Amazon (AMZO34): como investir na empresa de Jeff Bezos

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.

Crédito: Reprodução/Amazon

Largar a vice-presidência de uma empresa para vender livros pela internet, numa época em que o e-commerce ainda era uma aposta arriscada. Criar um botão de “compre com um clique”, que revolucionou a venda online. Abrir uma empresa de transporte espacial.

Não há limites para as ideias e ousadias de Jeff Bezos, fundador da Amazon. E o sucesso parece gostar do que ele inventa. Tanto que Bezos é o homem mais rico do mundo, com fortuna estimada em US$ 186 bilhões.

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Já a Amazon é a marca mais valiosa do mundo. E, em plena pandemia, viu seu lucro líquido saltar 200%.

Os números fazem brilhar os olhos de qualquer investidor. No Brasil, até outubro de 2020, investir na Amazon não era para qualquer um. Agora é, via BDRs – os Brazilian Depositary Receipts.

Na B3, os investidores brasileiros podem negociar BDRs da Amazon sob o código AMZO34.

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Empresa foi favorecida pela pandemia

Com as pessoas em casa devido às medidas de isolamento social pela Covid-19, o consumo pela internet disparou e, claro, a gigante Amazon foi bastante beneficiada. Segundo analistas, foi como injetar “hormônio do crescimento” na empresa.

A Amazon registrou no primeiro trimestre de 2021 (1T21) um lucro líquido de US$ 8,107 bilhões, com aumento de 219,80% em relação aos US$ 2,535 bilhões do 1T20. O lucro por ação passou de US$ 5,09 para os atuais US$ 16,09.

O fluxo de caixa operacional aumentou 69% para US$ 67,213 bilhões nos últimos doze meses, em comparação com US$ 39,732 bilhões para
os últimos doze meses terminaram em 31 de março de 2020.

As vendas líquidas aumentaram 44%, para US$ 108,518 bilhões no primeiro trimestre, em comparação com US$ 75,452 bilhões no primeiro trimestre de 2020. Excluindo o impacto favorável de US$ 2,1 bilhões das mudanças ano a ano nas taxas de câmbio estrangeiras ao longo do
trimestre, as vendas líquidas aumentaram 41% em comparação com o primeiro trimestre de 2020.

A receita operacional aumentou para US$ 8,865 bilhões no primeiro trimestre, em comparação com a receita operacional de US$ 3,989 bilhões no primeiro trimestre do ano passado.

Em compensação, o gasto da operação também cresceu: de US$ 71,463 bilhões para US$ 99,653 bilhões.

Valorização dos BDRs da Amazon

No começo de 2020, os BDRs da Amazon valiam R$ 48,45. Em 27 de maio, no entanto, eram cotados a R$ 108,66. Ou seja, de lá até aqui, a valorização é de 124%.

Bezos vai deixar comendo da empresa

A partir do terceiro trimestre deste ano, Andy Jassy, que ingressou na empresa em 1997 e lidera a equipe da Amazon Web Services, assumirá o cargo de CEO da Amazon.

Bezos irá para o comando do conselho de administração da empresa. Adicionalmente, ele permanecerá envolvido em projetos na companhia, entretanto pretende dedicar mais tempo ao Fundo Bezos Earth, sua nave espacial Blue Origin, aos The Washington Post e o Amazon Day 1 Fund.

A informação foi tornada pública na última semana de maio.

Amazon avança no Brasil

Entre os temas que os investidores devem ficar de olho está a expansão dos negócios da Amazon no Brasil.  Em novembro do ano passado, a empresa comunicou a abertura de três novos centros de distribuição no país.

Já presente em São Paulo (com quatro unidades) e em Cabo Santo Agostinho, em Pernambuco, agora ela terá unidades em Betim (MG), Santa Maria (DF) e Nova Santa Rita (RS).

O valor do investimento total da Amazon para os novos centros, que terão um espaço conjunto de 75 mil metros quadrados, não foi revelado pela empresa.

O foco é acelerar as entregas e se destacar da concorrência, que inclui por aqui nomes como Mercado Livre, Via Varejo, GPA e Magazine Luiza.

Acusações da Comissão Europeia 

Outro tema sensível é a acusação da Comissão Europeia de que a Amazon obtém vantagens injustas sobre seus vendedores terceirizados.

Segundo a entidade, a empresa de Bezos utiliza dados de vendedores, como números de pedidos, receitas e número de visitantes, para apresentar preços mais competitivos.

Segundo a UE, a prática estaria errada porque a Amazon não pode se apresentar como concorrente de seus próprios vendedores.

“Os dados sobre a atividade de vendedores terceirizados não devem ser usados ​​em benefício da Amazon quando ela atua como concorrente”. É o que afirma Margrethe Vestager, chefe de concorrência da UE, em comunicado.

História da Amazon

A história da Amazon está ligada a uma ideia fixa que Jeff Bezos, então vice-presidente de um fundo de investimentos de Wall Street, tinha aos 30 anos: abrir uma livraria online.

Ele tinha acabado de completar um curso sobre como abrir uma loja de livros e acreditava, contra todas as opiniões e evidências, que a internet seria um ótimo canal de venda.

Pois foi atrás deste sonho que ele abandonou a zona de conforto e, em 1994, fundou, ao lado da esposa, a tal livraria, que receberia o nome de Amazon.

Descontos agressivos explicam crescimento acelerado

Bastou um mês para Bezos convencer o mercado que não estava de brincadeira quando afirmava que a Amazon era a maior livraria do planeta.

Em 30 dias de fundação, ele já estava presente em 45 países. Quatro anos depois, em 1998, estendeu os serviços a outros produtos – e começou a incomodar a concorrência.

Seu diferencial sempre foi a prática de descontos agressivos e a busca constante pela otimização da logística de entrega, minimizando custos.

Além da compra “com um clique” idealizada por Bezos, ele também lançou o Kindle, o e-reader da Amazon, outra sacada de mestre. Para utilizar o leitor, o consumidor precisa baixar livros na própria Amazon.

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Amazon

Reprodução/Pixabay

Maior loja virtual do planeta

Vinte e seis anos mais tarde, ele é dono da maior loja virtual do planeta e segunda marca mais valiosa do mundo.

No ranking “Marcas Globais Mais Valiosas 2020”, da consultoria Interbrand, a Amazon só perde para a Apple, fundada por Steve Jobs, com quem, por muitas vezes, Bezos é comparado pelo espírito inovador e ousado, capaz de ditar tendências.

Bezos possui, hoje, 11% das ações da empresa. Mas também exibe em seu portfólio a rede de supermercados Whole Foods, a Alexa, que desenvolve tecnologia de inteligência artificial, e o The Washington Post, um dos mais tradicionais jornais norte-americanos.

Bezos também investiu parte da fortuna em ações da Uber, do Airbnb, do Google e do Twitter.

Além disso, ele é dono da Blue Origin, empresa de exploração espacial criada em 2010. A Blue Origen é rival da Space X, do também bilionário Elon Musk.

Como investir na Amazon?

Os investidores brasileiros podem ter acesso aos chamados BDRs – Brazilian Depositary Receipts – da Amazon.

Eles são ativos que representam ações de empresas estrangeiras.

Quem adquire um BDR está, indiretamente, participando de uma empresa no exterior. E terá direito aos dividendos distribuídos pela companhia lá fora.

Funciona mais ou menos como um fundo de investimento. O investidor não vira o dono da ação, portanto não é sócio da empresa em questão.

Para comercializar um BDR, a instituição emissora do papel adquire várias ações de empresas estrangeiras. Depois monta um “pacote” e vende partes dele aos investidores. Logo, esses títulos são como cotas.

O que é preciso fazer para investir na Amazon?

Para adquirir BDRs da Amazon, o investidor precisa procurar um banco ou uma corretora de valores autorizados pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Quer saber mais sobre como investir em BDRs ou outros ativos correlacionados ao mercado exterior? Preencha o formulário abaixo que um assessor da EQI Investimentos entrará em contato