Money Week: onda de IPOs está apenas no começo, diz diretor da B3

Paulo Amaral
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Ao longo de 2020, quase uma centena de empresas deram entrada no processo para abertura de capital na bolsa brasileira. Desse total, 25 companhias fizeram suas Ofertas Iniciais de Ações (IPOs), outras 37 aguardam a análise dos órgãos reguladores, 8 interromperam o processo e 17 acabaram cancelando. 

Os números foram apresentados pelo diretor da B3, Rogério Santana, durante o painel da Money Week que tratou justamente do boom de IPOs em 2020.  A conversa contou ainda com a participação do empresário Sérgio Zimerman, CEO da Petz (PETZ3), e da advogada Fernanda Bastos, advogada especialista em fusões e aquisições.

“Chegamos a ter perto de 100 empresas que formalmente  entregaram a documentação na Bolsa e na CVM”, comentou Santana. “O número de interrupções e cancelamentos reflete muito o momento de mercado e toda a turbulência que, infelizmente, todos vivenciaram nos últimos meses, com impactos sociais, mas também na decisão de investimentos e na decisão empresarial”.

  • Confira aqui como foi o painel sobre o “Boom dos IPOs”  

Ao comentar essa nova onda de ofertas no País, Fernanda Bastos lembrou que existe um glamour em torno da abertura de capital e que nem sempre as empresas que tentam fazer esse movimento estão bem preparadas. 

 “Isso vem trazendo para esse processo algumas empresas que, ao contrário da Petz, não estavam bem preparadas”, disse. “A própria CVM já sinalizou  que não mandem documentação de qualquer jeito só para aproveitar uma janela de mercado. As empresas precisam se preparar para esse novo ciclo de companhia aberta.”

O IPO da Petz 

Abrir o capital de uma empresa está longe de ser um processo simples. Zimerman teve a oportunidade de falar sobre isso na Money Week e detalhar a trajetória da empresa até o IPO.  

As ações da Petz começaram a ser negociadas na bolsa em setembro, depois de uma das ofertas mais bem sucedidas do ano. O IPO movimentou R$ 3 bilhões. A empresa é a primeira do segmento pet na América Latina a acessar o mercado de capitais. “Isso teve um valor muito grande para o mercado pet. Nosso IPO jogou holofote no segmento, e acabou valorizando por tabela todas as empresas que fazem um bom trabalho no setor”.

O caminho até o IPO começou em 2013, quando a Petz recebeu o aporte de uma gestora de private equity. Esses fundos compram participações em empresas para vender mais tarde com lucro. “Quando um fundo dessa natureza entra numa empresa, já entra pensando em sair. Sai vendendo para um outro fundo ou abrindo capital. Há um prazo planejado, que é entre 5 e 8 anos. No nosso caso, foram 7 anos.” 

Ao longo desses anos, a empresa aprimorou a governança corporativa, criou conselho de administração, comitês, passou a ter os balanços auditados. “O choque maior foi lá em 2013. Esse momento final é quase que o término dessa preparação, onde você apresenta à comunidade investidora a sua empresa.”

Boom dos IPOs está apenas no começo

Segundo Rogério Santana, da B3, a grande mudança pela qual o mercado brasileiro está passando começou há dois anos, com o movimento de queda na taxa de juros. “Tínhamos boas empresas, mas a taxa de juros era muito alta. Isso fazia com que o grosso da população estivesse alocada em instrumentos de renda fixa.” 

Agora, o mercado de capitais entrou num ciclo que, segundo Santana, está apenas no começo. “Com a entrada de novos investidores, há uma procura maior pela diversificação, e isso passa pela entrada de novas empresas.” Ou seja, os IPOs devem persistir. 

O perfil das ofertas, no entanto, tende a mudar. Neste primeiro momento, de retomada do mercado, é normal que empresas maiores e mais bem preparadas sejam as primeiras da fila. “Conforme o processo vai avançando, outros nomes começam a surgir. O que vai viabilizar a redução cada vez maior do tamanho das empresas e do tamanho das ofertas”, explicou Santana. 

Para que isso aconteça, diz Fernanda, as empresas interessadas em acessar o mercado de capitais precisarão se preparar e ter um bom caixa. “É um processo longo e custoso para a companhia”, disse. “A abertura precisa ter um porte que valha à pena, diante dos custos envolvidos.”  

Para o investidor que quer aplicar em empresas que realizaram IPOs, a dica do diretor da B3 é direta: “Sempre que o investidor vai tomar uma decisão, precisa entender o produto. Quer investir em IPOs? Conheça a empresa, em que setor está inserida. Entenda o negócio antes de fazer o investimento e não faça isso só para entrar em uma onda. Procure ajuda profissional e escolha os melhores assessores para auxiliar na tomada de decisão”.

Confira a programação da Money Week

A terceira edição da Money Week, maior evento online de Investimentos da América Latina, vai até sexta-feira (27). As palestras são totalmente online e gratuitas.

São mais 70 participantes, entre grandes empreendedores e figuras importantes do mercado financeiro, como como André Esteves, Luiz Barsi e o próprio Sergio Zimerman 

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