Day trade: profissão traz riscos e oportunidades

Carla Carvalho
Graduada em Ciências Contábeis pela UFRGS, pós-graduada em Finanças pela UNISINOS/RS. Experiência de 17 anos no mercado financeiro, produtora de conteúdo de finanças e economia.

Crédito: Pixabay

Trabalhar em casa e por poucas horas, curtir mais a família e, ainda por cima, ganhar muito dinheiro. Será que é sempre assim que as coisas acontecem para o day trader?

Queda de juros, pandemia e procura por novas fontes de renda fizeram com que a corrida pelo day trade se intensificasse nos últimos tempos. Entretanto, os números mostram que, ao menos no curto prazo, as chances de sucesso na atividade são bem menores do que o esperado.

O que faz o day trader?

Basicamente, esse profissional compra e vende um ativo financeiro no mesmo dia, aproveitando momentos de baixa de preços para compra e alta para venda. Dessa maneira, ele tenta obter lucro diário com essas transações.

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Os ativos financeiros negociados pelo trader incluem ações, minicontratos de dólar e de índices, entre outros.

Além dos juros baixos, isolamento social e procura por trabalho, o maior acesso à tecnologia e o barateamento das taxas dos investimentos contribuíram para o aumento do day trade.

Números mostram poucas chances de sucesso no day trade

Entretanto, dados mostram que, das quase 100 mil pessoas que começaram a fazer essas operações no Brasil entre 2013 e 2016, e operaram até 2018, quase todas desistiram antes de um ano. Além disso, apenas 127 tiveram lucro bruto diário médio maior do que R$ 100 por mais de 300 pregões.

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É o que aponta um estudo publicado no início de setembro na revista da Sociedade Brasileira de Finanças. Para o estudo, foram observadas as operações day trade de ações entre 2013 e 2018.

No início do ano passado, a FGV já havia publicado uma pesquisa nada otimista sobre essas operações. Segundo estudo, 91% das operações day trade entre 2012 e 2017 com minicontratos de índice e dólar tiveram prejuízo.

Dessa forma, o estudo conclui que as chances de prejuízos com o day trade são mais elevadas do que as de lucrar com a atividade. Na opinião dos pesquisadores, “não faz sentido, ao menos econômico, tentar viver de day trade”.

Quais as principais dificuldades do day trader?

Vejamos alguns fatores que contribuem para as perdas nessas operações:

Tecnologia

O day trade envolve grandes investidores com acesso à tecnologia mais sofisticada do que o que está ao alcance da maioria das pessoas físicas.

Esse é um ponto muito importante, pois, nesse mercado, as coisas acontecem muito rápido. Logo, a tecnologia é uma grande aliada para não se perder as oportunidades de variações de preços dos ativos.

Nesse sentido, as grandes instituições financeiras e corretoras possuem algoritmos que possibilitam uma análise de mercado bem mais rápida do que as pessoas físicas. Desse modo, o pequeno investidor sempre estará em desvantagem nesse ponto.

Pouco conhecimento

Ao contrário do que muitos pensam, é preciso muito estudo e conhecimento técnico para operar no mercado trade. Nesse sentido, especialistas concordam que, se o objetivo é viver do trade, ele deve ser visto não como investimento, mas sim como profissão.

Ou seja, no caso do day trader, a sua necessidade de preparo e dedicação não é diferente de outras profissões.

Custos

Uma coisa muito importante para o investidor é saber que, quanto mais ele faz day trade, maiores serão os seus gastos. Isso porque, nessas operações, há taxas cobradas pelas corretoras e, também, pela B3.

Atualmente, muitas corretoras já zeraram algumas taxas de corretagem, o que incentiva o volume de operações. Porém, às vezes, a taxa de “zeragem” da operação pode absorver o que o investidor economizou com outras isenções.

Isso acontece quando a variação de preço do ativo negociado gera perda superior à garantia depositada pelo investidor. Nesses casos, para evitar que o cliente fique sem recursos, as corretoras cobram uma tarifa para zerar as posições.

É possível ter sucesso como day trader?

Existem oportunidades de bons ganhos no day trade. Porém, como vimos, apenas uma minoria consegue lucrar com essas operações.

Para auxiliar quem pensa em se arriscar nessa profissão, existem algumas dicas importantes:

Estudar muito

Esse é o primeiro passo para quem quer ser day trader. Isso porque as chances de perder dinheiro são muito maiores quando o investidor não tem uma boa bagagem técnica.

No caso do trader, não existe uma formação específica para a profissão. Porém, há bons cursos que podem orientar o investidor em relação às técnicas e ao acompanhamento dos movimentos do mercado.

Ter uma reserva financeira

Por causa da instabilidade da profissão, é muito importante ter reservas antes de começar no day trade. Inclusive, para alguns especialistas, o ideal é ter o suficiente para pagar as despesas de um ano antes de começar a operar nesse mercado.

Conhecer bem as plataformas

É necessário estar muito familiarizado com as plataformas com as quais se irá operar. Isso porque há casos de pessoas que perderam muito dinheiro somente por terem dado ordens erradas ao sistema.

Uma boa forma de aprender como funcionam as plataformas é utilizar as simulações disponíveis na B3. Lá o investidor pode praticar sem precisar de dinheiro.

Começar aos poucos

Para começar, o ideal é que o trader escolha produtos mais simples e sem alavancagem. Isso porque algumas operações podem fazer com que se perca mais dinheiro do que se investiu, como no caso de contratos futuros, por exemplo.

Nesse sentido, as opções são uma boa maneira de começar no day trade.

Ter controle emocional

Por fim, o day trade exige sangue frio. Nesse sentido, muitos não conseguem se adaptar às oscilações do mercado e se deixam influenciar por ondas de medo ou de euforia.

Quem quer ser day trader sempre deve lembrar que as perdas podem ser recuperadas em outras oportunidades. Entretanto, isso só vai acontecer se houver domínio emocional diante dos imprevistos do mercado.