Money Week: o que é mito e o que é verdade no Day Trade

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
1

Crédito: Reprodução/Money Week

Com a expansão da bolsa de valores nos últimos anos, o País também viu crescer o número de pessoas que operam no mercado de ações para obter uma renda extra ou mesmo como atividade principal. Os traders compram e vendem ativos financeiros, em geral no mesmo dia, aproveitando os momentos de baixa e alta de preços para lucrar com essas transações.

Não faltam estudos que mostram a alta taxa de desistência entre esses profissionais e o baixo índice de sucesso. A atividade passou a ser tratada como “bicho-papão” da bolsa. Mas quais os segredos de quem consegue trilhar esse caminho?

Nesta quinta-feira, a Money Week reuniu duas traders conhecidas no mercado para entender melhor a profissão e como ter sucesso. Participaram do painel Carol Paiffer, CEO e diretora da área de investimentos da Atom S/A (ATOM3), maior empresa de traders da América Latina, listada na B3, e Natalia Dalat, que abandonou o serviço público para investir profissionalmente como trader.

Saiba mais sobre contratos de mini-índice ou minicontratos.

Day trader: conhecimento é o ponto de partida

Carol e Natália dizem que o Day Trader pode, sim, ser bem sucedido, mas é preciso estar bem preparado para começar.

“A gente ouve sobre o day trade como vilão. Saem no jornal muitas pesquisas mostrando que as pessoas perderam dinheiro. Mas alguém perguntou quanto tempo elas gastaram para estudar antes de atuar como day trader? O primeiro passo é sempre aprender”, afirma Natália.

Para se preparar, elas recomendam muita leitura, muito acompanhamento do mercado e cursos com profissionais gabaritados.

Conquiste sua Independência Financeira. Conheça os 4 Pilares para Investir

A Atom, por exemplo, oferece cursos e material didático para formar traders profissionais, que não farão operações com o próprio dinheiro, mas com dinheiro de terceiros.

Já Natalia recomenda muita leitura para quem quer ter diferencial no mercado. Ela indica livros como “Os Axiomas de Zurique”, de Max Gunther; “Manual de Análise Técnica: Essência e Estratégias Avançadas: Tudo o que um Investidor Precisa”, de Marcos Abe; e “Análise estatística com R para leigos”, de Joseph Schmuller.

Da própria experiência, Natalia conta que, a partir do momento em que decidiu largar seu emprego público e virar trader, ela gastou mais de dois anos se dedicando aos aprendizados até que alcançasse um nível consistente de conhecimento.

Atenção ao preparo psicológico

O segundo ponto é que, além de saber lidar com informações, gráficos, estratégias e estatísticas, a pessoa tem que ter um preparo psicológico.

“Hoje a gente tem tecnologia para aprender e simular operações. E isso é ótimo, um importante aliado. Mas as operações mexem muito com nossa autoestima. E o psicológico é fundamental. Tem que estar muito centrado. Não é só treinar, tem que aprender a se conhecer também”, diz Natalia.

O Day Trader também é um profissional bem solitário. “Pode entrar em depressão rapidinho. No nosso curso e na nossa empresa uma das maiores preocupações é essa. Fazemos reuniões virtuais, temos psicólogo, é muito importante cuidar disso”, diz Carol.

“A questão do ser tudo online, poder fazer de casa… ao mesmo tempo em que facilita, cria um problema. Você já está na metade do dia, ainda nem tirou o pijama e não ganhou nada, enquanto o outro já ganhou. É preciso entender que o mercado financeiro não é complicado, o que complica é a nossa mente”, complementa.

Day Trader, painel na Money Week

Reprodução/Money Week

Não é preciso fazer várias operações no dia

Outro mito que foi desmontado na Money Week é o de que é preciso fazer muitas operações por dia para ganhar dinheiro.

“Menos é mais. Você tem que fazer poucas operações, pegando as incorreções do mercado. Claro que existe toda uma rotina e uma base de estudo”, diz Carol.

Natalia contou do próprio exemplo: começa às 9h e finaliza às 12h. “Inicio com morning call, olhando mercados externos, olho os gráficos, vejo possíveis desvios. Mas faço, no máximo, duas operações por dia”, revela.

Day Trader, painel na Money Week

Reprodução/Money Week

Day Trader não faz só day trade

Outro ensinamento é que, apesar de fazer operações diárias, o day trader deve também ter outras estratégias de investimento. “Quando passei do day trade para o swing trade, isso me ajudou muito a ter menos ganância”, conta Natalia.

Carol diz que, apesar de lidar diariamente com day trade, na crise da pandemia fez muito investimento de longo prazo.

“Não faz sentido eu zerar operação no dia com algo que está tão distorcido. Tinha Gol a R$ 4!”, lembra. “Cada investimento tem seu momento. Até milho eu operei na pandemia, coisa que nunca tinha feito”, revela.

“O day trade é uma maneira de operar. E com o tempo o investidor vai sofisticando as estratégias.”

Qualquer pessoa pode operar

O mito de que a bolsa é para ricos e entendidos também caiu por terra na defesa que as duas traders fizeram da profissão. “Qualquer pessoa pode participar, é meritocracia pura, você pode ser bem sucedido por mérito próprio”, diz Carol. Ela revela que tem alunos dentistas, buscando outra fonte de renda, tem donas de casa e até um vendedor de frutas.

A dica é sempre se instruir e não tentar apenas “copiar” os outros. “Não pode ter preguiça, nem ir atrás de indicação de quem começou há um mês na bolsa”, alerta.

Quer saber sobre como investir e as melhores aplicações? Preencha o formulário abaixo!