Money Week: Investir é um estudo permanente, diz Florian Bartunek

Paulo Amaral
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Crédito: Florian Bartunek, CEO da Constellation, durante a Money Week (Reprodução/YouTube)

Florian Bartunek, fundador da Constelattion Asset, é considerado um dos gestores mais renomados do País. Sócio de Jorge Paulo Lemann, um dos investidores mais ricos do Brasil, e do fundo americano Lone Pine Capital, Bartunek foi na Money Week com o painel: “Visões de Mercado de um Gestor Veterano”.

Especialista em ESG, sigla em inglês para ambiental, social e governança, Bartunek dirige a Constellation em cima desses princípios que, para ele, pertencem a empresas preocupadas com questões ambientais e sustentáveis. Não à toa tem sob sua custódia mais de R$ 15 bilhões em investimentos na empresa.

Entre os seus mantras está a importância de estudar antes de começar a investir. E a comparação usada pelo gestor da Constellation foi curiosa, mas precisa.

“Tenho um amigo que joga tênis nos finais de semana e acha que vai jogar que nem o Federer. O Federer treina 6 horas por dia. Investimentos são a mesma coisa. Você tem que se dedicar. Se quer fazer de investimentos uma profissão, tem que treinar que nem o Federer. Estudar, estudar e estudar. Um bom médico, um bom advogado, um bom engenheiro, não apenas exercem a profissão, como também estudam. Investidor é a mesma coisa. Tem que estar sempre se atualizando”, ensinou.

“É uma jornada de alguns anos. Não é pegar no You Tube e sair investindo. Eu faço isso há 30 e poucos anos e ainda tenho dúvidas. Leio, releio, faço cursos e estou sempre procurando melhorar. É um estudo permanente”, complementou.

Lições sobre investir

Uma das lições que o palestrante da Money Week aprendeu foi com ninguém menos do que Paulo Guedes, Ministro da Economia.

Bartunek lembrou que, há alguns anos, enquanto passava em frente a um dos aquários (salas envidraçadas) do  Pactual, deparou-se com Guedes lendo um livro sobre Darwin. Ao questionar sobre o que a obra teria a ver com mercado financeiro, ouviu a seguinte resposta:

Ele explicou que, se você não conhece evolução, biologia, ciências, não consegue ter visão holística do mercado. Quanto mais interesses tiver fora, é importante para contextualizar melhor o mercado”, lembrou.

“O mercado não pode ser tudo para você. Imagina se o casamento é tudo para você. Você vira um chato e, se ele der errado, acabou tua vida. Se o mercado é tudo para você, você fica mais tenso, mais nervoso. Tem que ter interesses fora para ter válvula de escape e visão do contexto”, completou.

Falta de barreiras

Segundo Florian Bartunek, a falta de barreiras para se tornar um investidor acaba levando um grande número de pessoas a perder dinheiro. Não por culpa do sistema financeiro, mas pela inexperiência e pressa dos novatos.

O mercado tem um perigo, pois não tem barreira de entrada. A comparação é a seguinte: Estou assistindo a Greys Anatomy e resolvo que vou ser médico. Não dá. Tem a faculdade, tem a residência. Não vou assistir a Top Gun e virar piloto na hora. Mercado de ações não tem isso. Se você quiser, amanhã você começa”, pontuou.

Para não correr riscos de perder o dinheiro guardado justamente por se aventurar no desconhecido, a dica, principalmente para quem não está disposto a estudar e se tornar profissional no mercado de capitais, é bem simples:

Se você é médico, advogado, empresário e o foco é o trabalho, mas tem capital em excesso, porque consegue gastar menos do que ganha, e quer melhorar a rentabilidade dessa poupança, a melhor maneira é terceirizar para um gestor, uma corretora, que investirá em um fundo, pois você não terá tempo para conseguir um retorno excepcional.

Atingir um patrimônio de R$ 100 mil é para poucos, o que amplia o desafio de busca pelas melhores aplicações para multiplicá-lo.

Educação financeira

Money Week, Bartunek

Seguindo uma linha que já foi abordada na Money Week por Luiz Barsi, maior investidor pessoa física da bolsa no Brasil, e por Louise Barsi, sua filha caçula, Bartunek ressaltou a importância da educação financeira.

“O principal item de ESG é a educação financeira. Você não pode ter essa mortalidade do investidor, do consumidor, tão grande. Compra, vende, compra, vende e, quando vê, sai do mercado porque perdeu. Nossa missão como asset é tentar ajudar a sociedade nesse tópico que, para nós, é o mais importante. Educação financeira é o assunto em nosso segmento e, até alguns atrás, havia uma carência muito grande nesse setor”.

Investir no curto ou longo prazo?

A educação financeira citada pelo fundador da Constellation aborda, entre outros pontos, uma pergunta que muitos fazem ao entrar no mercado de capitais. Afinal, o que é melhor: curto ou longo prazo? A resposta de Bartunek é que, na verdade, não há uma melhor escolha. O que é errado é ficar entre elas.

“Não sou dogmático e não sou radical nessas coisas. Depende do que você quer. Ou você investe no curtíssimo prazo ou no longo prazo. O meio do caminho é o pior. Até day trade, se o sujeito tem uma disciplina, é melhor do que ficar um mês e meio investindo para tentar comprar um apartamento melhor”, explicou.

Quando você entra nesse universo, tem que saber se vai se dedicar, se é full time job, ou se é para rentabilizar seus investimentos. O que não pode é misturar os canais. Ter uma empresa e, no fim do dia, ou na hora do almoço, tentar operar um pouco de ações. Aí não dá”.

Hora da compra

Durante a interação com os internautas que assistiram à Money Week nesta quinta-feira, o CEO da Constellation também foi abordado sobre qual a melhor hora para comprar uma ação. Agora, que o ano está acabando, ou na virada do ano.

Estatisticamente me parece que no final do ano é um momento bom de comprar. Fundos têm ações e, para ficar bonito na foto, aquela ação sobe. Eventualmente sim, mas nada é garantido. Eu acho que sempre é um bom momento (de comprar). Se você tiver uma prática de economizar, você vai comprar mais caro em um mês, mais barato no outro, mas com um preço médio razoável. Na Constellation, quando tem uma aplicação, a gente compra na hora. Não fica pensando, esperando. Tem poucas coisas dessas fórmulas que realmente funcionam no mercado financeiro”.

Fórmula mágica para investir?

Money Week

Uma das fórmulas que, na visão de Bartunek, funcionam, foi chamada por ele de “rebalanceamento automático” e que, apesar de ser teoricamente simples, pouca gente tem coragem de adotar.

“Ela funciona assim. Você decide que quer ter 50% do patrimônio na bolsa. A bolsa sobe e o percentual vai para 55%. Eu vendo e volto para 50. A bolsa cai, o percentual vai para 45. Opa… vou comprar. Você acaba, geralmente, comprando na baixa. Isso funciona, mas é difícil de fazer, pois, na alta, ninguém quer vender, já que está dando tudo certo e, na baixa, você não quer comprar, pois o mundo vai acabar. Foi assim em março, no começo da pandemia. Quem comprou ações nessa época, se deu bem, porque algumas, como Magazine Luiza e Mercado Livre, valorizaram bastante”.

O gestor também falou na Money Week sobre o crescimento do interesse das pessoas físicas pela bolsa e respondeu a um questionamento sobre o que é necessário olhar quando estudar os balanços das empresas, hoje disponibilizados publicamente na internet.

Após comentar que no Brasil, nos Estados Unidos e na China os investidores pessoas física surpreenderam positivamente na bolsa durante a pandemia, ensinou:

“Os números contam uma história para você. Coloca o faturamento da companhia nos últimos 7 anos. Aquilo vai te contar uma história. É a primeira linha. Depois você pode ir direto ao lucro bruto. Se crescer mais que o faturamento, está ganhando preço, ganhando margem. Vai linha a linha e deixa o balanço contar uma história. É simples. Não precisa ser mestre em contabilidade para entender”.

Uma crise é diferente da outra

Na mesma esteira da fórmula mágica, uma dica interessante do gestor foi sobre diversificação. Segundo Bartunek, ela é importante justamente para que momentos de crise, como essa causada pelo novo coronavírus, não peguem o investidor totalmente desprevenido.

“Cada crise é diferente da outra. Não dá para ver a próxima só porque já viveu muitas. Mas você pode se preparar. Não ter alavancagem, ter um portfólio que seja diversificado. Se colocar todos os ovos na mesma cesta, vem alguém, pega a cesta e você perde tudo. Algumas empresas caíram 80% na crise. Se você tivesse apenas ações dessas empresas, seria desesperador”, comentou durante a Money Week.

Reformas e o cenário no Brasil

Sobre o atual cenário no Brasil e a expectativa pelas reformas, que estão tramitando no Congresso Nacional. Bartunek se mostrou otimista em ver o País seguir o caminho dos juros baixos e depositou confiança no trabalho do Executivo.

Todos nós ganharemos mais dinheiro e seremos mais prósperos com juro baixo e o País crescendo. Sou otimista. Acho que deveria ter mais privatizações e, hoje, vejo muito menos resistência do que há uns 10 anos. As pessoas nem sabiam o que era e ficavam contra. Política é negociação, e acho que o Congresso está pronto para aprovar ou discutir as reformas. Não dá para colocar goela abaixo e não dá para o governo não se envolver. Parceria entre todos com os empresários. É uma negociação. Quando aperta, o Congresso escuta o som das ruas e dos empresários e faz a coisa certa”.

Quer conhecer um pouco mais sobre a história de Florian Bartunek? Então clique nesse link e saiba tudo sobre o experiente gestor e a Constellation Asset.

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