Money Week: ESG veio para ficar e merece atenção de investidores

Giovanna Castro
Jornalista formada pela UNESP.
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Crédito: Iuri Rapport, sócio do BTG Pactual, head de Compras e Contratos, co-head de ESG e Investimento de Impacto e Renata Faber, analista de ESG na Exame Research estiveram no painel da Money Week -Foto: Reprodução/ Money Week

Sigla que denota boas práticas ambientais, sociais e de governança, o ESG ganha ainda mais destaque no noticiário econômico e hoje é assunto fundamental no mundo dos negócios.

O tema foi abordado na Money Week, que começou na segunda-feira (23) e vai até sexta-feira (27).

Fabiana Panachão e Juliano Custódio receberam no painel sobre ESG desta quarta-feira (25) Iuri Rapport, sócio do BTG Pactual, head de Compras e Contratos, co-head de ESG e Investimento de Impacto, e Renata Faber, analista de ESG na Exame Research.

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Explicaram qual o real e mais amplo significado dessa sigla e por que ela deve aparecer cada vez mais, impactando diretamente os negócios e os investimentos.

ESG: modo de olhar o mundo

Na definição de Rapport, o ESG é como um modo novo de olhar o mundo. Trata-se de entender que as empresas, de todos os setores, ao fazer negócios e exercerem suas atividades, têm o compromisso de incluir questões ambientais, sociais e de governança.

Isso vai de encontro com o momento em que vivemos. As novas gerações se preocupam cada vez mais com o impacto dos produtos que consomem, das empresas que contratam e, não diferente, dos investimentos que escolhem.

Temos um termômetro de que essa nova geração de clientes já começa a entrar nas corretoras perguntando por oportunidades de investimentos em que o resultado seja não só financeiro, mas também tenha um impacto social e ambiental positivos“, comentou o sócio do BTG.

 Iuri Rapport na Money Week

“Essa é uma área que queremos muita concorrência, porque, quanto mais a gente fizer, mais a gente ganha”, disse Iuri Rapport, sócio do BTG Pactual, durante a Money Week -Foto: Reprodução/ Money Week

 

Além disso, a pandemia criou ainda mais espaço para a reflexão socioambiental.

Ficando em casa, com nossas famílias e com as campanhas de solidariedade, com doações de alimentos e remédios, intensificamos esse olhar“, ressaltou.

Outro ponto que trouxe ainda mais evidência para o tema foi a eleição de Joe Biden nos Estados Unidos.

O democrata tem um discurso intensivo sobre as causas socioambientais que deve refletir também nos outros países.

Faber concordou e disse não acreditar que o ESG seja uma moda, como alguns já acusaram.

Acreditamos que seja uma mudança geracional“, enfatizou.

A especialista em ESG da Exame Research garantiu ainda que os dados já mostram que empresas que se preocupam com essas questões performam melhor.

Performance

Um dos motivos pelos quais empresas que seguem a agenda ESG é que são bem avaliadas pelo mercado e conseguem resultados efetivos. Além disso, atraem os melhores talentos.

Segundo Renata, ao oferecerem um propósito para trabalhar com boas condutas de governança, as empresas acabam conseguindo os melhores profissionais.

Renata Fabrer, da Exame Research na Money Week

“A empesa também é responsável por resolver os problemas da sociedade. Se você polui, você é obrigado, de alguma forma, a tomar alguma responsabilidade sobre isso”, disse Renata Fabrer na Money Week -Foto: Reprodução/ Money Week

 

Mais: essas empresas costumam ser mais criativas e oferecem melhores soluções. Afinal, buscam olhar justamente para os problemas que existem no mundo. Vão além da demanda do mercado e costumam inovar.

Elas também possuem menos riscos. Empresas que cuidam de seus resíduos, suas barragens, suas áreas de plantação e do meio ambiente em geral tendem a sofrer menos risco de desastres ambientais. Isso dá mais segurança ao investidor.

Ao ter investidores mais engajados e fiéis, que compactuam com seus propósitos e não apenas compram ativos pelo lucro, essas empresas têm uma margem maior e mais segura para crescer.

Investimentos com foco em ESG

Sobre os investimentos que já temos no mercado com foco em ESG, Rapport garantiu que existem opções em todos os segmentos. Seja na renda fixa, variável ou até mesmo em investimentos alternativos.

Aliás, ele mencionou que o BTG está lançando um private equity de investimento de impacto. O objetivo, segundo ele, é promover a criatividade em relação a atividades que gerem ganho ambiental.

Historicamente, o BTG sempre investiu em ativos florestais que replantam madeira comercial. Agora, mudamos um pouco essa ótica, estamos lançando um novo fundo em que reflorestamos florestas nativas, com espécies nativas. Ele oferecerá juros anual de 2% e casa de 2 dígitos de retorno“, comentou.

Ele explica que há fundos de investimentos de impacto e cita também o ETF ESGB11, direcionado para o investimento em empresas que segue a agenda socioambiental.

Também existem debêntures sustentáveis, chamadas de “debêntures verdes”. Muitas delas focam em energia renovável que, segundo o especialista, é um segmento forte. Tem retornos interessantes e deve crescer muito ainda no Brasil.

Na hora de escolher a ação de uma empresa sustentável, os especialistas recomendam a boa e velha pesquisa. A maioria das companhias já possui uma aba em seus sites dedicadas a expor suas ações socioambientais e de governança.

Outro método, indicado por Farber, é olhar matriz de materialidade da empresa. Geralmente, eles se encontram nos relatórios de sustentabilidade das empresas. Assim, é possível saber se os produtos utilizados pela empresa vêm de fontes sustentáveis ou não.

Brasil tem grande potencial

Por apresentar grande riqueza ambiental e ainda ter, infelizmente, muitos problemas sociais, o Brasil tem um terreno fértil para ações ESG.

Por isso, os especialistas convidados para a palestra acreditam que esse segmento deve crescer no país e, inclusive, atrair capital estrangeiro.

Com a adaptação das empresas a esses métodos, isso tende a se intensificar. Mas é preciso que o governo tome medidas similares. As notícias das queimadas no Pantanal, por exemplo, afastaram investidores.

Para isso mudar, Rapport acredita que o governo deve criar mecanismos que favoreçam florestas em pé. Ele citou, por exemplo, incentivos a proprietários que têm preocupação ambiental, como isenção fiscal para quem preserva mais, por exemplo.

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