Money Week: Estados Unidos e China disputam supremacia tecnológica

Victória Anhesini
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie
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Na segunda palestra desta quinta-feira (26) da Money Week, a apresentadora Fabiana Panachão conversou sobre a relação entre EUA e China com a coordenadora de relações internacionais da FAAP, Fernanda Magnotta, o CEO da Omninvest, Roberto Attuch Jr. e o professor de relações internacionais do Insper, Roberto Dumas.

Uma das maiores preocupações na relação EUA e China é a questão tecnológica. A briga pela supremacia nessa área não é novidade, mas tem se intensificado com a determinação da gigante chinesa Huawei em distribuir o seu 5G para o mundo. Em ambos os países, as empresas de tecnologia têm liderado os crescimentos na recuperação econômica, também influenciados pelas baixas taxas de juros. 

O professor Dumas acredita que o Brasil não se pode se precipitar na decisão sobre de onde virá seu 5G, pois há uma série de fiscalizações a serem feitas e a escolha não precisa ter base ideológica.

Ele destacou que as empresas de tecnologia se expandiram durante a pandemia e estão liderando a retomada. Não por aumento de produtos ou pesquisas, mas sim por um avanço comportamental por parte da população.

As ações de tecnologia subiram muito no começo, foi quem liderou toda essa recuperação. Porque em cinco semanas houve uma mudança de padrão de comportamento que demoraria décadas para acontecer. Quem não estava digitalizado, vai ter que se digitalizar, senão não vai existir mais“, afirmou Attuch Jr, durante a Money Week.

Ao debaterem sobre como mercados mundiais são influenciados pelo movimento das grandes potências econômicas, os palestrantes abordaram o momento atual dos EUA e da China, relacionando principalmente a eleição de Biden e a crise sanitária.

Fernanda Magnotto afirmou que a gestão do presidente eleito Joe Biden será, inicialmente, uma gestão de crise. Mas, em seguida, ele começará a fazer negociações e abrir canais de comunicação com o Congresso para iniciar o Green New Deal.

Desafios iniciais

Entretanto, Fernanda diz que o governo dos próximos quatro anos será previsível. “O Joe Biden eleito nos Estados Unidos é um grande sinal de previsibilidade”, disse.

É muito improvável que as ações adotadas por ele fujam de uma cartilha já conhecida”. Essa posição se relaciona com as posições que ele tomou durante seu tempo no Congresso, mas a coordenadora ressalta que não significa necessariamente algo bom. 

Por outro lado, Roberto Dumas, especialista nas relações chinesas, afirma que há um elemento de precaução em relação ao Biden. De acordo com ele, o presidente Trump tinha um modo de agir que não surpreendia a China e, portanto, o posicionamento dele já era esperado quando se tratava de assuntos comerciais e do mercado em geral. Com o Biden, que é mais diplomático, algumas coisas podem chegar de surpresa. 

Economia da China

Para Dumas, a China “precisa crescer um pouco menos e aumentar o consumo interno”. O país vem se recuperando em “V” após o choque inicial da crise de Covid-19. Contudo, há uma dificuldade em aumentar o consumo da população.

A China vive um brutal desbalanceamento do crescimento econômico. Existe um problema de excesso de capacidade na produção e não há demanda suficiente. Por isso, precisa reformular o modelo de crescimento“, afirmou. 

Adicionalmente, com a crise deste ano, os chineses precisaram aumentar o investimento. Roberto Attuch Jr acrescentou, na Money Week, que, ainda assim, o país é um dos únicos mercados do mundo onde investidor ainda encontra juro real positivo”.

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