Top-down: conheça essa abordagem da análise fundamentalista

Felipe Alves
Jornalista com experiência em reportagem e edição em política, economia, geral e cultura, com passagens pelos principais veículos impressos e online de Santa Catarina: Diário Catarinense, jornal Notícias do Dia (Grupo ND) e Grupo RBS (NSC).
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Dentro da análise fundamentalista – que busca definir o valor de uma empresa considerando os fundamentos de um negócio – existem dois caminhos a serem seguidos: top-down ou bottom-up.

O top-down é uma abordagem de análise de ações que leva em conta primeiro os fatores macroeconômicos. Somente após a análise minuciosa de vários indicadores econômicos externos à empresa ou ao setor é que o investidor começará a se aprofundar nos números da própria empresa. Ou seja, começa a focar em uma visão macro para depois fazer uma análise microeconômica.

Quer entender mais sobre este conceito? Então confira a seguir como a análise top-down pode ajudar você na análise de ações

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O conceito de top-down

Se você é um investidor que foca no longo prazo já deve ter se deparado com o conceito de análise fundamentalista. É importante entendê-lo para saber como funciona a análise top-down.

Como o próprio nome já diz a análise fundamentalista leva em conta os “fundamentos” de uma empresa. Ou seja, o desempenho operacional de um negócio será avaliado antes de o possível investidor tomar uma decisão. Nesta técnica não se leva em conta os movimentos do mercado, as ações de curto prazo e as flutuações das ações em períodos curtos de tempo. O que importa realmente é o histórico dos múltiplos da empresa e sua capacidade de mantê-los ou superá-los.

Dentro da análise fundamentalista o investidor pode optar por analisar uma ação de forma top-down. Ou seja: de cima para baixo. Assim, os elementos prioritários neste tipo de análise serão aqueles ligados ao cenário econômico. Entram aí diversos indicadores, previsões e dados, como as taxas de juros e de câmbio, inflação, crescimento do PIB, taxas de desemprego, indicadores nacionais e internacionais, entre outros.

Neste momento, economia e política se fundem. Os fundamentalista da abordagem top-down levam em consideração as políticas econômicas. Assim, dados de balança comercial, orçamento governamental, aumento de impostos, déficit ou superávit, dívida pública, e medidas de grande impacto econômico são levadas em conta.

Com o cenário macroeconômico definido o investidor passa a analisar os indicadores de um conjunto de empresas de um setor. Desta forma, é possível ter uma visão se o rumo de aceleração ou desaceleração da economia do país irá impactar aquele setor. Sob essa ótica, o investidor deve então analisar os múltiplos de empresas de um mesmo setor para definir quais são as melhores.

Assim, na análise top-down o investidor analisará, nesta ordem: a macroeconômia, um determinado setor e as empresas.

As 4 etapas do ciclo de negócio

Você já deve ter ouvido falar que a economia é cíclica né? Ou seja, que ao longo da história da humanidade, os momentos de alta da econômica foram sucedidos por quedas – de maior ou menor intensidade – e que o movimento se repete continuamente.

Dentro da análise top-down é importante entender o ciclo de negócio de uma empresa e da economia. Ele é dividido em quatro etapas:

  1. Expansão: a produtividade das empresas está a todo vapor. Há aumento de produção, de vendas, de receitas, de lucros, os preços das ações sobem, há mais procura dos consumidores. Ou seja, há aumento da demanda e, consequentemente, do PIB do país;
  2. Pico: é o ponto máximo da atividade econômica, em que a produção e as vendas atingem o mais alto nível;
  3. Contração: começa um declínio da atividade econômica. Assim, são reduzidos o crescimento e a produção e, como consequência, há uma retração de curto prazo. Os consumidores começam a consumir menos e a produção cai. Os indicadores econômicos também refletem esse momento: mais endividamento e inadimplência, empresas vão à falência, estoques ficam parados e o PIB e outros indicadores caem;
  4. Ponto de virada: é o momento em que a fase ruim começa a dar lugar ao otimismo. Inicia-se a virada de ciclo e os números começam a melhorar.

Vantagens e desvantagens

Como toda estratégia de investimentos, a análise top-down possui vantagens e desvantagens que devem ser analisadas pelo investidor. Vamos listar alguns pontos que você deve ficar atento para avaliar este tipo de análise:

  • Como a análise top-down parte da macroeconomia é preciso que o investidor tenha um amplo conhecimento sobre o assunto. Saber “ler” números econômicos, dados do mercado e, principalmente, conseguir ter a noção de como eles podem impactar determinado setor ou empresa são aspectos fundamentais;
  • É preciso dedicar bastante tempo de leitura e análise para executar a técnica top-down. Por levar em conta tantos fatores e indicadores econômicos internos e externos, as diversas variáveis devem ser levadas em conta. Assim, estar atento ao noticiário e aos principais fatos econômicos e políticos é essencial;
  • Os investidores devem estar atentos não só ao cenário brasileiro, mas também ao global. Guerras comerciais, taxas de juros dos Estados Unidos, preço de commodities e outros fatores externos também afetam o mercado brasileiro;
  • Ao optar por analisar o macro de forma prioritária o investidor pode acabar deixando de lado ganhos exponenciais no micro. Ou seja, às vezes, por considerar apenas aspectos gerais e globais, uma empresa que dê bons lucros, tenha uma ótima gestão e potencial pode acabar sendo deixada de lado em uma primeira avaliação macro.