Alphabet (GOGL34): conheça a dona do Google e como investir neste BDR

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.

Crédito: Reprodução/Pixabay

O Google dispensa apresentações. Ele é a ferramenta de busca usada em 70% das pesquisas feitas na internet mundial. E é difícil imaginar alguém que não faça uso dos seus serviços.

Mas você sabia que é possível investir no Google diretamente pela bolsa brasileira, via Brazilian Depositary Receipts (BDRs)? 

Na B3, os investidores brasileiros podem negociar BDRs da Alphabet, a holding “mãe do Google”.

Juliano Custódio. Henrique Bredda. Luiz Barsi. Gustavo Cerbasi.

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Até outubro, esses papeis eram restritos a instituições financeiras e pessoas com mais de R$ 1 milhão em investimentos. Agora, estão acessíveis a qualquer pessoa física. O papel que espelha a ação da Alphabet no mercado americano é negociado sob o código GOGL34.

Começo de tudo

A história do Google tem início em 1996, em um projeto de doutorado da Universidade de Stanford.

Os doutorandos Larry Page e Sergey Brin buscavam criar um motor de busca um pouco diferente do mais usado até então, que era o Yahoo. O Yahoo tinha uma cara de índice e classificava os domínios com base no volume em que o termo procurado aparecia nos resultados.

Page e Brin queriam que o resultado fosse baseado nas relações dos próprios usuários com as páginas visitadas e na qualidade dos links. Nascia, assim, o tão valorizado algoritmo do Google, que é um conjunto de operações que define a forma como os resultados da busca serão apresentados aos usuários. Toda empresa, claro, quer estar “lá em cima” neste ranking.

Mas no princípio o Google não tinha este nome. Era chamado BackRub. Conta-se que o nome Google vem de um erro de digitação de Googol, que é o número 1 seguido de 100 zeros, um conceito utilizado para ilustrar valores muito grandes.

A empresa funcionava, então, em uma garagem de casa na Califórnia. Detalhe: a dona da casa era Susan Wojcicki, hoje diretora-executiva do Youtube, uma das empresas do conglomerado Alphabet. Foi ela, inclusive, que incentivou a dupla Page e Brin a comprar o Youtube.

Nasce o Adwords

Em 2000, a busca do Google começou a ser monetizada em forma de anúncios. Os links dos anunciantes são colocados em destaque na pesquisa com o uso de certas palavras-chave.

Hoje, o Adwords é o principal serviço de publicidade do Google e a principal fonte de receita da empresa.

A oferta pública inicial de ações (IPO) ocorreu em agosto de 2004. A empresa está listada na bolsa de valores Nasdaq sob o símbolo GOOG e na Bolsa de Frankfurt com o símbolo GGQ1.

Já a história da Alphabet tem início em 2015, quando o Google criou uma holding para separar os negócios relacionados à internet dos demais.

A Alphabet é um grande conglomerado de empresas, com soluções de diferentes tipos, grande parte está relacionada com tecnologia, mas outros setores, como automotivo e de saúde, também fazem parte do grupo.

AdMob, DoubleClick, On2 Technologies, Picnik, Youtube, Zagat, Waze, Blogger, SlickLogin, Boston Dynamics, Bump, Nest Labs, DeepMind Technologies, WIMM Onee e VirusTotal são empresas do Google.

A Alphabet é o guarda-chuva que congrega todas essas e mais Calico, Google Capital, Deep Mind, Google Fiber, GV, Jigsaw, Google Nest, Sidewalk Labs, Verily, Vevo, Waymo e X.

Batalha judicial

A Alphabet tem pela frente uma batalha com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos. O órgão entrou com uma ação antitrustre contra o Google, alegando que a empresa tem condutas anticompetitivas, de monopólio no mercado de buscas online e publicidade digital.

Segundo a acusação, o Google vinha firmando contratos de exclusividade com empresas, o que seria ilegal. Entre as acusações, está a de que o Google paga bilhões de dólares à Apple, para manter seu motor de busca como mecanismo padrão de pesquisa nos aparelhos telefônicos. O Google também já vem pré-instalado no sistema operacional Android, impedindo que seja excluído.

A Alphabet se defende, argumentando que os usuários escolhem, de livre e espontânea vontade, acessar o Google.

Os números da empresa

No início de 2020, a Alphabet, dona do Google, tornou-se a quarta empresa do mundo a atingir US$ 1 trilhão em valor de mercado. Em outubro, a avaliação é de US$ 1,01 trilhão. Além dela, Apple, Amazon e Microsoft já ultrapassaram tal cifra.

No ano, até 30 de outubro, a valorização das ações da empresa na Nasdaq é de 18,6%. O índice P/L é de 34,4 vezes.

Reprodução/Google

Resultado terceiro trimestre

No dia 29 de outubro, a Alphabet anunciou seus resultados financeiros referentes ao trimestre encerrado em 30 de setembro de 2020.

A empresa apresentou lucro de US$ 11,2 bilhões, um crescimento de 59,12%, em relação aos US$ 7 bilhões do mesmo período em 2019.

“Tivemos um trimestre forte, consistente com o ambiente online mais amplo”, disse Sundar Pichai, CEO da Alphabet.

“É também uma prova dos profundos investimentos que fizemos em inteligência artificial e outras tecnologias, para fornecer serviços aos quais as pessoas recorrem para obter ajuda, em qualquer momento”.

Receita e lucro por ação da Alphabet

As receitas totais foram de US$ 46,2 bilhões. O que representa um aumento de 14% em um ano.

Elas refletem o amplo crescimento liderado por um aumento nos gastos dos anunciantes no Google pesquisa e no YouTube.

Além disso, contribuíram bem a força contínua do Google Cloud e Google Play. Ruth Porat, diretora financeira, disse que a empresa continua “focada em fazer os investimentos certos para apoiar o valor sustentável de longo prazo”.

O lucro por ação ficou em US$ 16,40 no terceiro trimestre de 2020. No mesmo período de 2019, o lucro ficou em US$ 10,12. Isso representa um acréscimo de 62,05%.

Desempenho dos BDRs

Os BDRs da Alphabet registram uma retração de 70,66% desde o começo de 2020.

Isso se deu basicamente por conta do desmembramento ocorrido em 22 de outubro. Na verdade, com o desmembramento, o BDR passou de R$ 356,17 para R$ 60,02, de modo a ficar mais acessível ao investidor brasileiro.

O dia 22 de outubro foi quando os BDRs passaram a ser negociadas no varejo aqui no Brasil.

No terceiro trimestre, que reflete os dados apresentados, houve uma alta de 7,91% nos papéis.

Como investir na Alphabet?

Os investidores brasileiros podem ter acesso aos chamados BDRs – Brazilian Depositary Receipts – da Alphabet.

Eles são ativos que representam ações de empresas estrangeiras. No Brasil, investidores pessoas físicas, não-qualificados, agora podem investir em BDRs.

Quem adquire um BDR está, indiretamente, participando de uma empresa no exterior, e terá direito aos dividendos distribuídos pela companhia lá fora.

Funciona mais ou menos como um fundo de investimento. O investidor não vira o dono da ação, portanto não é sócio da empresa em questão.

Para comercializar um BDR, a instituição emissora do papel adquire várias ações de empresas estrangeiras. Depois monta um “pacote” e vende partes dele aos investidores. Logo, esses títulos são como cotas.

O que é preciso fazer para investir na Alphabet?

Para adquirir BDRs da Alphabet, o investidor precisa procurar um banco ou uma corretora de valores autorizados pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

  • Quer saber mais sobre como investir em BDRs ou outros ativos correlacionados ao mercado exterior? Preencha o formulário abaixo que um assessor da EQI Investimentos irá entrar em contato!