Apple (AAPL34): conheça a empresa e saiba como investir neste BDR

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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O título de marca mais valiosa do mundo pertence à Apple, empresa que há anos vem ditando tendências ao unir de maneira bem sucedida tecnologia, design e marketing.

Se você se interessa pela empresa fundada por Steve Jobs, saiba que já é possível investir na Apple diretamente pela bolsa brasileira, via Brazilian Depositary Receipts (BDRs).

Na B3, os investidores brasileiros podem negociar BDRs da Apple desde outubro. Antes, estes papéis eram restritos a instituições financeiras e pessoas com mais de R$ 1 milhão em investimentos. Agora, estão acessíveis a qualquer pessoa física.

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Hoje o Twitter é pauta na Money Week.

O papel que espelha a ação da Apple no mercado americano é negociado na B3 sob o código AAPL34.

Origem da Apple

Uma das gigantes da tecnologia, ao lado de Alphabet, Amazon, Facebook e Microsoft, a Apple é uma empresa que projeta, fabrica e comercializa dispositivos de comunicação e mídia móveis, computadores pessoais e reprodutores de música digital portáteis.

Há oito anos seguidos, a Apple ocupa a primeira posição na lista das 100 maiores marcas do mundo feita pela consultoria Interbrand.

Mas antes da ascensão que fez da Apple uma das empresas mais poderosas e reconhecidas do mundo, houve um período conturbado, em que a empresa quase foi à falência.

Início nos anos 1970

A história da Apple remonta a 1976. Foi quando Steve Jobs, Steve Wozniak e Ronald Wayne deram início à empresa na garagem dos pais de Jobs, na Califórnia. Wayne sairia rapidamente da sociedade, ficando a dupla de Steves à frente do negócio.

O nome Apple, dizia Jobs, tinha sido inspirado por uma visita que fez a uma fazenda de maçãs. Isto quando ele fazia uma dieta somente baseada em frutas. Esta é uma das muitas excentricidades na vida do “gênio por trás da Apple”.

O primeiro computador da marca foi o Apple I. Na sequência vieram Apple II e mais modelos de sucesso. Além, é claro, de alguns fracassos.

Dez anos depois da fundação da empresa, Jobs foi forçado a deixar a Apple. Ele discordava das decisões do então CEO, John Sculley.

Volta de Jobs

Fora da Apple, Jobs fundou a Next e a Pixar, sendo a última em parceria com a Disney.

Em dezembro de 1996, a Apple comprou a Next por US$ 400 milhões, trazendo Jobs de volta, como assessor do então CEO, Gil Amelio.

A companhia não vivia um bom momento. Em alguns meses, Job foi anunciado como “iCEO”, para recuperar a empresa de uma das maiores perdas trimestrais já ocorridas entre empresas de tecnologia.

Em 1997, a Apple havia demitido grande parte de seus funcionários e se encontrava à beira da falência, sem conseguir fazer frente à concorrência.

A partir daí, Jobs e equipe focaram em inovação. Emplacaram os sucessos

iMac, iPhone, iPod e iPad. O “i” ele trouxe da Next. Para ele, a letra representava “internet”, “indivíduo” e “informação”.

Jobs morreu em 2011, aos 56 anos, em São Francisco, na Califórnia, vítima de câncer. Em seu lugar, assumiu o CEO Tom Cook, escolhido pelo próprio Jobs.

Desde que assumiu, Cook precisou encarar a guerra comercial entre EUA e China, onde a maioria dos dispositivos da Apple são montados.

O CEO também teve que fechar centenas de lojas físicas neste ano, devido à pandemia. Mas o balanço de sua gestão é bastante positivo.

Marca diferenciada

Ao longo de sua trajetória, a Apple investiu pesado em design e publicidade, construindo uma reputação e uma legião de fãs devotos à marca, a ponto de formarem filas na frente das lojas a cada lançamento de novo telefone.

Seus produtos e serviços hoje incluem iPhone, iPad, Mac, iPod, Apple Watch, Apple TV, um portfólio de aplicativos de software profissional e de consumo, iPhone OS (iOS), OS X e sistemas operacionais watchOS, iCloud, Apple Pay e uma variedade de acessórios, serviços e suporte.

A empresa abriu capital em 1980. Hoje, as ações valem mais de  US$ 110. E a Apple está presente no mundo todo.

Empresa de US$ 2 trilhões

O valor da empresa, atualmente, é de US$ 1,88 trilhão. Mas, em agosto, chegou a atingir o valor de mercado de US$ 2 trilhões, colocando-se ao lado de Microsoft, Amazon e Alphabet como as únicas do mundo a alcançarem essa cifra.

Para chegar ao primeiro US$ 1 trilhão, a empresa levou 38 anos. Já o caminho até os US$ 2 trilhões foi mais rápido: apenas dois anos.

Vendas do iPhone preocupam

O mais recente relatório de lucros da Apple foi recebido com cautela pelos principais analistas de Wall Street.

Isto porque a venda de iPhones ficou abaixo da expectativa, devido ao atraso no lançamento dos telefones com tecnologia 5G e ao fechamento forçado das lojas físicas devido à pandemia.

A venda de produtos apresentou ligeira queda, de US$ 51,529 bilhões para US$ 50,149 bilhões neste trimestre.

O iPhone segue sendo o produto mais vendido, mas suas vendas caíram de US$ 33,362 bilhões no terceiro trimestre de 2019 para US$ 26,444 bilhões no terceiro trimestre de 2020.

O resultado geral da empresa foi um lucro líquido de US$ 12,67 bilhões, inferior ao resultado de US$ 13,686 bilhões de igual período do ano anterior. O lucro por ação diluído ficou em US$ 0,73, de US$ 0,76 anteriormente.

Sem projeções para o próximo trimestre

A empresa também evitou apresentar projeções para o próximo trimestre, o que causou estranheza.

“Se você olhar para a contagem de casos (de Covid-19), a contagem de casos está aumentando na Europa. Eles estão escalando nos Estados Unidos. E então ainda há um nível suficiente de incerteza lá fora. Não acreditamos que esse seja um ambiente para se orientar”, justificou o CEO.

“Os resultados das techs bateram as estimativas, mas o mercado é muito exigente e esperava guidances ainda melhores. Os investidores tinham grandes expectativas”, explicaram, em nota, os analistas do Bankinter, segundo a Bloomberg.

Apesar das vendas decepcionantes, Cook se diz otimista com a expectativa de vendas do iPhone 12. “A resposta inicial a todos os nossos novos produtos, liderada por nossa primeira linha de iPhone habilitado para 5G, tem sido extremamente positiva. Do aprendizado remoto ao escritório doméstico, os produtos da Apple têm sido uma janela para o mundo para os usuários à medida que a pandemia continua”, disse.

Apple e o cenário atual

O investidor deve ficar de olho em algumas notícias recentes envolvendo a Apple e que podem repercutir em oscilação dos papéis.

Uma delas é que a empresa está envolvida em investigações da justiça americana contra o Google.

Isto porque, segundo a acusação, o Google teria um acordo financeiro com a companhia para que seu buscador tenha prioridade nos aparelhos da Apple. A estimativa é de que o Google pague até US$ 12 bilhões por ano para a Apple.

Apple exclui carregador do iPhone 12

A Apple vem sendo questionada também pelo Procon de São Paulo por excluir o carregador da caixa do novo iPhone 12.

A empresa afirmou que não vai incluir o adaptador de tomada no iPhone 12, 12 Mini, 12 Pro e Pro Max quando eles forem lançados no Brasil. Segundo o Procon, a prática é abusiva.

Xiaomi ultrapassa Apple em smartphones

No final de outubro, a Apple perdeu o posto de terceira maior fabricante de celulares do mundo para a chinesa Xiaomi. À frente de ambas estão Huawei e a líder Samsung.

Desempenho dos BDRs

Os BDRs da Apple registram uma alta de 129,17% desde o começo de 2020.

Ao preço de R$ 66,94, os BDRs da Apple não precisaram ser desmembrados em 22 de outubro, quando passaram a ser negociados no varejo aqui no Brasil.

Em outubro, o ativo registrou alta de 2,43%.

No terceiro trimestre, houve uma alta de 31,94%.

No ano, a valorização da ação na Nasdaq é de 45%, de janeiro a outubro.

Apple

Reprodução/Google

Como investir na Apple?

Os investidores brasileiros podem ter acesso aos chamados BDRs – Brazilian Depositary Receipts – da Apple.

Eles são ativos que representam ações de empresas estrangeiras. No Brasil, investidores pessoas físicas, não-qualificados, agora podem investir em BDRs.

Quem adquire um BDR está, indiretamente, participando de uma empresa no exterior. E terá direito aos dividendos distribuídos pela companhia lá fora.

Funciona mais ou menos como um fundo de investimento. O investidor não vira o dono da ação, portanto não é sócio da empresa em questão.

Para comercializar um BDR, a instituição emissora do papel adquire várias ações de empresas estrangeiras. Depois monta um “pacote” e vende partes dele aos investidores. Logo, esses títulos são como cotas.

O que é preciso fazer para investir na Apple?

Para adquirir BDRs da Apple, o investidor precisa procurar um banco ou uma corretora de valores autorizados pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

  • Quer saber mais sobre como investir em BDRs ou outros ativos correlacionados ao mercado exterior? Preencha o formulário abaixo que um assessor da EQI Investimentosirá entrar em contato!