Money Week: entenda profissão de agente autônomo de investimento

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: Reprodução Money Week

Com 3 milhões de investidores pessoas físicas na bolsa de valores brasileira, a profissão de agente autônomo de investimento deu um salto de crescimento.

Eram cerca de 3 mil em 2015. Hoje, são mais de 9 mil. O avanço faz sentido: são mais investidores procurando orientação qualificada em busca de um melhor destino para o seu dinheiro.

“Agente autônomo: o que você precisa saber sobre a carreira que só cresce no Brasil” foi o terceiro painel desta sexta-feira (27) na Money Week.

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Para debater o tema, a mediadora Fabiana Panachão recebeu Marcelo Flora, sócio do BTG Pactual e responsável pela plataforma digital do banco, e Edgar Abreu, consultor especialista em certificação financeira.

Cenário favorável à profissão

Com Selic a 2%, sua mínima histórica, houve uma migração dos investidores para a renda variável. Paralelamente, o avanço tecnológico viabilizou uma maior oferta – e bem mais acessível – dos produtos financeiros.

O resultado é que cada dia mais profissionais buscam a certificação de agente autônomo junto à Associação Nacional das Corretoras e Distribuidoras de Títulos e Valores Mobiliários, Câmbio e Mercadorias (Ancord).

O cenário segue bem otimista, com Selic baixa”, afirma Flora, do BTG.

Alguns anos atrás, os juros eram de 15%, 20%. Ninguém comprava o risco de ir para a renda variável com uma rentabilidade dessas na renda fixa. Agora, a sensação é que o dinheiro está queimando nas mãos do investidor e as pessoas estão sem saber o que fazer para ter rentabilidade maior”, diz.

A revolução digital, ele diz, que viabiliza a abertura de uma conta de maneira 100% online em menos de meia hora, é o pano de fundo para este crescimento.

Reprodução/Money Week

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As revoluções da profissão de agente autônomo

Segundo Edgar Abreu, a carreira de agente autônomo sofreu três revoluções no país ao longo dos anos.

A primeira, ele diz, foi no tempo de Selic alta, em que o agente se desdobrava para atrair poucos investidores para a bolsa, prometendo rentabilidade mais alta do que a da renda fixa, o que muitas vezes não se confirmava na prática.

Depois, foi a vez das corretoras buscarem os gerentes de banco para trabalharem como agentes. O movimento ocorreu, ele diz, porque as corretoras estavam de olho no networking desses profissionais.

Por fim, agora, vive-se a terceira revolução, em que qualquer pessoa pode ser agente autônomo.

Eu só preciso de alguém que entenda de produtos de investimento e de relacionamento humano”, ele diz.

Reprodução/Money Week

Reprodução/Money Week

Agente autônomo e a capacidade de construir relacionamentos

Não preciso mais de alguém que traga sua rede de contatos, seus clientes. Porque, com as plataformas digitais e com as mídias sociais, as pessoas vêm até o agente. Eu preciso de alguém que saiba construir relacionamentos a longo prazo, que inspire segurança e confiança. E para isso a pessoa precisa de conhecimentos sólidos”, resume Abreu.

Flora concorda: “Em alguns meses você consegue formar um agente autônomo para passar na certificação da Ancord. Mas ele só estará maduro quando conquistar a confiança do cliente”, diz.

A necessidade de que este profissional inspire confiança, ele afirma, pode ser exemplificada com a crise atual. “Se forem analisados dois portfolios de investimentos que eram exatamente iguais no mês de março e checá-los atualmente, será fácil identificar qual investidor foi bem assessorado e qual se desesperou, não teve orientação correta e fez bobagem”, avalia.

Pela mesma razão, eles dizem, os robôs de investimento não têm sucesso igual ao do agente. Da mesma forma que os livros mais vendidos sobre finanças são justamente os que abordam economia comportamental.

Agente autônomo é empreendedor

Outra questão levantada durante o painel é que o agente autônomo de investimento é, na verdade, um empreendedor.

Este profissional trabalha de maneira autônoma, recebendo uma remuneração fixa baixa e uma porcentagem sobre os produtos comercializados. Mas o retorno financeiro depende sempre de seu empenho.

A carreira cresce muito porque é por meritocracia. Você ganha conforme o desempenho. Para quem tem característica de empreendedor, o céu é o limite”, explica Abreu.

No entanto, ela não é indicada para quem precisa de horário certo de trabalho, cobrança de terceiros por resultados, e remuneração sem oscilações. “Digo que não existe emprego ruim. Existem pessoas erradas para determinados emprego”, pondera.

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