Money Week: ações estrangeiras são próximo passo para o investidor

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: Reprodução/Money Week

Como País emergente, Brasil é um dos que mais sofre a qualquer sinal de crise global. Internamente, ruídos políticos têm um peso grande na oscilação dos mercados. Neste contexto, cabe ao investidor proteger seu patrimônio, buscando uma diversificação que garanta proteção e também rentabilidade.

Um primeiro passo é diversificar entre modalidades de ativos. O segundo é diversificar geograficamente. E foi este o tema do primeiro painel desta quarta-feira (25) na Money Week.

O evento, totalmente online e gratuito, segue até sexta-feira (27).

Para debater “Ações estrangeiras – como começar a investir no exterior”, a apresentadora Fabiana Panachão e o CEO da EQI, Juliano Custódio, receberam três convidados. Foram eles: Andrey Nousi, investidor profissional, Thiago Lobão, fundador e CEO da Catarina Capital, e William Castro, estrategista-chefe da Avenue Securities.

Timing perfeito para investir em ações estrangeiras

São três milhões de investidores na bolsa de valores brasileira atualmente. Isto demonstra amadurecimento do brasileiro quanto ao mercado financeiro. O passo seguinte, indicam os convidados da Money Week, é que os brasileiros enxerguem as vantagens de investir também no exterior.

A bolsa antes era ‘só para quem tem muito dinheiro’. Até que o brasileiro entendeu que não. Agora acontece o mesmo com investimento no exterior, que está cada vez mais acessível”, afirma William Castro.

O real é uma moeda de país emergente que, em momento de crise, sofre mais. Se os Estados Unidos espirram, o Brasil pega uma pneumonia”, comentou Andrey Nousi, exemplificando o quanto o país é mais vulnerável a qualquer instabilidade.

Para Thiago Lobão, o timing é perfeito para este movimento. “Temos hoje uma primeira geração de investidores com amadurecimento e know-how para fazer o investimento no exterior e uma abertura de possibilidades de investimentos”, diz.

Lobão destaca outra vantagem de investir no exterior: ter acesso às ações das grandes empresas de tecnologia, como Google, Apple, Amazon, Tesla e outras listadas em Nova York.

Como não ficar exposto à volatilidade do dólar

Para quem pensa em migrar parte dos investimentos para o exterior, os especialistas orientam que ficar focado na oscilação do câmbio não é a melhor estratégia. Mesmo com câmbio alto, é interessante globalizar os investimentos.

Uma solução apresentada é uma migração gradual para a dolarização dos investimentos. “Você pode fazer uma estratégia de aportes periódicos, assim você minimiza a oscilação da moeda”, recomenda Nousi.

Ao que Castro complementa: “O real é uma moeda de país emergente. Então, não dá para esperar uma cotação favorável, porque quando o dólar cair, a ação vai estar muito mais cara lá fora”, diz.

Maneiras de investir no exterior

Uma maneira de investir em ações estrangeiras é por meio da utilização de corretoras instaladas lá fora, caso da Avenue Securities, especializada no atendimento a brasileiros. Apesar de localizada nos Estados Unidos, ela opera globalmente, em mercados do mundo todo.

Outra é através de fundos com exposição a ativos dolarizados. Para investidores qualificados (com mais de R$ 1 milhão em investimentos), há fundos com exposição 100% no exterior.

Para os não-qualificados, há exposições menores. A Catarina Capital possui opções de fundos disponibilizados na plataforma da EQI e do BTG Pactual.

Outra possibilidade de investimento no exterior a partir do Brasil são os BDRs (Brazilian Depositary Receipts), que são ativos que espelham ações listadas no exterior.

Para Nousi, os BDRs podem ser um excelente começo para quem ainda tem receio de investir no exterior.

É uma exposição indireta e o investidor fica passivo à regulação brasileira”, esclarece.

Há ainda os ETFs (Exchange Traded Funds), que são fundos de investimento que espelham determinados índices do mercado.

Você compra uma cesta específica de ações, mas deixa de estar tão exposto aos riscos do Brasil”, orienta Castro.

Conhecimento é fundamental

Mais uma dica: não investir no que você não conhece. Informação de qualidade e é fundamental para fazer as escolhas certas.

Antes de começar, você tem que ter informação, tem que estar em contato com investidores e assessores que tragam boas informações. Tem que acompanhar o desempenho das ações, acompanhar as companhias de perto, ter noção de como precificar uma ação”, recomenda Lobão.

Em quais ações estrangeiras investir?

Brinco que escolher investimentos é como ir ao supermercado. Cada um tem uma preferência, as compras nunca são as mesmas”, diz Nousi.

Há, no entanto, alguns indicadores de setores que devem ter uma performance melhor no futuro. Nousi cita, por exemplo, os setores industriais que foram mais prejudicados pela pandemia.

O impacto da pandemia foi tão forte nos Estados Unidos que a retomada também será grande. Os setores ligados a esta retomada serão beneficiados. Como os de infraestrutura e o bancário”, diz.

Outro destaque serão as energias renováveis, graças à eleição de Joe Biden, de visão mais progressista, com foco em acordos globais e meio ambiente.

O setor de tecnologia, amplamente beneficiado pela pandemia, tende a dar uma desacelerada momentânea, mas merece sempre a atenção do investidor, afinal, a tendência da digitalização não tem volta.

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