Money Week: mercado livre de energia deve alcançar 45% do fornecimento no Brasil até 2024

Giovanna Castro
Jornalista formada pela UNESP.
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Crédito: Daniel Rossi, CEO e fundador da Zeg e Thatiane Simões, vice presidente da Matrix Energia estiveram no painel sobre setor energético da Money Week -Foto: Reprodução/ Money Week

O mercado livre de energia vem crescendo neste ano, mesmo em meio à pandemia, e a expectativa, com a mudança de regulação no setor elétrico, é de que esse ambiente de negócios, onde vendedores e compradores negociam diretamente, responda por 45% do fornecimento de energia no País até 2024. Neste ano, esse percentual está em torno de 30%.

O setor elétrico esteve em pauta no penúltimo dia de Money Week, o maior evento online e gratuito de investimentos da América Latina, que vai até amanhã, dia 27.  Participaram do painel Daniel Rossi, CEO e fundador da Zeg, empresa focada na geração de energia limpa a partir de resíduos, Thatiane Simões, vice presidente da Matrix Energia e Rubens Misorelli, CEO da Matrix Energia.

No mercado livre, os consumidores podem comprar energia de empresas geradoras e de comercializadoras. É possível escolher a companhia, o preço que se quer pagar e o período de contratação. No mercado regulado (ou cativo), a energia é contratada obrigatoriamente da distribuidora da área de concessão. Hoje, no entanto, não é todo mundo que está apto a comprar no mercado livre: é preciso utlizar uma carga mínima e isso exclui pequenos consumidores.

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O otimismo com o crescimento do setor passa por um projeto de lei em tramitação no Congresso que, quando aprovado, vai liberar o mercado livre para todos clientes de todos os portes.

Distribuição de energia no Brasil

Atualmente, a maioria dos consumidores de energia não têm escolha sobre a empresa fornecedora. E estes são, justamente, os consumidores de baixa tensão. Ou seja, pessoas físicas e pequenos comerciantes.

Mas, Rossi garante que esse público também já está no radar das empresas de energia. “Já tem solução para a baixa tensão. Não é a mesma da alta, mas é a geração distribuída, que é uma solução real, que trás economia e sempre está associada à energia renovável. Existe solução para todo mundo. Desde a pessoa física, até para a pessoa jurídica de maior tensão”, explicou.

Daniel Rossi na Money Week

Daniel Rossi mencionou o investimento em inovação como um dos pontos mais interessantes do mercado livre de energia -Foto: Reprodução/ Money Week

A ideia por trás do mercado livre de energia

O mercado surgiu com a ideia de oferecer preços e serviços mais atrativos para o consumidor. Deu seus primeiros passos em 2002 e, cada vez mais, tem focado na energia renovável.

Segundo Thatiane Simões, o trabalho feito pela Matrix, por exemplo, é o de comprar a energia direto do gerador, da forma que for mais conveniente para ele. Posteriormente, vende-se essa energia ao consumidor final, personalizando o serviço de acordo com a sua necessidade.

Para isso, ela explica que é preciso, primeiramente, educar o comprador de energia. “Antes de entrar para o mercado, o consumidor não entende como ele compra energia. Ele compra a energia da distribuidora sem poder de escolha. Então, ele não sabe definir quantidade, fonte, período de tempo”, explica.

Assim, a Matrix primeiro apresenta a oportunidade de escolha sobre o fornecimento de energia. Depois, educa esse consumidor sobre quais são as medidas de compra, quantidades, épocas do ano, entre outros fatores importantes.

Thatiane Simões na Money Week

Thatiane Simões dirige o setor comercial de varejo da Matrix -Foto: Reprodução/ Money Week

Um exemplo é que shoppings, por exemplo, consomem mais energia no final do ano, com a extensão do horário de funcionamento. Em contratos negociáveis, é possível determinar maior compra nesses períodos. O mesmo vale para hotéis, que têm alta e baixa temporadas.

Do outro lado da cadeia, o gerador de energia muitas vezes depende de períodos do ano. Quando há mais sol, para energia solar, quando há mais vento, para a energia eólica. Isso influencia no preço final da energia e tudo isso é deixado claro ao consumidor por meio de relatórios e certificados de energia limpa.

Sustentabilidade

A Matrix nasceu em 2014 como uma comercializadora de energia. Em 2018, passou a ter como objetivo oferecer energia elétrica renovável ao consumidor final.

“Queremos garantir que a energia solar e eólica, principalmente, que são tão importantes dentro da matriz energética brasileira, possa chegar ao consumidor da forma que ele precisa”, explicou.

Com a popularização da agenda ESG, o mercado livre de energia renovável vem crescendo. E o Brasil, por suas condições climáticas, naturais e por sua extensão territorial, tem o cenário perfeito para desenvolver o setor.

Rubens Misorelli na Money Week

“Defendemos a abertura de mercado”, disse Rubens Misorelli na Money Week

Rossi também surfou nessa onda, começou com a energia eólica mas, hoje, após a compra da Zeg, que investe em tecnologias disruptivas, está focado na energia sustentável gerada a partir do lixo.

“Acreditávamos muito na descentralização de consumo e de produção. Ou seja, queríamos que a fonte estivesse próxima à sua matriz de consumo. Por isso, ter geradores muito longe dos nossos consumidores não era o nosso caminho”, explica.

Assim, após pesquisar e acompanhar diversas palestras sobre tecnologia e soluções sustentáveis, chegaram à produção a partir do lixo. Ela não só gera energia limpa, como também reutiliza os resíduos descartados. É barato e fácil de encontrar em qualquer cidade.

A empresa também está desenvolvendo projetos para comercializar combustível a base de biometano. Ele é feito também a partir de resíduos e substitui o diesel e o gás natural. Dessa forma, deve entrar para a matriz de logística brasileira e trazer competitividade ao mercado de combustíveis.

Investir no mercado livre de energia

De acordo com Rossi, o mercado de energia não é um mercado óbvio. Trata-se de um mercado de alta volatilidade e risco associado. Mesmo assim, é uma ótima aposta dentro da diversificação de carteira, afinal, o setor tende a crescer muito nos próximos anos.

“Nesse cenário de juros baixo, acho que é o momento para ver novos setores, novas oportunidades de diversificar o seu portfólio. E acho que o setor energético é uma ótima opção para isso. Em breve teremos o derivativo de energia elétrica também. Estamos crescendo, inovando”, comenta.

O diferencial na hora do investimento no mercado livre de energia, na visão de Misorelli, seria o investimento em inteligência e não em ativo real. Segundo ele, hoje, o investidor só consegue ter acesso a companhias que fazem investimento em ativo real. Ou seja, aquelas que pegam o dinheiro do investidor e colocam em postes, fios, entre outros materiais palpáveis.

“Na Matrix, não fazemos investimentos em ativos, fazemos investimento em soluções, inovações. Isso deve crescer e mudar nos próximos anos, devem chegar cada vez mais empresas com o nosso perfil. Empresas que vendem inteligência tendem a ter um retorno maior no futuro”, explica.

Thatiane Simões apontou para o fato de o setor energético ser um dos mais perenes da bolsa. Do ponto de vista de ESG, trata-se de um setor que está voltado às preocupações ambientais, o que é muito positivo.

“Olhando para o universo ESG, acredito que o setor energético é uma grande oportunidade para o investidor que quer aplicar dentro desses critérios”, pontuou.

 

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