Money Week: fundador da Petz já teve buffet de festa e mercadinho

Felipe Alves
Jornalista com experiência em reportagem e edição em política, economia, geral e cultura, com passagens pelos principais veículos impressos e online de Santa Catarina: Diário Catarinense, jornal Notícias do Dia (Grupo ND) e Grupo RBS (NSC).
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Crédito: Petz/Divulgação

Com 146 milhões de animais de estimação no Brasil e um segmento que fatura R$ 32 bilhões por ano no Brasil, o “segmento” de varejo pet ganhou um representante de peso este ano na Bolsa de Valores: a Petz (PETZ3). Foi a partir desse cenário, ao olhar para o potencial de uma megaloja em São Paulo, que o empresário Sergio Zimerman decidiu apostar no mercado de produtos para animais de estimação. Ele é um dos convidados da Money Week, evento de investimentos on-line e gratuito que ocorre em novembro.

CEO e fundador da rede Petz, Sergio Zimerman é formado em administração pela UNIP, com cursos de extensão realizados na Europa e nos Estados Unidos e MBA em Varejo (pela FIA – USP). Em 2018, ele foi premiado como empresário do ano pela Alshop (Associação Brasileira de Lojistas de Shoppings).

Mas a trajetória de Zimerman como empreendedor não foi uma linha ascendente, sem tropeços, até aqui. Ele abriu (e quebrou) algumas empresas até atingir o nível de maturidade e sucesso com a Petz.

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Dezoito anos depois de ter a ideia de investir no mercado pet, o empresário de 54 anos comanda uma rede de franquias que está presente em 106 cidades, com faturamento anual de R$ 1 bilhão e valor de mercado de R$ 6 bilhões.

Do fracasso ao sucesso

Criado na região do Brás, bairro comercial do centro de São Paulo, o jovem Sergio Zimerman foi incentivado pela família desde pequeno a lidar com negócios. Brincava de vender pequenas mercadorias em frente à loja do pai e acabou gostando do que fazia.

Seu primeiro empreendimento foi no ramo de festas infantis. Ele fazia bicos de palhaço em festas e resolveu, aos 18 anos, criar sua empresa de animação e eventos. Mais tarde, montou um buffet, que virou um mercadinho e, depois, uma grande loja de atacado – que foi à falência.

No início dos anos 2000, o empresário ainda estava bem distante do mundo pet. Ele comandava o Super Brasil, uma rede atacadista de alimentos e produtos de beleza com cerca de 600 funcionários, que tinha surgido a partir de uma adega. Operando no prejuízo entre 2000 e 2002, a empresa sofreu com a alta da taxa Selic, ficou sem crédito, e quebrou.

Mas ao invés de buscar culpados ou desistir, o empresário decidiu agir. Logo após o fim do Super Brasil, em uma conversa com seu cunhado que produzia xampu para cachorros, Zimerman pesquisou sobre o mundo pet. E descobriu um potencial gigantesco no País.

Depois de visitar lojas do ramo, decidiu abrir a primeira unidade da Pet Center Marginal, na marginal Tietê, em São Paulo. Usou o mesmo local da falida Super Brasil e, em 2002, inaugurou a semente de um negócio que em menos de duas décadas se tornou bilionário.  Em nove meses o negócio já tinha alcançado o break-even. Em 7 anos, tinha 27 lojas abertas e faturamento de R$ 200 milhões.

O modelo de negócios da Petz

Ser “apenas” um mercado em crescimento e ter paixão por animais não são motivos suficientes para abrir uma loja. Na visão de Sergio Zimerman é preciso ir além. Segundo ele, para abrir um negócio, em qualquer ramo, é preciso uma proposta de valor.  Ou seja, é necessário atrair os clientes com serviços e diferenciais competitivos.

Desde que Zimerman mergulhou de cabeça no novo negócio, a Petz só cresce. A empresa passou a fazer propaganda em diversos canais, criou unidades 24h, com uma série de serviços. Chegou até a adestrar uma tigresa para passear dentro da loja e despertar a curiosidade nas pessoas.

Em 2013, o fundo norte-americano Warburg Pincus se tornou sócio da Petz, dando um gás na expansão da rede.

IPO e projetos futuros

O mercado pet tem como peculiaridade  ser mais resistente às crises. Desde que o animal de estimação da família deixou de ser relegado ao quintal de casa para se tornar um membro da família, o consumo com gastos pets nas casas brasileiras aumentou substancialmente. Assim, mesmo em momentos de crise, os donos de pets não deixam de gastar com seus bichinhos.

Com crescimento de receita on-line acelerada desde 2018, a Petz viu suas receitas crescerem também no mercado digital. Com os donos de pets em casa, a participação das vendas digitais sobre a receita passou de um índice de 7,7% em 2019 para 27% em abril de 2020.

Os resultados do terceiro trimestre de 2020, divulgados em 26 de outubro, foram ainda mais animadores. A Petz teve um lucro líquido no período de R$ 12,6 milhões. Ou seja, um crescimento de 63,4% em relação ao mesmo período do ano passado. As vendas dos canais digitais aumentaram 393% – R$ 114,8 milhões.

No meio de uma turbulenta crise de saúde com o coronavírus, a Petz decidiu abrir capital na Bolsa de Valores. Em setembro, quando estreou na Bolsa, captou R$ 3,03 bilhões.

Com dinheiro em caixa, a empresa quer abrir entre 80 e 100 lojas no Brasil nos próximos seis anos e aumentar sua fatia no mercado, que hoje é de 5%.