Money week: Experiência e dedicação de longo prazo na renda variável

Victória Anhesini
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie
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Nesta último dia de Money Week, houve uma conversa esclarecedoras com investidores experientes de diferentes áreas do mercado da renda variável. A apresentadora Fabiana Panachão e o CEO da EQI, Juliano Custódio estiveram neste último dia de palestras e debates com João Bosco Oliveira “Mille”, consultor da Bastter.com, André Bacci, investidor profissional focado em Fundos Imobiliários e Rodrigo Medeiros, médico do Hospital Sírio Libanês, investidor em ações internacionais.

Do início ao fim do painel, os convidados reforçaram como é importante estudar e ter paciência na hora de investir. Mas, errar é normal e inevitável, principalmente no começo. “A experiência vem dos nossos erros”, disse Mille.

O início

Para Mille, para potencializar seu retorno de investimentos na bolsa de valores, é preciso evitar ter uma carteira direcional baseada em boas empresas. E, claramente, focar no longo prazo. Além disso, é importante conhecer bem as companhias antes de investir.

Outro aspecto que ele ressalta é começar pequeno e subir aos poucos, de forma que o investidor conseguir segurar sua posição na bolsa. “O melhor meio de você saber o seu nível de comprometimento [com a sua posição] é o teste do travesseiro: se você dormir preocupado com a sua posição, é porque está muito grande na bolsa”, complementou Mille.

Os grandes players do investimento não começaram assim. Com Bacci não foi diferente. Começou a se interessar pela área durante a euforia da bolsa de valores em 2008, mas decidiu estudar e entender melhor os Fundos Imobiliários (FIIs). “A partir do momento que compreendi, que fiquei confortável em investir, foi só continuar”, afirmou. O conselho que ele dá para quem está começando é: “Começar com calma, não faz parte da tradição de ninguém investir”.

Já Rodrigo Medeiros, que foca com estudar ações do exterior, começou aos pouquinhos até pegar confiança nos investimentos. A dica dele é dominar o inglês, em especial para ler os relatórios e balanços das empresas. Um dos principais benefícios para ele é a tranquilidade de fugir do “risco Brasil”, com a volatilidade já conhecida do cenário nacional. “Funciona como proteção. Quando a coisa está ruim aqui, o dólar tende a ter uma correlação inversa. Isso te dá uma tranquilidade, pois não é fácil fugir do instinto de vender tudo na baixa”, falou. 

Medeiros aposta mais nas empresas de tecnologia do exterior, que estão em constante crescimento com boas perspectivas de longo prazo. Assim como Mille, ele prefere se tornar sócio de uma empresa e participar, dessa forma, dos projetos.

Foco no longo prazo

Todos os palestrantes concordam que começar aos poucos e ter mais cautela é o melhor caminho. Mille afirma que é necessário descobrir mais sobre a empresa, construir networking, e investir em crescimento. O consultor diz não se preocupar com altas e baixas dos papéis, mas sim com o valor daquela empresa de forma social. Assim, ele completa: “fuja das bolsas, invista em empresas”. 

André Bacci pensa que a bolsa de valores aceita o investimento “cassino”, mas a resposta será igual. Ou seja, apostar todo o seu dinheiro pode te dar duas opções de retorno, de forma extrema. Rodrigo completa, falando que as pessoas tendem a não pensar no longo prazo, algo que considera de alta importância. “A maioria das pessoas investe hoje e quer pegar 30% daqui a pouco, precisa ter paciência. O desafio é esse: ter paciência e saber que vai demorar. Para mim, não existe investimento a curto prazo”, disse.

Qualidade de vida

Por fim, eles falaram sobre como se manter apenas como investidor. Bacci acredita que não dá para pensar de uma vez em pagar a vida inteira. “Se você conseguir investir para pagar o seu café da manhã de hoje, já está bom. Então você se planeja para pagar o de amanhã, o do mês e assim vai”, disse. Rodrigo diz que investir é um mecanismo de qualidade de vida, não abandono da carreira ou profissão. Além disso, “ter conhecimento do mercado acionário acaba ajudando na sua ‘vida real“, afirmou.

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