Money Week: com juros baixos, bolsa seguirá favorável em 2021

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.

Crédito: Reprodução/Money Week

O ano de 2021 será de retomada de todo um cenário projetado para 2020 e que, por conta da pandemia do novo coronavírus, teve que ser adiado. Agenda de reformas, Selic baixa e bolsa de valores em alta devem ser temas novamente recorrentes.

Neste contexto, o investidor brasileiro precisará estar cada vez mais preparado para lidar com a renda variável.

Para ajudar nesta missão, Henrique Bredda, gestor do fundo de investimento Alaska Asset Management, e Evandro Pereira, CFO da Genial Investimentos, compartilharam seus conhecimentos durante o segundo painel da Money Week.

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Veja aqui a transmissão na íntegra

Eles discutiram “Cenário econômico x recuperação – Caminhos para o investidor brasileiro em 2021”, debate que contou com a apresentação da jornalista Fabiana Panachão e a participação do CEO daEQI Investimentos, Juliano Custódio.

A terceira edição da Money Week, maior evento online de investimentos da América Latina, começou hoje (23) e vai até sexta-feira. A programação é totalmente online e gratuita.

Boas oportunidades na bolsa em cenário de incertezas

Com projeção da Selic em menos de 3% até o final de 2021, a bolsa de valores tende a continuar sendo a melhor estratégia de obter mais rentabilidade.

O cenário segue sendo de Selic baixa e bolsa para cima. Com Selic a menos de 3%, a bolsa subindo 15% ao ano já é excelente”, avaliou Pereira.

Bredda recomendou ao investidor aproveitar as incertezas do momento para escolher bons ativos. “É uma boa oportunidade para comprar oportunidades”, disse.

Pereira indica atenção especial ao setor de serviços. “O setor de serviço está atrasado na retomada e tem boas oportunidades. Pode ser que surpreenda, especialmente as ações ligadas ao consumo doméstico”, disse.

Oportunidade em ativos atrelados ao dólar

Pereira, da Genial, apontou também a importância de diversificar investimentos e se proteger de crises no mercado estrangeiro.

No Brasil, até os investidores institucionais têm pouca exposição ao dólar. E este movimento veio para ficar. Só retrocedemos se fizermos muita bobagem de política macroeconômica”, afirmou.

Governo cada vez mais parecido com o de Temer

Consenso entre os dois convidados do painel da Money Week é que o governo de Jair Bolsonaro está cada vez mais parecido com o de Michel Temer, mais posicionado ao centro. E caminha para um 2021 menos tumultuado politicamente.

Parece que está ficando cada vez mais parecido com o governo Temer. Acredito que vamos entrar em 2021 com governo mais arrumado com Congresso, sem embate o tempo todo”, afirmou Bredda.

Pereira complementou que, apesar de ser muito grande a preocupação com a austeridade fiscal atualmente, o cenário básico com que ele trabalha é de manutenção do teto de gastos, sem prorrogação do estado de calamidade, mas com alguma forma de aumentar ou estender programas de renda mínima, desde que com contrapartida de corte de gastos.

Houve momentos em que nos assustamos com algumas propostas vindas de Brasília, do próprio ministério da Economia. Mas temos como cenário o respeito ao teto de gastos, a retomada da agenda de reformas, a manutenção do atual status quo, os juros baixos, a apreciação do câmbio e um cenário muito bom para ativos de risco”, ponderou.

Segunda onda já está precificada

Outro consenso é o de que a segunda onda de coronavírus já está precificada. Caso haja um aumento nos casos da doença no Brasil, eles afirmam, o mercado já sabe como agir.

Se houver novos fechamentos, o impacto será menor. Já sabemos que commodities continuam em alta, e-commerce segue se destacando”, disse Bredda.

Pereira afirmou não acreditar em segunda onda: “Para mim, o Brasil segue numa mesma onda”. Para ele, o maior risco atual para o país não é sanitário, mas sim fiscal.

Educação financeira é fundamental

Diante deste cenário, é fundamental que o investidor, especialmente o novato na bolsa, tenha consciência da relevância da educação financeira e da boa informação para escolher bons ativos.

Estamos vivenciando uma mudança cultural no que diz respeito aos investimentos no Brasil. A gente vai sair do maternal e ir para o jardim da infância”, compara Bredda.

E alerta: “Não vai ser um movimento sem traumas. É preciso entender a diferença entre risco e oscilação. Quem entrar com expectativa de retorno alto vai ter frustrações”, disse. A recomendação é participar de eventos como a Money Week, estudar e estar preparado.

Como em tudo na vida. Você se prepara para comprar um carro ou uma casa. Deve ser feito o mesmo para investimentos. Não pode se empolgar com a facilidade de investir em um clique, sem estudar a empresa”, alerta, indicando que análises superficiais, avaliando apenas as últimas notícias vinculadas à empresa não adiantam. É preciso estudar os balanços, ver o comportamento das ações nos últimos cinco anos, no mínimo.

Será um movimento muito interessante quando chegarmos a 10 milhões de investidores em bolsa, pessoas acompanhando política e macroeconomia e fazendo pressão sobre os políticos, querendo ver o resultado das empresas”, complementou.

Taxação de dividendos

Outro tema abordado na Money Week foi a taxação de dividendos, com uma menor distribuição de lucro e pagamento de imposto pelo investidor.

Os dois convidados consideram que existe uma grande possibilidade de a proposta ir mesmo adiante, dentro de um projeto mais amplo de reforma, especialmente como moeda de troca para a aprovação de outras pautas.

E pode até mesmo ter um efeito positivo – de fazer com que as empresas invistam mais no próprio negócio. Mas isto apenas se a carga tributária total for mantida, com a contrapartida de redução de imposto de renda.

Seria uma mudança de incentivos para os acionistas, que seriam motivados a investir ainda mais na empresa”, disse Bredda. “Mas isto só no terreno hipotético. O que vai sair de Brasília, ninguém sabe”, finalizou.

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