Money Week: conheça Henrique Bredda, o gestor do Alaska Black

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.

Crédito: Divulgação

Com mais de 180 mil seguidores no Twitter, Henrique Bredda é um dos mais midiáticos gestores de fundo da atualidade.

“Ser contrário, no fundo, é uma questão de caráter. Não é para todos”, é a frase do seu perfil na rede social.  O que diz muito sobre sua fama no mercado, que é a de buscar por ativos que estejam no fundo do poço e que quase ninguém enxergue como oportunidade.

Bredda já afirmou em entrevistas que prefere agir assim, para que o investidor saiba com quem está lidando. Ele é um dos participantes da próxima edição da Money Week, o maior evento online e gratuito de Investimentos da América Latina, que vai acontecer entre 23 e 27 de novembro.

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Um chega para lá no “zé cotinha”

Assuntos de política à parte, ele é polêmico até na hora de vender o próprio peixe. Confira essa sequência de tweets de julho de 2019, com o título: “não aplique em nossos fundos”.

“Caro ‘aplicador’, estou aqui para te ajudar. Quero te proteger de desgosto, de perdas financeiras grandes. Se recentemente você ficou com vontade de ‘aplicar’ nos nossos fundos, muito provavelmente foi porque ficou impressionado com os retornos recentes. Alguém te falou do fundo, bem por cima, ou você leu em algum lugar. Se você for um novato nos fundos, sinto lhe informar que não só esses retornos não se repetirão todo ano, como também pelo simples fato de você se interessar em ‘aplicar’ agora, é provável que o fundo caia nos próximos meses. Quase sempre é assim: após altas fortes, temos correções fortes também. Ainda dá tempo de você desistir e se poupar de frustrações”.

E continua: “Nossos fundos podem ser uma péssima ‘aplicação’. Gostaria de te lembrar também que ninguém te obriga a entrar, e muito menos a ficar. Nunca culpe os outros pelos seus erros. O patrimônio é seu. A decisão final é sua. Você pode até tentar ficar entrando/saindo para ver se acerta os pontos de entrada e saída nas ‘aplicações’, mas não recomendamos, não fazemos isso. Chamamos carinhosamente esse sujeito de ‘zé cotinha’. Não seja um zé cotinha. Nós, sócios da Alaska, só investimos. Somos compradores e acumuladores de ativos. Não pensamos em sair. A coisa mais difícil do capitalismo é ganhar dinheiro, portanto não vá achando que tem caminho fácil para isso”.

Carreira de Henrique Bredda

Henrique Bredda é formado em Engenharia Naval e Oceânica pela Escola Politécnica da USP, mas ficou muito pouco na área. Logo ingressou no Banco Itaú, como analista de crédito.

Ele é sócio fundador e gestor dos fundos da família Black da Alaska. Mas começou sua carreira em 2002, tendo passado por instituições como Unibanco, Spinnaker Capital Group, Ashmore Brasil, FVF Participações, VentureStar Capital Management. Além disso, Bredda foi sócio fundador da Skipper Investimentos, onde atuou como analista e gestor de renda variável de 2010 a 2013.

A Alaska nasceu em 2015, da união de Bredda com Angela Freitas, vinda da Skipper e de Luiz Alves Paes de Barros, ícone do mercado financeiro. A ideia inicial do fundo era gerir somente capital de pessoas próximas ao grupo de sócios fundadores. Curiosidade: o nome Alaska contém as iniciais de dois sócios mais as primeiras letras de  Skipper, a antiga gestora de Bredda

A fama da Alaska cresceu a partir de um case bastante conhecido, o do Magazine Luiza (MGLU3).

Case Magalu

O case do Magazine Luiza é o mais representativo da carreira de Bredda e do portfólio da Alaska.

A Magalu vivia um momento bastante ruim em 2015. As ações da empresa estavam sendo negociadas a menos de R$ 1 e as notícias davam conta de que possivelmente fechasse capital.

Nesse período, Bredda recebeu um e-mail do sócio: “Magazine Luiza, queda, 40%”.

Ele entendeu que as ações estavam caindo 40% e que seria uma boa oportunidade de compra. Rapidamente, agendou uma reunião com o CFO da empresa para avaliar a oportunidade.

Mas Alves queria dizer que as vendas da empresa estavam caindo 40% no ano, e não as ações. Mesmo assim, foram ambos à reunião agendada. Chegando lá, o que eles viram foi uma empresa em reconstrução e decidiram que era hora de investir nela.

Henrique Bredda: “Estava tudo lá”

Na época, foram muitas as críticas à gestora. Mas, na verdade, eles estavam apenas vendo o que ninguém viu. A partir daí, as ações da empresa não pararam de subir – hoje, se encontram na casa dos R$ 24.

Em tweet recente, ele afirmou que sua grande sacada, na verdade, estava claramente explicitada no relatório da Magalu de 2015. “Estava tudo lá”, disse.

“Obviamente, como a ação está mais largada do que cachorro sarnento atropelado na rodovia, a maioria das pessoas olha primeiro a ação, e depois concluem se a empresa é boa ou não. Então concluíam que ela era péssima”, escreveu.

E continuou: “Depois dos resultados positivos, aí a narrativa muda. As pessoas atribuem o sucesso à sorte, a algum evento mágico, ou ao heroísmo de alguma pessoa específica. Não é nada disso. O grande protagonista é sempre o processo, planejamento, tempo, foco e competência do time. Infelizmente, no ziguezague dos preços do dia a dia, numa cultura cada vez mais curto prazista, no sonho do daytrade perfeito, as pessoas não percebem essas mudanças estruturais. Estão mais interessadas nos ruídos do que em entender o que realmente acontece dentro de uma companhia”.

A lição que se tira do episódio pode ser resumida nesta continuação: “Olhe o mercado apenas para saber se está bom pra comprar, ou se está bom pra vender. Mas se quiser saber se a empresa é boa ou ruim, tem que se aprofundar na análise da empresa, do time de gestão, da cultura corporativa. Nesse momento, ignore o mercado”.

Henrique Bredda

Reprodução/Twitter

Fundo Alaska Black

O Alaska Black Institucional FIA é o carro-chefe da gestora Alaska, direcionado a investidores em geral e focado em ações. A aplicação inicial é de R$ 1 mil.

Em 2017, o fundo teve 51,44% de rentabilidade. Em 2018, 32,37%. Em 2019, 31,12%. Em 2020, acumula perda de 16,24%. Em outubro, o fundo acumulou perda de 0,76%, ao passo que o Ibovespa perdeu 0,69%. A volatilidade do fundo é de 31%.