Magazine Luiza (MGLU3) tem queda de 12,4% no lucro no 3TRI

Felipe Moreira
Especialista em Mercado de Capitais e Derivativos pela PUC - Minas, com mais de 7 anos de vivência no mercado financeiro e de capitais. Apaixonado por educação financeira e investimentos.
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Crédito: Divulgação/ Magazine Luiza

A Magazine Luiza (MGLU3) registrou um lucro líquido de R$ 206 milhões no terceiro trimestre de 2020, um desempenho 12,4% inferior ao reportado em igual período do ano passado.

Mas  o lucro líquido ajustado atingiu R$ 215,9 milhões, um crescimento de 69,6% comparado ao terceiro trimestre de 2019.

O resultado financeiro foi uma despesa de R$ 102,7 milhões, uma elevação de 160,1% das perdas financeiras.

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As despesas somaram R$ 1,632 bilhão no terceiro trimestre de 2020, uma elevação de 76,7%.

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Vendas online disparam

As vendas totais cresceram 81% no trimestre, totalizando R$ 12,4 bilhões. As vendas mesmas lojas subiram 7,2% no terceiro trimestre, ante alta 9,4% no mesmo trimestre de 2019.

Já o e-commerce disparou 148%, atingindo R$ 8,2 bilhões e 66% das vendas totais.

Enquanto isso, as vendas nas lojas físicas evoluíram 18% no total.

A Magazine Luiza cresceu mais que o triplo do mercado, e consolidou a liderança no e-commerce formal. No terceiro trimestre, o comércio online formal brasileiro cresceu 43,5%, conforme o E-bit, que mede a reputação das lojas virtuais.

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Ebitda cresce 41%

O lucro antes de juro, impostos, depreciação e amortização (Ebtida, na sigla em inglês) ajustado somou R$ 561 milhões, uma elevação de 41% em relação ao terceiro trimestre de 2019.

Conforme a Magazine Luiza,  o crescimento das vendas e a diluição das despesas operacionais foram fundamentais para o crescimento do Ebitda.

A margem Ebtida atingiu 6,8% no terceiro trimestre deste ano, baixa de 1,4 pontos percentuais.

Receita dispara 70,8%

A receita líquida atingiu R$ 8,308 bilhões no período, um aumento de 70,8% na comparação ano a ano.

O lucro bruto subiu 52,9% no terceiro trimestre de 2020, atingindo 2,178 bilhões.

Conforme a Magazine Luiza, o desempenho foi reflexo principalmente da maior participação do e-commerce tradicional (1P) nas vendas.

A margem bruta ficou em 26,2% no período, baixa de 3,1 pontos percentuais.

Investimentos

A empresa investiu R$ 154,2 milhões no terceiro trimestre de 2020.

Os aportes foram destinados principalmente para abertura de lojas, tecnologia e logística.

Caixa da Magazine Luiza

O caixa líquido da Magalu encerrou o terceiro trimestre em R$ 1,925 bilhão. Já o caixa líquido ajustado ficou em R$ 5,262 bilhões.

A alavancagem financeira, medida pela relação caixa líquido ajustado / Ebtida ajustado, ficou em 3,6 vezes no final do trimestre. Um ano antes a alavancagem financeira era de 0,4 vez.

Confira os principais destaques do balanço da Magazine Luiza (MGLU3):

Magazine Luiza (MGLU3) teve prejuízo de R$ 64,5 mi no 2TRI

O Magazine Luiza registrou um prejuízo de R$ 64,5 mi no segundo trimestre de 2020, revertendo lucro de R$ 386,6 milhões no mesmo período de 2019.

De acordo com a empresa, o resultado foi impactado principalmente pelo fechamento temporário das lojas físicas no trimestre.

O resultado financeiro foi uma despesa de R$ 94,6 milhões, uma redução de 34,8% sobre as perdas financeiras dos segundo trimestre de 2019.

Segundo o Magazine Luiza, a melhora foi fruto da redução da taxa de juros e à melhor estrutura de capital.

Os números, apesar do prejuízo, foram bem recebidos pelo mercado.

Em teleconferência com analistas, seu CEO, Frederico Trajano, afirmou que o segundo trimestre deste ano foi um dos mais desafiadores que a companhia já enfrentou.

Vendas mesmas lojas físicas recuam

As vendas mesmas lojas físicas recuaram 50,9% no trimestre, contra avanço de 0,3% no mesmo período do ano anterior.

As vendas totais lojas físicas caíram 45,1%, contra alta de 8,8% em igual período de 2019.

A geração de caixa operacional foi de R$ 2,2 bilhões.

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Ebitda cai

O lucro antes de juro, impostos, depreciação e amortização (Ebtida, na sigla em inglês) somou R$ 143,7 milhões, uma diminuição de 62,2%.

A margem Ebtida atingiu 2,6%, baixa de 6,2 pontos percentuais.

Receita

A receita liquida subiu 29,2% no período, totalizando R$ 5,5 bilhões.

De acordo com a Magazine Luiza, o desempenho foi puxado pelo acelerado crescimento do e-commerce, incluindo a Netshoes, e a reabertura gradual das lojas físicas.

O lucro bruto subiu 31,4% no segundo trimestre, atingindo R$ 1,435 bilhão.

A margem bruta ficou em 25,8%, alta de 0,4 p.p.

Conforme o Magazine Luiza, o aumento da margem bruta se deu principalmente pela maior participação do e-commerce tradicional (1P) nas vendas.

Investimentos

A empresa investiu R$ 69,5 milhões no segundo trimestre de 2020.

Os aportes foram destinados principalmente para abertura de lojas, investimentos em tecnologia e logística.

Caixa do Magazine Luiza

Nos últimos 12 meses, o Magazine Luiza aumentou sua posição de caixa líquido ajustado em R$ 5,0 bilhões, passando de uma posição de caixa líquido ajustado de R$ 788,8 milhões em jun/19 para R$ 5,805 bilhões em jun/20, em função da geração de caixa da Companhia, dos investimentos e aquisições realizados, bem como da oferta subsequente de ações concluída em nov/19.

A Companhia encerrou o trimestre com uma posição total de caixa de R$ 7,5 bilhões, considerando caixa e aplicações financeiras de R$ 3 bilhões mais R$ 4,5 bilhões em recebíveis de cartão de crédito.

Maior varejista de bens duráveis do Brasil

As vendas totais cresceram 49%, atingindo R$ 8,6 bilhões no segundo trimestre deste ano. Com isso, Magazine Luiza torna-se a maior empresa de varejo de bens duráveis do país.

Enquanto isso, o e-commerce disparou 182% no período, atingindo R$ 6,7 bilhões e 78% das vendas totais.

Conforme o Magazine Luiza, as vendas online cresceram o triplo do mercado.

Isso aconteceu em função dos novos hábitos de consumo durante a pandemia, o e-commerce formal brasileiro cresceu 70,4% no trimestre, segundo o E-bit.

“O Magalu foi além, cresceu 2,6x o mercado, e assumiu a liderança do e-commerce formal” diz o documento.

Pilares sólidos

O Magazine Luiza traçou pilares sólidos, como novas categorias, entrega mais rápida, marketplace.

Na busca por novas categorias, o Magalu deu ênfase especial aos produtos de mercado, fundamentais no dia a dia.

O sortimento com estoque próprio cresceu e a companhia passou a comprar diretamente de fornecedores como Unilever, Ambev, Procter & Gamble, Coca-Cola Femsa e Heineken. O número de marcas disponíveis dobrou em relação aos três primeiros meses deste ano.

A expansão da oferta de produtos e as mudanças nos hábitos de consumo levaram a transformações na logística, de forma a assegurar a entrega mais rápida do mercado, com custos competitivos.

Com as lojas parcialmente fechadas, o Magalu acelerou sua estratégia de ship-from-store — 700 das mais de 1 100 lojas físicas foram convertidas em dark stores e entregaram diretamente para o cliente.

O período crítico da pandemia foi especialmente importante para o pilar Magalu as a Service (MaaS). Foi por meio dele que milhares de sellers e de pequenos empreendedores puderam avançar no processo de digitalização dos negócios.

Por meio do Magalu Pagamentos, o seller pode antecipar seus recebíveis automaticamente. Com isso, o serviço atingiu R$ 3 bilhões desde seu lançamento. E 85% dos sellers adotaram o Magalu Entregas, sendo que 800 deles já optaram pelo modelo de cross docking.

Magazine Luiza começa forte o terceiro trimestre

Em julho, primeiro mês do terceiro trimestre, as vendas totais subiram 82%.

O e-commerce manteve o ritmo acelerado, com uma expansão de 162% em relação a julho do ano passado.

Com cerca de 70% das unidades abertas, as vendas nas lojas cresceram 10%, reforçando a importância do mundo físico para a estratégia da companhia.

Tá, e aí?

Apesar de considerar que os resultados do segundo trimestre do Magazine Luiza possam parecer fracos, a Eleven espera uma reação das ações do Magazine Luiza.

A tendência para o terceiro trimestre é animadora, com o ritmo de vendas em crescimento tanto nas lojas físicas como pelo e-commerce, diz o relatório.

A Eleven afirma que o canal digital da companhia mostra maturidade e representou 78% das vendas totais, com taxa de crescimento de 182%, duas vezes maior que a do mercado. Cerca de 35% das entregas foram feitas em até 24 horas e 700 lojas foram convertidas em “dark stores”, para suportar o volume de pedidos na categorias mercados.

O aumento da eficiência da sua malha logística foi importante para suportar o desempenho do trimestre e será fundamental para garantir o sucesso nos próximos meses.

O relatório destaca a geração de caixa recorde no trimestre, de R$ 2,2 bilhões e a expansão da margem bruta, apesar da forte participação das vendas online nas vendas totais.

“Agora mais do que nunca acreditamos ser importante enxergar a floresta e não apenas as árvores”, diz o documento.

Para o BB Investimentos, o resultado foi positivo, com a empresa aproveitando toda sua força no canal online construída ao longo dos últimos anos.

“O grande destaque foi a capacidade de escalar sua operação, tanto no 1P, quanto no 3P de maneira muito rápida, sem disrupção na malha logística.”

Já a Guide Investimentos avalia que o Magazine Luiza, devido a eficiência de seu aplicativo, crescimento de seu marketplace, aumento do número de categorias de produtos oferecidos e a entrega mais rápida para o varejo, assumiu a liderança do e-commerce formal.

Os números vieram bastante acima da expectativa do mercado, o que mostra sua grande resiliência, mesmo em períodos de crise, segundo a instituição.

Cara ou barata

A Eleven reitera a recomendação de compra de MGLU3, com preço alvo de R$ 107.

A Guide também mantém a recomendação de compra, dadas as expectativas positivas para a empresa.

Já o BB Investimentos alterou recomendação para Neutra, “dada falta de upside frente ao preço corrente”.

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