Money Week: 2º dia teve Roberto Sallouti, Felipe Massa e Banco Central

Rodrigo Petry
Editor-chefe, com 20 anos de atuação em veículos, como Agência Estado Broadcast, InfoMoney, Capital Aberto e DCI; e na área de comunicação corporativa, consultoria e setor público; e-mail: rodrigo.petry@euqueroinvestir.com.
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Crédito: Felipe Massa, de Mônaco, e Luiz Razia, no estúdio, durante a Money Week (Reprodução/YouTube)

Da revolução do PIX à velha agenda de privatizações, o segundo dia da Money Week aprofundou os debates sobre o universo dos investimentos.

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Agenda Econômica

Autodeclarando-se um otimista por natureza, o CEO do BTG Pactual, Roberto Sallouti, afirmou que a recuperação econômica do país pós-pandemia será tranquila, desde que Congresso e governo façam sua “lição de casa”.

Se a gente não fizer besteira, vamos ter uma recuperação econômica do Brasil rápida e que vai surpreender a todos”, afirmou, durante participação Money Week.

Para Sallouti, a retomada do crescimento depende de dois fatores. O primeiro é a chegada da vacina.

O segundo, a responsabilidade fiscal por parte do governo e do Congresso.

Com respeito ao teto de gastos, agenda de reformas e juros baixos mantidos, o resto acontece naturalmente. Vamos ter retomada, queda do desemprego e investimentos crescendo”, aponta.

Selic

Sallouti aponta que a Selic, taxa básica de juros, atualmente em 2%, está muito abaixo do equilíbrio. No entanto, em sua análise, os juros baixos são importantes, no momento, para estimular a economia.

Em sua visão, assim que o crescimento econômico retomar, deve haver pressão inflacionária. Daí, então, será hora de subir a Selic.

Saloutti

Roberto Sallouti na Money Week

Vamos ter que voltar a um juro de equilíbrio. Para uma inflação estimada em 3,5%, um juro real deve ser entre 2% e 3%, o que significa Selic a 5% a 6%”, afirmou, na Money Week.

Antes da pandemia, a bolsa estava a 110 mil pontos com juro a 6,5%. Se voltarmos para lá, a bolsa vai para perto dos 200 mil pontos”, aposta.

Privatizações

Privatizações, novos marcos regulatórios, atração de investimentos internacionais e a redução do custo logístico do Brasil estão nos planos do governo federal para os próximos anos, segundo afirmou Diogo Mac Cord, Secretário Especial de Desestatização e Mercado do Ministério da Economia.

Ao falar das privatizações, Mac Cord afirmou que hoje o governo tem um programa bem arrojado de desestatizações. A partir de 2021 e, principalmente, em 2022, haverá muitos editais no mercado.

Quando chegamos ao governo, em 2019, não havia nenhuma empresa no PND (Programa Nacional de Desestatização). Começaram a fazer isso no ano passado e a colheita chega a partir do ano que vem com os editais na praça”, destacou ele, na Money Week.

Segundo ele, historicamente havia a interpretação de que sem o governo colocando recursos em equity e dívida, aquele setor não deslancharia. “Mas a nossa forma de pensar é diferente“, explica.

As oportunidades no mercado serão “de todos os portes, como a Eletrobras, até chegar em pequenas operações de parques. Temos oportunidades para todos os bolsos e todos os perfis”, afirmou Mac Cord.

Ao reafirmar a intenção do governo de privatizar os Correios, o secretário do Ministério da Economia afirmou que a desestatização proporcionará um choque de gestão e entrega à população. Segundo ele, o objetivo é melhorar a qualidade do serviço e reduzir o tamanho do Estado.

PIX e as corretoras

Sistema de pagamento instantâneo criado e regulado pelo Banco Central, o PIX já entrou em funcionamento e deverá contar com uma importante novidade aos investidores: operacionalidade entre contas correntes dos investidores e suas contas nas corretoras. Isso deverá ocorrer nos próximos três anos.

Nós entregamos um produto bastante interessante, mas há muita coisa bacana ainda a ser entregue nos próximos meses e anos“, diz Breno Lobo, chefe de subunidade no Departamento de Competição e de Estrutura do Mercado Financeiro do Banco Central.

O PIX, hoje, é baseado no conceito de compra transacional entre contas bancárias, de poupança e pré-paga. As contas nas corretoras não são consideradas contas transacionais. Então neste primeiro momento, ficaram de fora. Mas estamos trabalhando nesse conceito, para que o PIX também possa ser utilizado”, acrescentou.

Segurança do sistema

Como toda novidade, o PIX tem levantado alguns questionamentos quanto à segurança das operações.

Estamos entregando para a sociedade um meio de pagamento extremamente seguro, desenhado por um grupo de trabalho com os melhores especialistas do país na área. Este grupo trabalhou no mapeamento de todas as vulnerabilidades possíveis e em soluções para elas”, aponta Carlos Eduardo Brandt, chefe adjunto do mesmo departamento do BC.

Entre as medidas de segurança, ele destaca processos de autenticação exigidos pelo Banco Central, biometria, reconhecimento fácil, estabelecimento de limites de acordo com o perfil e a vontade do cliente, e mecanismo de detecção de qualquer negociação fora do padrão, que aciona o alerta do Banco Central e, imediatamente, a operação é colocada em averiguação.

Investimentos

Para falar sobre como investir após o final da carreira, sobretudo quando ela é curta, Felipe Massa, ex-piloto de Fórmula 1, e Luiz Razia, também ex-piloto e hoje apresentador de TV, deram o seu depoimento.

Quando questionado sobre a principal lição que poderiam passar a quem tem interesse no universo dos investimentos, Massa não titubeou:

Saber onde investir seu dinheiro é muito importante, pois, no esporte, você encerra a carreira, mas continua novo. Tenho 39 anos. Pode ser idade elevada para voltar à Fórmula 1, mas, para outras coisas, não é”, pontuou Felipe Massa, que contou ter uma carteira diversificada na bolsa de valores.

Aprendi no automobilismo a viver com frustrações, Você mais perde do que ganha. Acho que no empreendedorismo é a mesma coisa. Somos muito analíticos e vamos buscar a raiz do problema para empreender e fazer do modo certo na próxima vez, pois sempre há uma nova chance”, completou Luiz Razia.

Como se proteger

Proteger a carteira de grandes perdas é uma regra básica no mercado financeiro. Isso ficou bem claro este ano quando a pandemia derrubou os mercados em março: tem muita gente, até hoje, amargando os prejuízos.

Em situações assim, qual a estratégia de grandes gestores para proteger seus investimentos? José Rocha, sócio e CIO da Dahlia Capital, e Fernando Lovisotto, sócio e CIO da Vinci Partners, falaram sobre isso nesta terça-feira (24) durante a Money Week.  Eles reforçaram que o assunto proteção (ou hedge) é ainda mais importante em países como o Brasil, uma economia emergente e mais frágil em períodos conturbados.

“É preciso acreditar e não desmontar a carteira no primeiro susto, como aconteceu com muita gente na crise do coronavírus. Teve gente que zerou a carteira e perdeu um dinheiro que vai levar 20 anos para ter de volta”, diz Lovisotto.

Renda fixa

Por fim, o dia reservou ainda o debate sobre o quanto a fixa está viva ou não entre os investidores.

A renda fixa no Brasil nunca deve morrer e é possível ganhar uma boa rentabilidade mesmo com um cenário de juros baixos, segundo Roberto Varaschin, cofundador da EQI, e Denys Wiese, assessor sênior de investimentos da EQI.

Para conseguir alcançar boas rentabilidades na renda fixa, os especialistas recomendam que o investidor entenda a fundo dois conceitos: juros futuros e marcação a mercado.

Money Week: Denys Wiese e Roberto Varaschin

Denys Wiese e Roberto Varaschin na Money Week

Juro futuro é o que define as taxas das rendas fixas longas e curtas. O DI futuro é a expectativa dos investidores do mercado para a taxa Selic (básica de juros) para daqui a 7 anos, por exemplo. É uma negociação livre, o DI é negociado na Bolsa, e nessa negociação, chega-se a um preço que o mercado espera naquele momento”, ensina Varaschin.

E é esse juro que vai balizar o que o investidor vai receber na renda fixa. 

Já a marcação a mercado permite que o investidor saiba o valor que receberia hoje se vendesse um título. Ou seja, é o valor real do título, que oscila conforme vários fatores diariamente.

Se o juros sobe, o preço do título cai, e vice versa. Isso ocorre com títulos pré-fixados e indexados ao IPCA”, afirma Wiese.

A marcação a mercado é importante para fazer a venda antecipada de um título ou se o investidor precisar resgatar este título de forma antecipada. Assim, é possível usar a renda fixa como uma espécie de renda variável.

Veja mais Money Week:

  • Primeiro dia, a Money Week contou com Gustavo Cerbasi, Luiz Barsi, André Esteves e Bredda;
  • Terceiro dia, debateu IPOs, Unicórnios, ESG e investimentos no exterior;
  • Quarto dia, abordou day trade, investimento de longo prazo e finanças pessoais; e
  • Quinto dia, debateu FIIs, a FinTwit e a construção de patrimônio.

(Com Claudia Zucare Boscoli, Felipe Alves, Naiana Oscar e Paulo Amaral)

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