Money Week: 5º dia teve FIIs, FinTwit e construção de patrimônio

Rodrigo Petry
Editor-chefe, com 18 anos de atuação em veículos, como Estadão/Broadcast, InfoMoney, Capital Aberto e DCI; e na área de comunicação corporativa, consultoria e setor público; e-mail: rodrigo.petry@euqueroinvestir.com.
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Crédito: Thiago Pereira participou do último painel da Money Week (Reprodução/YouTube)

No último dia da 3ª edição da Money Week os destaque ficaram por conta dos debates sobre fundos de investimento imobiliários (FIIs), a FinTwit, a construção de patrimônio, as finanças no casamento e como atingir suas metas.

A Money Week é o maior evento online totalmente gratuito sobre investimentos da América Latina.

No primeiro dia, contou com Gustavo Cerbasi, Luiz Barsi, André Esteves e Bredda; no segundo dia, com Roberto Sallouti, Felipe Massa e representantes do Banco Central; no terceiro dia, debateu IPOs, Unicórnios, ESG e investimentos no exterior; e no quarto dia, abordou day trade, investimento de longo prazo e finanças pessoais.

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Fundos Imobiliários

Apesar da crise, os Fundos Imobiliários saíram de uma base de 645 mil investidores de pessoas físicas em dezembro do ano passado para 1,1 milhão em outubro de 2020, segundo a B3.

O interesse cresce com a queda na taxa básica de juros, Selic, e também com o aumento da oferta de produtos nas plataformas das grandes corretoras.

Dessa forma, o Brasil já soma R$ 110 bilhões sendo negociados neste tipo de ativo.

Para Michel Wurman, sócio responsável pela área imobiliária do BTG Pactual, a cifra é ainda muito distante do US$ 1 trilhão dos EUA, mas indica que o país já está em um caminho de crescimento.

Nas próximas edições da Money Week, vamos falar com certeza em R$ 500 bilhões negociados”, afirma.

Segundo ele, isso se dá porque os FIIs oferecem proteção e uma previsibilidade muito grande de quanto será o rendimento.

É uma classe nova no Brasil, que cresceu mais de 70%. Está caindo no gosto do investidor brasileiro”, ele afirma.

Michel Wurman na Money Week

Michel Wurman na Money Week

O investidor Artur Losnak acrescenta que, além dos investidores pessoas físicas, os FIIs vêm atraindo cada vez mais os grandes players.

O desempenho do segmento é classificado como positivo, apesar da crise decorrente da pandemia. “De um modo geral, os Fundos Imobiliários como um todo sobreviveram bem. Todo mundo passou pela crise melhor do que o esperado. E os gestores estão de parabéns”, aponta Losnak.

O destaque positivo ficou com os fundos de logística, puxados pelo crescimento do e-commerce, graças às medidas de distanciamento social.

FinTwit

Outro tema quente do mercado é o uso do Twitter para obter conhecimento e bons insights de investimento.

A possibilidade vem ganhando força na rede social e recebeu até apelido: FinTwit – “Fin” de finanças e “twit” de Twitter.

O uso do fórum FinTwit no Twitter como canal para troca de conhecimentos vem aproximando gestores e investidores. A parte ruim, das ofensas e polêmicas, dizem, deve ser apenas deixada de lado.

Tem a parte boa do Twitter, de aprendizado, e tem a parte ruim, das confusões e dos perfis falsos no FinTwit. Mas o intuito é passar informação relevante”, diz Gabriel Rech, fundador da comunidade Macro Investimentos..

Os gestores usam o canal para mostrar seu conhecimento e, claro, vender a sua empresa. Mas o mercado financeiro tem essa característica de virar um local de ‘aposta’ ou ‘torcida’ e não é para ser isso. Nossa obrigação é mostrar os produtos, os riscos e vantagens”, acrescenta Alfredo Menezes, CIO e CEO da Armor Capital.

Sérgio Machado, gestor da Trópico Investimentos, dá sua receita para ficar bem na rede social: não se deixar levar pelas polêmicas.

Eu tenho 40 anos de mercado e não sei tudo, então é muito interessante o Twitter e a FinTwit. Você começa a ter um relacionamento de amizade com pessoas que você não conhecia pessoalmente. Tem uma força muito grande. Mas não entro em ‘treta’”, revela.

Início e longo prazo

A Money Week debateu ainda a importância de se atualizar e exercitar a paciência na hora de investir.

Mas, errar é normal e inevitável, principalmente no começo. “A experiência vem dos nossos erros”, disse João Bosco Oliveira “Mille”, consultor da Bastter.com.

Para Mille, para potencializar seu retorno de investimentos na bolsa de valores, é preciso evitar ter uma carteira direcional baseada em boas empresas. E, claramente, focar no longo prazo. Além disso, é importante conhecer bem as companhias antes de investir.

André Bacci, investidor profissional focado em Fundos Imobiliários, diz que seu interesse pela área começou durante a euforia da bolsa de valores em 2008, mas decidiu estudar e entender melhor os Fundos Imobiliários (FIIs).

A partir do momento que compreendi, que fiquei confortável em investir, foi só continuar”, afirmou. O conselho que ele dá para quem está começando é: “Começar com calma, não faz parte da tradição de ninguém investir”.

Rodrigo Medeiros, médico do Hospital Sírio Libanês, que prefere ações do exterior, começou aos pouquinhos até pegar confiança nos investimentos.

Um dos principais benefícios para ele é a tranquilidade de fugir do “risco Brasil”, com a volatilidade já conhecida do cenário nacional.

Funciona como proteção. Quando a coisa está ruim aqui, o dólar tende a ter uma correlação inversa. Isso te dá uma tranquilidade, pois não é fácil fugir do instinto de vender tudo na baixa”, falou.

Assessor de investimentos

Com 3 milhões de investidores pessoas físicas na bolsa de valores brasileira, a profissão de agente autônomo de investimento deu um salto de crescimento.

Eram cerca de 3 mil em 2015. Hoje, são mais de 9 mil. O avanço faz sentido: são mais investidores procurando orientação qualificada em busca de um melhor destino para o seu dinheiro.

O resultado é que cada dia mais profissionais buscam a certificação de agente autônomo junto à Associação Nacional das Corretoras e Distribuidoras de Títulos e Valores Mobiliários, Câmbio e Mercadorias (Ancord).

O cenário segue bem otimista, com Selic baixa”, afirma Flora, do BTG.

Alguns anos atrás, os juros eram de 15%, 20%. Ninguém comprava o risco de ir para a renda variável com uma rentabilidade dessas na renda fixa. Agora, a sensação é que o dinheiro está queimando nas mãos do investidor e as pessoas estão sem saber o que fazer para ter rentabilidade maior”, diz.

A revolução digital, ele diz, que viabiliza a abertura de uma conta de maneira 100% online em menos de meia hora, é o pano de fundo para este crescimento.

Edgar Abreu e Marcelo Flora na Money Week

Edgar Abreu e Marcelo Flora na Money Week

Evoluções da profissão de assessor de investimentos

Segundo Edgar Abreu, consultor especialista em certificação financeira, a carreira de agente autônomo sofreu três revoluções no país ao longo dos anos.

A primeira, ele diz, foi no tempo de Selic alta, em que o agente se desdobrava para atrair poucos investidores para a bolsa, prometendo rentabilidade mais alta do que a da renda fixa, o que muitas vezes não se confirmava na prática.

Depois, foi a vez das corretoras buscarem os gerentes de banco para trabalharem como agentes. O movimento ocorreu, ele diz, porque as corretoras estavam de olho no networking desses profissionais.

Por fim, agora, vive-se a terceira revolução, em que qualquer pessoa pode ser agente autônomo.

Eu só preciso de alguém que entenda de produtos de investimento e de relacionamento humano”, ele diz.

Casamento e finanças

Assim como com um assessor de investimento, a cumplicidade nas finanças tem que acontecer também no casamento.

O casal Paula Pequeno, bicampeã olímpica de vôlei e Alexandre Folhas, empresário e ex-atleta da Seleção Brasileira de Handebol, trabalham lado a lado, têm negócios juntos: uma parceria amorosa, de qualidade de vida e bem-estar, além de um agência de comunicação, escola de esportes, e, mais recentemente, uma franquia de academias. Além disso, Paula está mudando de carreira e migrando para o vôlei de praia.

Folhas comparou o casamento com um time. “O esporte fala muito do espírito de equipe, e o casamento não deixa de ser um time. Uma competição boa, e que vamos aprendendo a lidar e ficando cada vez melhores com o passar do tempo”.

Foco nos objetivos a longo prazo também é uma chance de sucesso maior. As brigas tem a ver com o imediatismo das parcerias.

Para Paula, a cobrança deve existir, para a pessoa não ficar acomodada. Mas o investimento em uma parceria já traçada dá firmeza para as próximas batalhas, visando o futuro com qualidade de vida.

Alcançar metas

No último painel da terceira edição da Money Week, Thiago Pereira, maior medalhista da história dos Jogos Pan-Americanos e prata nas Olimpíadas de 2012, em Londres, falou sobre as lições que o esporte apresenta no mundo dos investimentos.

O esporte é um empreendedorismo. Com 15 anos, eu ganhava R$ 150 e mudei de Volta Redonda para Belo Horizonte para buscar um sonho. Olhando para trás, para todo o passado, vejo que a chance de dar certo era 0000001%”, comentou Thiago Pereira.

Para o supercampeão pan-americano, dono também de uma medalha de bronze em Jogos Olímpicos, esporte e empreendedorismo têm muitos pontos em comum.

Entre elas a frieza para tomar decisões.

“Uma coisa que eu trouxe do esporte foi um pouco de frieza. Tive a oportunidade de nadar 4 finais olímpicas ao lado do Phelps [Michael, norte-americano dono de 37 recordes mundiais de natação e maior medalhista de ouro em uma única edição olímpica, com 8 medalhas). Tem que ter calma. As coisas não acontecem do dia para a noite. Precisa respeitar o tempo de maturação de tudo”.

  • Veja mais sobre as lições de Thiago Pereira

(Com Claudia Zucare Boscoli, Naiana Oscar,  Paulo Amaral e Victória Anhesini)

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