Money Week terá Florian Bartunek, o gestor da Constellation

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: Divulgação

Florian Bartunek, o nome à frente da Constellation Asset, é um dos gestores mais renomados do país e tem entre seus sócios na gestora ninguém menos do que Jorge Paulo Lemann. O outro sócio é o fundo americano Lone Pine Capital.

Bartunek é um dos convidados da próxima Money Week , maior evento online totalmente gratuito de investimentos da América Latina, que começa nesta segunda-feira (23).

O principal diferencial de Bartunek e da Constellation é buscar investimentos que tragam retorno financeiro aos clientes, mas sem perder de vista o ESG, sigla em inglês para governança ambiental, social e corporativa.

A preocupação com o tema, ele explica, é simples: empresas que seguem princípios de ESG são mais sustentáveis.

BDRs, Day Trade, Unicórnios e novos IPOs.

Hoje é dia de insights para investir em 2021.

“As companhias que são ESG têm mais longevidade. Elas têm clientes mais apaixonados, funcionários mais apaixonados e menores custos. Em resumo, se o seu modelo de negócio é um monopólio, no dia que acabar o monopólio, acabou o negócio. Se o seu modelo de negócio era ‘enganar’ o cliente, provavelmente já acabou ou vai acabar”, afirma.

Para ele, o tema da governança corporativa e da ética das empresas é algo que os investidores sempre buscaram. A questão social surgiu há uns dez anos e vem do aumento positivo da concorrência – hoje, se a empresa não trata bem as pessoas, elas procuram outra que ofereça o mesmo produto ou serviço, mas com melhor atendimento.

Já a questão ambiental ganhou peso com a pandemia de coronavírus. “É como se um grande alarme tivesse tocado e feito as pessoas perceberem que se a gente não tomar conta da natureza, ou parar de afetar tão negativamente a natureza, isso vai ter um custo altíssimo”, aponta.

A trajetória de Bartunek

Bartunek estudou administração de empresas na Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio de Janeiro. E iniciou a carreira no mercado financeiro no banco Pactual, em 1989.

Na época, o Pactual era um pequeno banco de investimento que tinha entre seus sócios o atual ministro da Economia, Paulo Guedes.

Ele atuou no banco na mesma época em que outros relevantes personagens da instituição, como André Esteves e Roberto Sallouti, atualmente sócio e CEO, respectivamente, do que se tornaria o BTG Pactual.

O começo da carreira de Bartunek foi como analista de investimentos. Dessa época, aprendeu uma lição bastante importante com o megainvestidor George Soros. Investir em  empresas pequenas, que não despertam o interesse do mercado. Afinal, popularidade nem sempre é sinal de rentabilidade.

Em cinco anos de Pactual, Bartunek passou à condição de sócio, por meio da aquisição de ações.

Segundo ele, estudar e ler foram seus diferenciais. “No mercado financeiro e em outros também as coisas vão evoluindo e, se você não se atualiza, fica para trás”, aponta.

No total, ele ficou oito anos no banco. Foi chefe de research, trader proprietário, responsável pelo asset management e gestor de todos os fundos.

Entre outros, foi gestor do Infinity, considerado o fundo offshore mais rentável do mundo entre 1991 e 1996.

Em 1999, ele saiu do Pactual para fundar a Utor Asset Management,. A empresa foi criada para gerir os recursos do trio Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Beto Sicupira, então donos do banco Garantia.

Início da Constellation

Na Utor, Bartunek foi gestor do portfólio de ações por quatro anos. Depois, junto a Lemann, fundou a Constellation.

O ano era 2002, quando Luiz Inácio Lula da Silva chegava à presidência. Naquele momento, Bartunek tinha receio de iniciar um fundo, dadas as inseguranças do mercado com a eleição. Mas o que se viu a seguir foi um forte crescimento do Brasil, com demanda externa crescente e estabilidade econômica internamente.

Professor e autor de livro

Além de CEO da Constellation, Bartunek já foi professor do curso de Value Investing no Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper). E é co-autor do livro “Fora da Curva“, no qual transmite alguns conhecimentos relevantes, tais como:

  • Só compre ações de companhias bem administradas, com donos ou executivos confiáveis.
  • Não analise apenas o preço, mas também a qualidade da companhia. Boas empresas se tornam baratas com o tempo.

Também participa da Young Presidents’ Organization (YPO), da escola de negócios de Harvard. Trata-se de uma rede de líderes globais que atingiram o sucesso profissional antes dos 45 anos de idade.

Bartunek  participa ainda do conselho da Fundação Lemann e da Fundação Estudar. É colecionador de arte e membro do conselho do Museu de Arte de São Paulo (MASP).

Fundo Constellation

O Constellation Insitucional FIC FIA, único da gestora para investidores em geral e não apenas os qualificados (que possuem mais de R$ 1 milhão em investimentos), teve rentabilidade de 50,90% em 2019.

Em 2018, foi de 17,92%. Em 2016, 25,12%. No ano em que foi criado, 2012, o rendimento foi de 4,98%.

Constellation

Reprodução/Constellation

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