Money Week: 3º dia teve IPOs, unicórnios, ESG e investimento no exterior

Rodrigo Petry
Editor-chefe, com 18 anos de atuação em veículos, como Estadão/Broadcast, InfoMoney, Capital Aberto e DCI; e na área de comunicação corporativa, consultoria e setor público; e-mail: rodrigo.petry@euqueroinvestir.com.
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Crédito: Reprodução/Money Week

IPO e ESG são duas siglas que fazem sucesso este ano entre os investidores e, no terceiro dia da Money Week, ganharam espaço nos debates.

As ofertas iniciais de ações (IPOs, na sigla em inglês) retomaram com tudo, assim como as preocupações ambientais, sociais e de governança, representadas pela sigla em inglês ESG.

Além destes temas, o universo do venture capital, com seus unicórnios, e as aplicações no exterior ganharam espaço nos debates.

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IPOs

Ao longo de 2020, quase uma centena de empresas deram entrada no processo para abertura de capital na bolsa brasileira.

Desse total, 25 companhias fizeram suas Ofertas Iniciais de Ações (IPOs), outras 37 aguardam a análise dos órgãos reguladores, oito interromperam o processo e 17 acabaram cancelando.

Chegamos a ter perto de 100 empresas que formalmente entregaram a documentação na Bolsa e na CVM”, afirmou o diretor da B3, Rogério Santana.

O número de interrupções e cancelamentos reflete muito o momento de mercado e toda a turbulência que, infelizmente, todos vivenciaram nos últimos meses, com impactos sociais, mas também na decisão de investimentos e na decisão empresarial”, acrescentou.

Preparação

Ao comentar essa nova onda de ofertas no País, a advogada especializada em fusões e aquisições Fernanda Bastos ponderou que nem sempre as companhias estão preparadas.

A própria CVM já sinalizou que (as empresas) não mandem documentação de qualquer jeito só para aproveitar uma janela de mercado. As empresas precisam se preparar para esse novo ciclo de companhia aberta.

IPO da Petz 

Uma das companhias que fez o seu dever de casa foi a Petz, que teve suas ações negociadas na bolsa a partir de setembro, movimentando R$ 3 bilhões.

Foi também a primeira empresa do segmento pet na América Latina a acessar o mercado de capitais.

Isso teve um valor muito grande para o mercado pet. Nosso IPO jogou holofote no segmento, e acabou valorizando por tabela todas as empresas que fazem um bom trabalho no setor”, afirmou Sérgio Zimerman, CEO da Petz (PETZ3).

Unicórnio

Enquanto algumas empresas fazem abertura de capital bilionária, outras estão na fase de captação de recursos para poder decolar.

Experts no tema, o CEO e fundador da Vtex, Mariano Gomide e o CEO da Ace Startups, Pedro Waengertner reforçaram a evolução da digitalização no Brasil, como um caminho para este crescimento.

Segundo Gomide, “já existem no Brasil os próximos 50 unicórnios”.

Waengertner também falou que empreendedores e investidores  precisam entender que há espaço para a criação de novos negócios no Brasil.

“Há ainda muito a ser explorado. Onde tem ineficiência há espaço para entrar. Nesse aspecto, nós nem arranhamos a superfície do que se poderia fazer”, resumiu.

Transformação Digital

Quais são as tendências no setor de tecnologia que podem mudar o mercado? Como analisar empresas na hora de investir levando-se em conta a transformação digital?

Gisselle Lanza, diretora geral da Intel Brasil e Tamaris Parreira, diretora para América Latina da Medallia falaram sobre as mudanças que já estão em curso nas empresas, mas também deram dicas do que vem pela frente e que promete ser ainda mais transformador. Os negócios precisarão aprender a lidar com uma “explosão de dados”. O 5G será um facilitador nesse processo, assim como a Inteligência Artificial.

“Já temos a máquina aprendendo com nossas buscas na internet, por exemplo. A Inteligência Artificial vai capturar essas informações e fazer propostas em cima desses dados. Ela vem para traduzir em escala vários comportamentos semelhantes e apontar um caminho para aquela demanda”, explica Tamaris. “Tudo o que é em escala será muito afetado pela Inteligência Artificial.” 

ESG

Outro tema que veio pra ficar é o ESG, sigla que denota boas práticas ambientais, sociais e de governança.

Para Iuri Rapport, sócio do BTG Pactual, head de Compras e Contratos, o ESG é como um modo novo de olhar o mundo.

Temos um termômetro de que essa nova geração de clientes já começa a entrar nas corretoras perguntando por oportunidades de investimentos em que o resultado seja não só financeiro. Mas também tenha um impacto social e ambiental positivos. 

Money Week: ESG é tendencia que vem para ficar e merece atenção de investidores

Fabiana Panachão, Iuri Rapport, Renata Faber e Juliano Custodio na Money Week

Renata Faber, analista de ESG na Exame Research, reforçou as empresas têm adotado a agenda ESG porque são bem avaliadas pelo mercado, mas também porque conseguem resultados efetivos. Além disso, atraem os melhores talentos.

Ao oferecerem um propósito para trabalhar com boas condutas de governança, as empresas acabam conseguindo os melhores profissionais.

A empesa também é responsável por resolver os problemas da sociedade. Se você polui, você é obrigado a tomar alguma responsabilidade sobre isso”, disse.

Agronegócio

Em ano de crise mundial, o agronegócio brasileiro vem crescendo, segurando o país de um tombo ainda maior no Produto Interno Bruto (PIB) e sendo o principal motor de recuperação.

O agronegócio e as oportunidades de investimento no setor foram o tema do painel com Adeodato Volpi Netto, estrategista-chefe da Eleven Financial, e Felippe Serigati, professor de economia da Fundação Getulio Vargas (FGV) em São Paulo.

Enquanto os demais setores da economia brasileira sentiram fortemente a crise da pandemia de coronavírus, o agronegócio cresceu.

“O agro vai se lembrar com carinho de 2020, apesar de todas as turbulências. O agro brasileiro encontrou demanda mais aquecida no mercado interno e no externo. E conseguiu fazer safra recorde. Com safra recorde, a tendência era que os preços caíssem. Mas, com a crise, o dólar subiu, o real depreciou. E o agro conseguiu vender a safra recorde a preço alto”, diz Serigati.

Para os investidores, o agronegócio interessa porque envolve toda uma cadeia produtiva, cujo desempenho reflete nos preços das ações.

Essa cadeia de commodities é muito importante, porque é muito presente nas empresas do Brasil. Ação não é um código na tela, é uma fração de uma empresa. E são muitas as empresas ligadas ao agro”, diz Volpi Netto.

Investir no exterior

Uma das formas de se proteger das incertezas do mercado interno é por meio da diversificação da modalidade de ativos e geográfica.

Com a Selic em baixos patamares, os brasileiros passaram a apostar em aplicações mais arriscadas e até já olham para investimentos no exterior.

A bolsa antes era ‘só para quem tem muito dinheiro’. Até que o brasileiro entendeu que não. Agora acontece o mesmo com investimento no exterior, que está cada vez mais acessível”, afirmou William Castro, estrategista-chefe da Avenue Securities.

O real é uma moeda de país emergente que, em momento de crise, sofre mais. Se os EUA espirram, o Brasil pega uma pneumonia”, acrescentou o investidor profissional Andrey Nousi. 

Para Thiago Lobão, fundador e CEO da Catarina Capital, o timing é perfeito para este movimento. “Temos hoje uma primeira geração de investidores com amadurecimento e know-how para fazer o investimento no exterior. Além de mais possibilidades de investimentos”, diz.

Lobão destaca outra vantagem de investir no exterior: ter acesso às ações das grandes empresas de tecnologia, como GoogleApple, Amazon,  e Tesla. 

Day Trade

Por fim,  Kleber Falchetti, sócio da  EQI Investimentos, e Raphael Figueiredo, analista da Eleven Financial, deram dicas para aqueles que querem operar day trade.  Eles explicaram as diferenças do investidor (focado no longo prazo) e do trader (focado em operações de curto prazo).

Um trader não pode ter cabeça de investidor. E investidor não pode ter cabeça de trader. São coisas como água e vinho, não vão se misturar. Quem está olhando o curto prazo, precisa ter visão de curto prazo”, disse Raphael.

Ele explica que o trader está preocupado com movimentos intraday. “Assim, ele vai operar mais vezes. É uma pessoa de adaptabilidade, de pensamento rápido, que consegue fazer contas rápidas. E que  sabe sair de uma situação que não está muito boa”, explicou.

Já o investidor de longo prazo, é muito mais paciente, tem visão de no mínimo 12, 18 meses.  “Quando o papel cai é oportunidade para ele comprar mais e trazer o preço médio pra baixo.

Desta forma, segundo Falchetti, o trader usa análise gráfica e outras ferramentas de valor para sua tomada de decisão. Enquanto o investidor observa os múltiplos das empresas.

Ganhar e perder

Falchetti reforçou ainda a importância de o investidor separar previamente o dinheiro que pretende operar no day trade. É preciso fazer o mesmo que se faz com as contas da casa, por exemplo. Essa é uma forma de se expor menos ao risco de perder tudo.

A partir do momento que você faz isso você está se dando liberdade até mesmo para errar. O trader de sucesso é aquele que tem muito bem desenhado na cabeça dele o alvo e o dinheiro separado para que ele possa trabalhar”, diz o sócio da EQI.

Falchetti concluiu reforçando um velho mantra: “O mercado não vai para onde a gente quer, ele vai pra onde tem que ir”.

Veja mais Money Week:

  • Primeiro dia, a Money Week contou com Gustavo Cerbasi, Luiz Barsi, André Esteves e Bredda;
  • Segundo dia, com Roberto Sallouti, Felipe Massa e representantes do Banco Central;
  • Quarto dia, abordou day trade, investimento de longo prazo e finanças pessoais; e
  • Quinto dia, debateu FIIs, a FinTwit e a construção de patrimônio.

(Com Claudia Zucare Boscoli, Felipe Alves, Giovanna Castro, Karin Barros, Naiana Oscar e Paulo Amaral)

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