Money Week: André Bacci deixou o emprego para viver de renda

Paulo Amaral
Jornalismo é meu sobrenome: 20 anos de estrada, com passagens por grandes veículos da mídia nacional: Portal R7, UOL Carros, HuffPost Brasil, Gazeta Esportiva.com, Agora São Paulo, PSN.com e Editora Escala, entre outros.

André Luis Ferreira da Silva Bacci, ou, simplesmente, André Bacci, realizou o sonho de 10 entre 10 pessoas que buscam brilhar no mercado financeiro: viver de renda.

Confirmado como uma das atrações da próxima edição da Money Week, que será realizada na última semana de novembro, Bacci bateu um papo exclusivo com nossa reportagem e contou um pouquinho de sua trajetória na bolsa.

Ex-funcionário do Banco do Brasil, empresa para a qual prestava serviço como programador, Bacci conta que não foi a proximidade com a instituição financeira que “atiçou” sua curiosidade pelo mercado financeiro.

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Tudo isso hoje na MoneyWeek

“O que me chamou a atenção foi a euforia da bolsa [de valores], que em 2007 e 2008 estava subindo, aparecendo no jornal. Um colega começou a mexer e aí, com alguém próximo mexendo, virou aquela cultura”, comentou.

“Passou a euforia, a bolsa começou a cair e as pessoas foram saindo, mas eu continuei. Depois que tive contato, a ideia me pareceu bastante atraente. O que era muito distante no dia a dia, se tornou bastante comum.”

Hoje André Bacci é um dos maiores especialistas em Fundos Imobiliários (FIIs), mas também diversifica seus investimentos em FIDCs e Fundos de Infraestrutura.

André Bacci, money week

Bacci participou da primeira Money Week

“Meus tipos de investimento favoritos são os da classe de fundos fechados. Me especializei em fundo imobiliário porque é uma estrutura muito simples e gostosa de acompanhar. O interessante de fundos fechados é que, às vezes, o preço desloca um pouco para cima e para baixo, mas tem estratégias relativamente fixas”, explicou.

“Você consegue planejar e montar uma carteira de investimento aos pouquinhos. Uma carteira que tenha exatamente a cara desejada. Existem, claro, fundos abertos, com estratégias abertas, em que você terceiriza 100% a decisão, mas eu gosto de saber para onde  o dinheiro está indo”, completou Bacci.

 

Tchau, Banco do Brasil

Aos 30 e poucos anos, Bacci estava onde muitos brasileiros desejariam estar: no cargo de funcionário público do Banco do Brasil. Como programador, chegou à função de analista sênior, mas em paralelo começou a investir.

“Comecei mexendo com trade, mas, rapidamente, tive que migrar para investimento, que não dependia de ficar tempo integral na frente do home broker.”

Depois de um tempo gastando menos do que ganhava, Bacci viu seu patrimônio subir até chegar a um ponto que a renda recorrente gerada pelos investimentos passou a igualar com o salário no banco. “Isso propiciou que eu virasse não somente investidor, mas independente financeiramente.”

Em 2013, aos 33 anos, Bacci decidiu parar de trabalhar. “Timing perfeito, né? Vou viver de bolsa. Quando? Na iminência de uma crise financeira que durou mais de meia década”, brinca.

Hoje ele diz que esse foi um teste de fogo interessante e, ao olhar pra trás, conta que não só deu certo como foi relativamente tranquilo.

Erros e acertos 

Ao analisar sua trajetória como investidor, André Bacci ressalta duas de seus maiores acertos, os mais decisivos. O principal, na sua avaliação, foi ter começado relativamente cedo. “Hoje tem gente começando muito mais cedo, mas eu tiro pela idade média dos meus colegas de trabalho. Eu era um dos mais novos.”

Em segundo lugar, ele destaca ter acertado em nunca investir na bolsa “dinheiro que tem data”. “Dinheiro que tem prazo é renda fixa, e tem que ir para bancos normais. Em renda variável você não pode colocar dinheiro que tem data. Esse, por acaso, foi um acerto que eu tive, mas é um erro que vejo muita gente cometer.”

A trajetória de sucesso de um investidor não está livre de erros. E, para Bacci, um de seus primeiros foi ter começado como trader. “Trabalhar e ser trader é muito complicado. Você não faz nenhuma das coisas bem”, diz. “No dia de trabalhar, só via no dia seguinte se a ordem executou ou não. Mal dava tempo de abrir o home broker. Tentar misturar trabalho com trade é bastante complicado. Imagino que essa seja uma situação bastante comum.”

Ao perceber que não conseguiria levar desse jeito, Bacci foi mudando sua estratégia e começou a operar com menos frequência. Estudava e dava as ordens nos finais de semana.

“A bolsa não é só day trade, não é só swing trade, não é só comprar e manter, o buy and hold. A bolsa permite fazer tudo isso, porém, há níveis diferentes de sobrevivência em cada um deles.”

Investimentos na pandemia 

A pandemia pegou todo mundo de surpresa. Bacci também não estava preparado, mas talvez já estivesse escolado. Como investidor, essa não era sua primeira crise. “Antes disso teve o crash da greve dos caminhoneiros, a crise que sucedeu 2012, a que sucedeu 2008. Você vai ficando cada vez esperto.”

Normalmente, Bacci está 100% investido e não tem a chamada reserva de oportunidade, aquele dinheiro que fica separado para um grande deslocamento de mercado. Em geral, ele não fez grandes ajustes na carteira de investimentos, mas aproveitou o momento de pânico para abrir posições em ativos mais arriscados.

“Basicamente eu já estava virando minha carteira visando juros reais, um movimento que vinha fazendo aos poucos em 2019”, conta. “Em 2020, no meio da crise, os juros reais ficaram bastante distorcidos e aproveitei para abrir mais posições durante essa época. Essa foi a reação máxima, na verdade.”

“Essa é a terceira ou quarta crise já, e ter a noção de que existe alguma coisa por trás do pisca-pisca do painel dá bastante tranquilidade em momentos de crise.”