ele deu um jeito de tornar a crise produtiva. Sarahyba aproveitou o momento para passar um pente fino em seus negócios. Digitalizou os processos produtivos e investiu em plataformas digitais que unificassem os colaboradores.

Também cortou custos extras que existiam por puro comodismo e tradição. “Vimos que não precisávamos de muitas das coisas que a gente tinha. Acho que esse é um ponto para todos os empresários: aproveitar esses momentos de crise para refletir e remodelar os seus negócios de forma que os torne mais eficientes”, comentou.

Agora, mesmo com os efeitos da quarentena, os negócios estão indo bem. Principalmente a imobiliária, que envolve mais processos, justamente a área que mais sofreu otimização.

Investimentos de Flavio Sarahyba

Além dos seus negócios, o empresário tem uma carteira de investimentos agressiva. Principalmente agora, com os juros baixos, que favorece o investimento em bolsa. Apenas uma parte pequena dos seus investimentos está alocada em renda fixa, onde ele consegue acessar o dinheiro com mais liquidez.

A maior parte está em fundos multimercados e fundos de ações. “Acabo buscando uma rentabilidade maior, porém, com riscos maiores de oscilação”, explica.

Além do mercado brasileiro, o empresário também faz alguns investimentos em bolsas internacionais. Gosta de comprar ações da Apple, Amazon, Google, Netflix, entre outras e acaba tendo uma carteira de investimentos centralizada em tecnologia.

Hoje, ele pensa em diversificar mais seus investimentos, para outras empresas além do ramo da tecnologia. “Tenho olhado bastante para mercado imobiliário também, focado em destinos de praia. Principalmente no nordeste, onde eu percebo áreas em constante desenvolvimento, com a chegada de novos aeroportos, por exemplo. Além de ter valores interessantes”, contou.

Expectativa sobre a Money Week

Flavio está animado para participar da Money Week porque acredita que o evento tem algo que sempre valorizou: a troca de conhecimentos.

“Eu acho que o meu crescimento, como profissional e como indivíduo, vai muito de olhar para fora, trocar experiências e olhar cases de sucesso. E eu acho que a Money Week te dá justamente esse tipo de oportunidade”, ressaltou, ansioso por compartilhar suas histórias e escutar as dos demais participantes.

Além disso, ele lembrou que é importante ver outros empresários e investidores como também passíveis de erros. Assim, mais do que ter exemplos de como prosseguir em seus negócios, as pessoas aprendem a onde não errar.