Como cuidar da carteira de investimentos usando rebalanceamento

Natalia Gómez
Editora, é jornalista especializada no mercado de investimentos há 17 anos. Formada pela PUC-SP, teve experiências em veículos como Agência Estado, Valor Econômico e Revista Você SA; e na área de comunicação corporativa e relações públicas para instituições financeiras.

Muito além de entender sobre oportunidades do momento em ações ou fundos, um investidor de sucesso precisa aprender a importância de fazer o rebalanceamento da sua carteira de investimentos.

Pode parecer algo burocrático, mas na verdade é uma estratégia que garante menores riscos para o investidor, além de gerar retornos melhores ao longo dos anos. 

Muito se fala sobre a importância da disciplina para o investidor de sucesso, e podemos dizer que esta disciplina se traduz na capacidade de fazer este rebalanceamento de forma consistente. 

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O grande desafio dos investidores na hora do rebalanceamento é ter disciplina de comprar ações na baixa. Ao mesmo tempo, vender ações na alta exige bastante clareza e disciplina, e nem todos conseguem.

Entenda como fazer isso passo a passo:

O que é rebalanceamento?

Rebalancear a sua carteira de investimentos nada mais é do que manter a proporção ideal dos diferentes de ativos na carteira no decorrer dos anos. 

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Por exemplo, imagine que sua estratégia de investimentos ideal seja colocar 20% dos seus investimentos em ações. 

Em um ano de alta da bolsa de valores, o preço das suas ações vai se valorizar. Então, é possível que sua fatia em ações suba para 30% do total.

O mesmo ocorre se o mercado está em baixa. Neste caso, sua fatia ideal de 20% vai acabar caindo para um número muito menor. Nos dois cenários, você deve fazer um ajuste para voltar ao seu nível ideal inicial.

Este é o chamado rebalanceamento.

Qual a vantagem?

Além de manter seu perfil adequado, o rebalanceamento tem outras vantagens. 

Uma delas é proteger o investidor de riscos excessivos. Afinal, se a fatia em renda variável crescer de forma descontrolada na carteira, o investidor será pego de surpresa em uma queda. 

Com uma fatia grande demais, ele vai ficar muito exposto em uma situação de queda.

Ao mesmo tempo, o ajuste periódico garante que o investidor não deixe de ganhar com os retornos de cada tipo de ativo.

Afinal, seguindo estes passos, você vai ir às compras quando os preços tiveram caído. Ao mesmo tempo, venderá seus ativos quando tiverem se valorizado.

Em outras palavras, você garante que vai ter bons resultados ao longo do tempo, usando os ciclos do mercado ao seu favor.

Primeiro passo

Antes de chegar neste ponto, você deve ter uma carteira alinhada com seus objetivos de longo prazo e com seu perfil de investidor. 

Objetivos de longo prazo permitem investir em ativos mais arriscados. Já objetivos de curto prazo pedem modalidades mais conservadoras. Também existem investidores mais avessos a risco que outros.

Vale lembrar que é preciso ter seis meses equivalentes da sua renda como reserva de emergência, aplicados em Tesouro Direto ou Fundos DI.

Sem ter clareza destas questões, você não consegue ter sucesso investindo. 

Caso não tenha uma carteira de investimentos adequada, você deve procurar a orientação de um assessor de investimentos. 

Segundo passo

Para quem já tem uma carteira de investimentos montada, é preciso ter sempre em mente as porcentagens ideais dos tipos de ativos.

Para exemplificar, suponha que sua carteira é composta por 25% de ações e 75% em renda fixa. 

Você pode deixar estes números oscilarem 5% para mais ou para menos, sem precisar fazer ajustes. A orientação é do sócio da Toro Investimentos, André Barbosa. 

No exemplo acima, você pode deixar a fatia em ações variar entre 20% e 30% sem tomar nenhuma atitude.

Quando as variações de preços causarem oscilações maiores que estes limites, é sinal de que chegou a hora de rebalancear. Ou seja, comprar ou vender ações para voltar ao nível ideal de 25%.

Outros gatilhos para rebalancear

Além da variação de preços, existem outros fatores que impactam a composição da carteira. Por exemplo, novos aportes e novos resgates também podem ser gatilhos para um rebalanceamento.

Outro caso, mais raro, é uma mudança no perfil do investidor. Seria o caso de alguém que se tornou mais conservador ou mais agressivo ao longo do tempo. 

Quando fazer o rebalanceamento

O rebalanceamento deve ser realizado a cada trimestre ou, no máximo, a cada dois meses, segundo o CEO da gestora Valora Investimentos, Daniel Pegorini. Isso porque rebalancear em períodos muito curtos gera custos excessivos de transação.

Mas mais importante que definir uma data certa, o investidor deve buscar fazer um ajuste contínuo à medida que o mercado oscila ou ocorrem aportes e resgates.

Por que é difícil?

Embora o processo de rebalancear a carteira pareça simples, muitos investidores têm dificuldade de fazer isso.

De acordo com os especialistas, o grande problema ocorre nos momentos de baixa do mercado. Quando a bolsa de valores cai muito, a fatia alocada em ações cai junto. Isso significa que é hora de comprar mais ações para recompor a alocação ideal. 

No entanto, é aí que muita gente entra em pânico e acaba desistindo de comprar mais ações. Com isso, abrem mão dos benefícios do rebalanceamento.

Ao mesmo tempo, a situação oposta também é desafiadora. 

Imagine ter que sair de ativos que subiram bastante e estão trazendo dinheiro para o investidor. Rebalancear significa isso também.