Empresas de e-commerce são favorecidas por pandemia no 3TRI

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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As empresas de e-commerce foram positivamente impactadas pela pandemia de coronavírus e as medidas de distanciamento social no terceiro trimestre.

Segundo a consultoria Ebit Nielsen, o e-commerce cresceu 43,5% no período. E os balanços das maiores empresas do segmento confirmam o cenário positivo. Magazine Luiza (MGLU3), B2W (BTOW3) e Via Varejo (VVAR3) tiveram ganhos bastante significativos.

“O crescimento foi, de modo geral, muito bom, com desempenho das lojas online ainda maior do que as lojas físicas, apesar da reabertura do comércio de rua”, afirma Fernando Siqueira, gestor da Infinity Asset.

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Outro ponto positivo, ele aponta, foi o aumento de vendedores dentro das plataformas online destas empresas, o que aumenta a disponibilidade de produtos e também as localidades atendidas país afora, o que, consequentemente, eleva o número de compradores.

“Tudo isto, no entanto, já está bem precificado pelo mercado, tanto que os resultados vieram bem próximos às projeções”, indica. “B2W ficou um pouco abaixo, mas Via Varejo e Magazine Luiza vieram bem dentro do que era aguardado”, complementa.

Ações do e-commerce respondem positivamente

As ações das empresas de e-commerce seguem respondendo positivamente ao cenário. De janeiro até 11 de novembro, Magazine Luiza acumula uma valorização de 108% de suas ações. Via Varejo registra alta de 60%. E B2W, de 16,8%.

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Apesar dos avanços, tais ações tiveram uma queda pontual nos últimos dias, a partir do anúncio da Pfizer de que sua vacina contra o coronavírus tinha alcançado 90% de eficácia.

Isto aconteceu porque as empresas de e-commerce são, junto às de tecnologia, consideradas as mais resilientes na crise. Ou seja, as que se saem bem com as pessoas ficando em casa.

Ao ganharem esperanças de retomada da normalidade a partir da vacina, os investidores tendem a migrar das big techs e das empresas de e-commerce para aquelas mais voltadas a turismo, lazer e consumo fora de casa.

No entanto, ao longo da semana, o mercado foi assimilando que a vacina é algo animador, mas a médio prazo. Também, que novos casos de coronavírus vêm aumentando fortemente na Europa e nos EUA, com medidas de distanciamento sendo novamente adotadas. Isto já acende o alerta de que existe uma real possibilidade de retorno da pandemia no Brasil também.

Além disso, mesmo se esse cenário negativo não se confirmar, pelo menos as duas maiores companhias, Via Varejo e Magazine Luiza, possuem também operações físicas relevantes, o que minimiza os efeitos do eventual recuo do comércio eletrônico.

Assim, as ações das três maiores do e-commerce brasileiro retomaram fôlego. Ajudou também ao longo da semana o fato de que a Pesquisa Mensal do Comércio do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontar que as vendas de eletrodomésticos aumentaram 1% entre agosto e setembro. Isto porque os cuidados com a casa estão entre os principais ganhos do comércio na pandemia.

2020: o ano do e-commerce

O ano de 2020 já é considerado o grande ano do e-commerce em todo o mundo, graças à pandemia.

Segundo a empresa de tecnologia para publicidade e marketing digital Rakuten Advertising, 86% dos consumidores brasileiros devem priorizar compras online até o final do ano e não pretendem diminuir seus gastos.

No próximo dia 27 de novembro acontece a Black Friday. Segundo a Ebit Nielsen, somente para esta data é aguardado um aumento de 27% no faturamento das empresas. A data de descontos é considerada uma das principais para o comércio brasileiro.

E logo na sequência vem o Natal. Ou seja, o quarto trimestre também promete números favoráveis.

Magazine Luiza (MGLU3)

O Magazine Luiza encerrou o terceiro trimestre com crescimento de quase 150% no e-commerce.

As vendas totais, incluindo lojas físicas, e-commerce tradicional e marketplace cresceram 81,2%, chegando a R$12,4 bilhões. Só o e-commerce total cresceu 148,5%, representando 66,3% das vendas totais.

Com o resultado, a empresa atingiu sua maior participação de mercado desde a sua fundação. A Magalu cresceu mais do que o triplo do mercado e consolidou a liderança no e-commerce formal.

“O resultado foi bastante positivo. Seu aplicativo chegou a 30 milhões de usuários ativos. E a Magalu ultrapassou a B2W em vendas brutas pela primeira vez”, aponta Luis Sales, da Guide Investimentos.

Pedro Galdi, da Mirae Asset, confirma o resultado acima da expectativa. Ele aponta como positivos para a empresa também o cenário de recuperação da atividade econômica e de juros baixos, que favorecem o consumo – atualmente, a taxa básica de juros, Selic, que parametriza todo empréstimo, encontra-se em seu piso histórico (2%).

Para a Mirae, a recomendação é de compra, com preço alvo de R$ 29 e potencial de valorização de 10%. No radar do investidor devem estar possíveis novas aquisições pela empresa, indica Galdi.

O lucro líquido da empresa foi de R$ 206 milhões no período. O desempenho ficou 12,4% inferior ao reportado em igual período do ano passado. Mas o lucro líquido ajustado atingiu R$ 215,9 milhões, um crescimento de 69,6% comparado ao terceiro trimestre de 2019.

Além disso, as vendas totais cresceram 81% no trimestre, totalizando R$ 12,4 bilhões.

B2W (BTOW3)

A B2W reportou prejuízo de R$ 36,8 milhões no terceiro trimestre de 2020, redução de 64,1% em relação ao terceiro trimestre de 2019. No entanto, o resultado foi recebido de maneira positiva.

Para Sales, da Guide, a reabertura gradual do comércio físico não ofuscou o grande volume de vendas que seguiu ocorrendo pelo e-commerce da B2W. Entre os principais destaques está o crescimento acelerado de clientes ativos e também de vendedores.

As vendas pelo marketplace cresceram 55% no terceiro trimestre. Entre os destaques está a aquisição do Supermercado Now e a sua integração, em tempo recorde, dentro da Americanas, lançando a categoria de mercado, que já se tornou a maior em unidades vendidas.

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Para o BB Investimentos, as ações da B2W tem preço-alvo para final de 2021 de R$ 113,40. Segundo o relatório do banco destaca, há no momento uma boa oportunidade de entrada.

“A partir de agosto, temos observado um movimento de realização no papel (da B2W), com a possível migração de investidores para nomes menos defensivos. A nosso ver, isso também se deve a uma preocupação pelo fato de a companhia ainda não ter avançado em aquisições de empresas para ajudá-la na corrida digital, tal como observamos pelos seus concorrentes”, afirma.

“No entanto, entendemos que essa pressão recente tem gerado uma boa oportunidade de entrada em BTOW3, dado o nosso preço-alvo para o final de 2021 em R$ 113,40, na medida em que a companhia siga entregando fortes resultados atrelados à melhoria do seu resultado líquido, razão pela qual mantemos nossa recomendação de compra”, conclui.

  • Veja o desempenho da B2W no terceiro trimestre

Via Varejo (VVAR3)

A Via Varejo registrou lucro líquido de R$ 590 milhões no terceiro trimestre, revertendo prejuízo líquido de R$ 346 milhões no mesmo período do ano passado.

Para o BTG, os resultados corroboraram uma “dinâmica sólida” da empresa. “Sustentamos nossa classificação de compra da empresa, apoiada pela migração mais rápida dos consumidores do offline para o online, investimentos na plataforma e forte demanda por categorias mais discricionárias no semestre”, afirma o banco em relatório. A recomendação é de compra, com preço alvo de R$ 13.

Para Galdi, da Mirae, o preço justo da ação é R$ 25, com potencial de valorização de 33%. “Foi um excelente resultado, acima da expectativa, com entrega de crescimento operacional e de aumento de margens. Esperamos que a empresa continue apresentado forte crescimento, uma vez que sua estratégia parece estar dando certo”, diz. E salienta, novamente, o cenário favorável a empresas do segmento, com juros baixos e inflação dentro da meta.

  • Veja o desempenho da Via Varejo no terceiro trimestre

 

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