Money Week: confira dicas de especialistas para investir no longo prazo

Felipe Alves
Jornalista com experiência em reportagem e edição em política, economia, geral e cultura, com passagens pelos principais veículos impressos e online de Santa Catarina: Diário Catarinense, jornal Notícias do Dia (Grupo ND) e Grupo RBS (NSC).
1

Crédito: Divulgação

Focar no longo prazo, ter controle emocional e saber analisar o retorno de uma empresa. Essas são as dicas dos palestrantes do minicurso de renda variável da Money Week desta quinta-feira (26).

Gustavo Massotti, sócio-fundador e analista-chefe da Wisir Research, e Roberto Chagas, gestor e analista, ministraram nesta tarde o minicurso “Como investir em Renda Variável no longo prazo”.

Atingir um patrimônio de R$ 100 mil é para poucos, saiba quais são as melhores atitudes e aplicações para multiplicá-lo

Minicurso: entenda como é possível ganhar na renda fixa

Minicurso: estratégias para investir em renda variável no curto prazo

Análise e consistência

Chagas e Massotti ressaltaram a importância não só de saber analisar bem uma empresa, mas de ter consistência para a visão de longo prazo nos investimentos.

Chagas faz um comparativo entre investimentos e longo prazo como se fosse um casamento. “Quero ficar casado no mínimo 10 anos. Passamos por momentos bons, ruins, mas ela [empresa] tem que ter algumas coisas muito robustas”, diz ele.

Ao olhar para um negócio, o analista leva em conta se o retorno daquela empresa está acima do custo de capital, a barreira de entrada do negócio, a competitividade, entre outros.

Ele explica que existem dois tipos de custo de capital. O primeiro é o do acionista, que é uma taxa mínima exigida pelo investidor para fazer aquele tipo de investimento. O segundo é o do detentor da dívida, que é o custo de capital ponderado – percentual do custo de capital do acionista e do detentor da dívida.

Essas empresas que têm um retorno maior são empresas que produzem valor econômico, ou seja, que criam valor para o seu acionista. Elas chamam a atenção e geram concorrência. Se a empresa tem o mesmo retorno que o custo de capital dela, ela gera zero de valor, e isso é ruim para o seu acionista”, explica ele.

Na hora de analisar uma empresa, ele faz alguns questionamentos que podem ser feitos independente do setor, país ou histórico do negócio: o consumidor tem dependência daquele produto? A marca dela é muito forte? Ela tem efeito de rede?

Case WEG

Um dos exemplos abordados no minicurso da Money Week foi o case da WEG (WEGE3).

Quando se olha o retorno da multinacional, segundo os especialistas, ela tem uma volatilidade menor, sempre acima do custo de capital. “É uma empresa que chega até a ser monótona, por que não tem retornos tão grandes. Mas quando a gente olha no longo prazo, gosto de me associar a empresas assim: que geram valor acima do custo de capital, e tem muito pouca volatilidade no retorno”, diz Chagas.

A marca WEG para o consumidor e para os acionista é muito forte, passa a sensação de qualidade dos produtos, e ela também está em um mercado muito concentrado.

A vantagem competitiva sobre o fornecedor é grande por que ela compra produtos commoditizados. O tamanho dela permite alguma escala para verticalizar o que ela faz. Tem também um market share bem estável”, ressalta Chagas.

Outro dado interessante é que a WEG é uma das empresas que mais investe em pesquisa e desenvolvimento. “30% da receita da WEG hoje vêm de produtos que foram lançaram há 2 anos, algo impressionante, que traz uma vantagem competitiva absurda”, explica o analista.

Assim, a dica para quem busca longo prazo é: focar em empresas com vantagens competitivas, tentar achar empresas que não só tenham essas vantagens, mas estejam em processo de criação dessas vantagens, empresas seculares, que tenham um caminho enorme pela frente.

Estude e compare seus investimentos em FIIs

Acesse esse material especial para avaliar resultados, performance e dividendos dos melhores FIIs no mercado

Gustavo Massotti e Roberto Chagas na Money Week

Chagas na Money Week

Emocional e cabeça de longo prazo

Uma dica valiosa dos especialistas é ter investimentos que deixem tranquilo, pois o investimento deve ser algo positivo, segundo eles – e não uma dor de cabeça.

Resultado muito positivo quando você monta uma carteira com algo que você já conhece. É a mesma coisa você pensar que está comprando uma ação, tem que casar com a ação”, afirma Massotti.

Ele gosta de começar uma análise de forma top-down. Ou seja, olhar primeiro uma visão macroeconômica da situação, avaliando PIB, taxas de juros, câmbio, entre outros. “Por que o mercado vive de ciclos”, explica ele.

Assim, ele recomenda ainda que os investidores estudem outros ativos, como aqueles atrelados ao ouro ou ao dólar.

Segundo eles, é preciso ter paciência e resiliência para focar no longo prazo. “Ser torcedor de uma ação é ser emocional. E a última coisa que você tem que ser no mercado é emocional. Assim, você tem que ser racional”, afirma Chagas.

Por isso, é preciso fugir do medo e da ganância na hora de investir. E como fazer isso?

Focando no longo prazo, seguindo com disciplina, e de forma robusta. Isso deixa o investidor com melhores chances de sucesso. Tem que ter foco no que você consegue controlar”, ensina Chagas.

Por fim, ele diz que o investidor deve se apoiar na disciplina e na racionalidade. E saber que há momentos bons e ruins nos investimentos.

É importante pensar nisso de maneira bem objetiva e focar no processo pra gente se colocar na frente em melhores situações de risco-retorno e dar consistência no longo prazo. A gente não sabe tudo, não precisa saber tudo, e você não precisa investir em tudo que vê pela frente. Tem que apertar o botão de investimento quando realmente for interessante, que você fique confortável com isso”, explica.

Leia mais sobre a Money Week:

Quer saber sobre como investir e as melhores aplicações? Preencha o formulário abaixo!