Money Week debate oportunidades de investimento no agronegócio

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.

Em ano de crise mundial, o agronegócio brasileiro vem crescendo, segurando o país de um tombo ainda maior no Produto Interno Bruto (PIB) e sendo o principal motor de recuperação.

Para debater este tema, a apresentadora da Money Week, Fabiana Panachão, recebeu os convidados Adeodato Volpi Netto, estrategista-chefe da Eleven Financial, e Felippe Serigati, professor de economia da Fundação Getulio Vargas (FGV) em São Paulo.

“Agronegócio x mercado financeiro: oportunidades de investimento” foi o tema do último painel desta quarta-feira (25). A Money Week, evento de educação financeira e de investimentos totalmente online e gratuito, segue até sexta (27).

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Um ano especial para o agronegócio

Enquanto os demais setores da economia brasileira sentiram fortemente a crise da pandemia de coronavírus, o agronegócio cresceu. Para os convidados da Money Week, 2020 será um ano que vai entrar para a história do setor.

O agro vai se lembrar com carinho de 2020, apesar de todas as turbulências. O agro brasileiro encontrou demanda mais aquecida no mercado interno e no externo. E conseguiu fazer safra recorde. Com safra recorde, a tendência era que os preços caíssem. Mas, com a crise, o dólar subiu, o real depreciou. E o agro conseguiu vender a safra recorde a preço alto”, diz Serigati.

Felippe Serigati, professor de economia da FGV, na Money Week

Felippe Serigati, professor de economia da FGV, na Money Week

O Brasil mostrou que somos, sim, vanguardistas no setor e temos muitos diferencias no agronegócio. O agro é uma espécie de hedge, de proteção, para o país”, complementa Volpi Netto.

Ambos concordam que ainda existe um preconceito bastante equivocado de que agronegócio é sinônimo de país atrasado. “Os grandes exportadores de alimentos são as grandes potências e o Brasil”, afirma Serigati.

Agronegócio e investimentos

Para os investidores, o agronegócio interessa porque envolve toda uma cadeia produtiva, cujo desempenho reflete nos preços das ações.

Essa cadeia de commodities é muito importante, porque é muito presente nas empresas do Brasil. Ação não é um código na tela, é uma fração de uma empresa. E são muitas as empresas ligadas ao agro”, diz Volpi Netto.

agronegócio

Adeodato Volpi Netto, estrategista-chefe da Eleven Financial, na Money Week

Serigati exemplifica a relação do desempenho do agronegócio com as ações citando a alta nos preços dos grãos e as ações dos frigoríficos.

O cidadão comum lê no jornal que a exportação de carne do Brasil está ‘bombando’. Vai ao supermercado e vê o preço da carne nas alturas. Logo imagina ‘esse pessoal de frigorífico está nadando em dinheiro’. Mas não entende que receita não é lucro. E existe uma questão de alta dos grãos por trás que vem pressionando muito os produtores de proteína”, explica.

O exemplo, inclusive, serve de alerta aos investidores para que percebam a complexidade e as ligações não diretas que podem existir na avaliação de uma ação.

Já sobre o investimento direto em commodities, Volpi Netto afirma que ele demanda um grau de aperfeiçoamento maior dos investidores, por lidar com alavancagem. Vale lembrar que o mercado futuro é indicado para quem aguenta volatilidade e risco.

Agronegócio e sustentabilidade

ESG, sigla em inglês para governança ambiental, social e corporativa, foi outro tema debatido no encontro.

Serigati afirma que o ESG não é uma má notícia para o universo agro, apesar de muita gente ainda enxergar agricultura e pecuária como “inimigas” do meio ambiente.

O agronegócio brasileiro tem muito a oferecer na área de sustentabilidade. Ninguém nega o desmatamento. Ninguém é a favor de desmatamento. Há muitas iniciativas de sucesso para o Brasil exibir ao mundo e o país terá que reconstruir sua imagem lá fora”, diz.

Para Volpi Netto, ESG é uma tendência que não volta mais atrás. “Vai ter gente aderindo rapidamente. Vai ter quem tente tangenciar. Mas não dá para negar ou para ignorar”, afirma. “Já existem discussões de incentivos tributários no mundo todo para incentivar as boas práticas e o investidor vai tomar cada vez mais ciência disso”, complementa.

No entanto, a adoção de um modelo ESG é um processo que demanda tempo. “Você não muda a matriz energética dos Estados Unidos de uma hora para a outra”, aponta. “A inserção do ESG na cadeia produtiva toda é muito positiva. Mas não se vai virar uma chave e passar a ser ESG. As pessoas precisam dos seus empregos, a sociedade precisa dos serviços que já existem. Esta mudança demanda muita tecnologia e planejamento e a indicação de um caminho”, pondera.

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