Money Week: 4º dia debateu longo prazo, day trade e finanças pessoais

Rodrigo Petry
Editor-chefe, com 20 anos de atuação em veículos, como Agência Estado Broadcast, InfoMoney, Capital Aberto e DCI; e na área de comunicação corporativa, consultoria e setor público; e-mail: rodrigo.petry@euqueroinvestir.com.
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Crédito: Reprodução/Money Week

Atualmente, a internet é repleta de especialistas em finanças pessoais, em day trade e, também, em investimentos em ações no longo prazo.

Em meio a tanta oferta de conteúdo gratuito, separar o joio do trigo também é importante. Em seu quarto dia de palestras, a Money Week fez isso para você, mostrando desde os primeiros passos no mundo dos investimentos  até estratégias para garantir a aposentadoria.

Totalmente online e gratuito, o maior evento online de Investimentos da América Latina aconteceu no final do mês de novembro.

Expansão dos investidores

Com 3 milhões de investidores pessoas físicas acessando a bolsa de valores brasileira, alavancando a renda variável no País, as redes sociais se tornam grandes aliadas do conhecimento.

São muitos os profissionais que ajudam os brasileiros a entender e tomar melhores decisões na vida financeira.

Em especial, três deles fazem sucesso: Mirna Borges, educadora financeira e fundadora do canal “Economirna”; o investidor profissional Hulisses Dias, mais conhecido como “Tio Huli”; e Alice Porto, fundadora do canal @contadoradabolsa.

Começo

São muitas as histórias de pessoas endividadas que, graças aos seus ensinamentos, passaram a ter uma vida financeira mais saudável. E muitas acabam se tornando investidoras.

O conhecimento é o que rende os melhores juros. Sabendo o que fazer com o seu dinheiro, você vai tomar uma decisão muito mais assertiva”, diz Mirna, sobre investir.

A grande evolução, hoje, no mercado é o nível de consciência do investidor. Ele entende o que é ‘furada’, o que é investimento mesmo e a relevância dos assessores de investimento, da importância de se valorizar esse profissional”, complementa Huli.

E alerta: “Vemos muita promessa de enriquecimento, de ‘largue o trabalho e viva de renda’, uma proliferação de pirâmides. Não se pode ficar falando ‘compre isso, compre aquilo’. A gente não investe para parar de trabalhar. O investimento é um complemento, ninguém vai ter rendimento de 10% todo dia”.

Em meio a isso, um ponto não pode ser esquecido pelos iniciantes, que é a tributação sobre os ganhos.

As pessoas chegavam muito angustiadas com impostos, tributação. Agora, com mais acesso à informação, estão chegando menos tensas. Porque já estão mais conscientes sobre esta parte que é obrigatória”, diz Alice.

Para ela, os investidores que tiverem imposto alto para pagar têm sim é que comemorar.

Afinal, só os lucros são tributáveis, o que indica que a pessoa fez o investimento certo e obteve bastante retorno.

Estudo

Dedicação e estudo não são recomendações apenas para os novatos. Florian Bartunek, fundador da Constelattion Asset, considerado um dos gestores mais renomados do País, tem, entre seus mantras, estudar antes de começar a investir.

E uma comparação usada pelo gestor da Constellation é curiosa e precisa.

Florian Bartunek na Money Week

Florian Bartunek na Money Week

“Tenho um amigo que joga tênis nos finais de semana e acha que vai jogar que nem o Federer. O Federer treina 6 horas por dia. Investimentos são a mesma coisa. Você tem que se dedicarSe quer fazer de investimentos uma profissão, tem que treinar que nem o Federer ”, ensinou.

“É uma jornada de alguns anos. Não é pegar no You Tube e sair investindo. Eu faço isso há 30 e poucos anos e ainda tenho dúvidas. Leio, releio, faço cursos e estou sempre procurando melhorar. É um estudo permanente”, complementou, durante a Money Week.

Investir no longo prazo

Focar no longo prazo, ter controle emocional e saber analisar o retorno de uma empresa. Essas são dicas de Gustavo Massotti, sócio-fundador e analista-chefe da Wisir Research, e Roberto Chagas, gestor e analista.

Afinal, não basta só saber analisar bem uma empresa, mas também que ela tenha consistência em uma visão de longo prazo nos investimentos.

Na hora de analisar uma empresa, Chagas faz alguns questionamentos que podem ser feitos independente do setor, país ou histórico do negócio: o consumidor tem dependência daquele produto? A marca é muito forte? Tem efeito de rede?

Massotti conta que gosta de começar uma análise de forma top-down. Ou seja, olhar primeiro uma visão macroeconômica da situação, avaliando PIB, taxas de juros, câmbio, entre outros. “Porque o mercado vive de ciclos”, explica.

Assim, ele recomenda ainda que os investidores estudem outros ativos, como aqueles atrelados ao ouro ou ao dólar.

É preciso ter paciência e resiliência para focar no longo prazo.  “Ser torcedor de uma ação é ser emocional. E a última coisa que você tem que ser no mercado é emocional. Assim, você tem que ser racional”, afirma Chagas.

Day Trade

Com a expansão da bolsa de valores nos últimos anos, o País também viu crescer o número de pessoas que operam no mercado de ações para obter uma renda extra ou mesmo como atividade principal.

Não faltam estudos que mostram a alta taxa de desistência entre esses profissionais e o baixo índice de sucesso. A atividade passou a ser tratada como “bicho-papão” da bolsa. Mas quais os segredos de quem consegue trilhar esse caminho?

Carol Paiffer, CEO e diretora da área de investimentos da Atom S/A (ATOM3), maior empresa de traders da América e Natalia Dalat, que abandonou o serviço público para investir profissionalmente como trader, falaram sobre isso na Money Week.

“A gente ouve sobre o day trade como vilão. Saem no jornal muitas pesquisas mostrando que as pessoas perderam dinheiro. Mas alguém perguntou quanto tempo elas gastaram para estudar antes de atuar como day trader? O primeiro passo é sempre aprender”, afirma Natália.

Energia

O mercado livre de energia vem crescendo neste ano, mesmo em meio à pandemia, e a expectativa, com a mudança de regulação no setor elétrico, é de que esse ambiente de negócios, onde vendedores e compradores negociam diretamente, responda por 45% do fornecimento de energia no País até 2024. Neste ano, esse percentual está em torno de 30%.

O setor elétrico esteve em pauta no penúltimo dia de Money Week em um painel que contou com a participação de Daniel Rossi, CEO e fundador da Zeg, empresa focada na geração de energia limpa a partir de resíduos, Thatiane Simões, vice presidente da Matrix Energia e Rubens Misorelli, CEO da Matrix Energia.

De acordo com Rossi, o mercado de energia não é um mercado óbvio. Trata-se de um mercado de alta volatilidade e risco associado. Mesmo assim, é uma ótima aposta dentro da diversificação de carteira, afinal, o setor tende a crescer muito nos próximos anos.

“Nesse cenário de juros baixo, acho que é o momento para ver novos setores, novas oportunidades de diversificar o seu portfólio. E acho que o setor energético é uma ótima opção para isso”, comenta.

Exterior

Por fim, um debate que movimentou a Money Week foi sobre as relações entre as duas maiores economias globais.

Uma das maiores preocupações na relação EUA e China é a questão tecnológica. A briga pela supremacia nessa área não é novidade, mas tem se intensificado por conta da tecnologia de 5ª geração (5G).

Para Roberto Dumas, do Insper, o Brasil não pode se precipitar na decisão sobre de onde virá seu 5G, pois há uma série de fiscalizações a serem feitas e a escolha não precisa ter base ideológica.

Conforme Dumas, em meio a este cenário tecnológico, as grande empresas do setor vêm puxando a recuperação dos mercados.

As ações de tecnologia subiram muito no começo, foi o setor que liderou toda essa recuperação. Em cinco semanas houve uma mudança de padrão de comportamento que demoraria décadas para acontecer. Quem não estava digitalizado, vai ter que se digitalizar, senão não vai existir mais“, acrescentou o CEO da Omninvest, Roberto Attuch Jr., durante a Money Week.

Outro aspecto relevante é sobre a mudança de comando na Casa Branca. Segundo a coordenadora de relações internacionais da FAAP, Fernanda Magnotta, a gestão do presidente eleito Joe Biden será, inicialmente, uma gestão de crise.

Mas, em seguida, ele começará a fazer negociações e abrir canais de comunicação com o Congresso para iniciar o Green New Deal.

Veja mais Money Week:

  • Primeiro dia, a Money Week contou com Gustavo Cerbasi, Luiz Barsi, André Esteves e Bredda;
  • Segundo dia, com Roberto Sallouti, Felipe Massa e representantes do Banco Central;
  • Terceiro dia, debateu IPOs, Unicórnios, ESG e investimentos no exterior; e
  • Quinto dia, debateu FIIs, a FinTwit e a construção de patrimônio.

(Com Claudia Zucare Boscoli, Felipe Alves, Giovanna Castro, Naiana Oscar, Paulo Amaral e Victoria Anhesini)

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