Money Week: conheça a história de Luiz Barsi, o rei dos dividendos

Paulo Amaral
Jornalismo é meu sobrenome: 20 anos de estrada, com passagens por grandes veículos da mídia nacional: Portal R7, UOL Carros, HuffPost Brasil, Gazeta Esportiva.com, Agora São Paulo, PSN.com e Editora Escala, entre outros.
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Crédito: Reprodução

O maior investidor pessoa física da Bolsa de Valores brasileira é um senhor de 81 anos, que dá expediente no centro de São Paulo e dispensa luxos. Com uma fortuna estimada em R$ 2 bilhões, Luiz Barsi construiu seu patrimônio com uma estratégia baseada em dividendos.

Ele é uma das 70 personalidades que vão palestrar na terceira edição da Money Week, a maior conferência online sobre investimentos do Brasil. O evento, totalmente online e gratuito, começa na última semana de novembro.

 

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Na Money Week, todos poderão conhecer as estratégias de investimentos de Barsi, que só no ano passado recebeu cerca de R$ 300 mil mensais de participação no lucro de uma única companhia, a Eletrobras. Sua carteira tem ainda outros nomes, como Itaúsa, Klabin, Grupo Ultra, Eternit.

Ao contrário de outros bilionários brasileiros, que herdaram suas fortunas ou os negócios da família, Barsi começou do zero. Perdeu o pai, um imigrante italiano, quando tinha apenas um ano de idade. Foi criado pela mãe, imigrante espanhola, em um cortiço, no bairro do Brás, em São Paulo.

Para ajudar em casa, foi engraxate aos 7 anos e vendeu balas no cinema. Aos 14, começou a trabalhar em uma corretora de valores e se interessou pelo universo dos investimentos.  Tornou-se  técnico em contabilidade, depois se formou em Direito e em Economia.

Como tudo começou…

Foi na década de 1970, às vésperas de se tornar economista, que Barsi criou o método que anos depois o tornaria bilionário: “carteira previdenciária de ações”.

A estratégia passa longe da aposta no sobe e desce das ações para aumento do capital. Sua aposta era na perenidade e no longo prazo.

Barsi criou um método aparentemente simples, mas que exigia paciência: comprar mil ações de uma mesma empresa mensalmente durante 30 anos.

A partir do oitavo mês, de acordo com o economista, os dividendos recebidos são suficientes para reinvestir e não é mais necessário tirar dinheiro do bolso.

“É investir em bons projetos, é uma parceria de longo prazo, você se torna um pequeno dono dessas empresas”, comentou, ao site da revista Exame.

Em entrevista para a CNN Brasil, Barsi afirmou que, depois de 10 anos de “paciência e disciplina” seguindo essa fórmula, estava aposentado. “Não como desejava, mas já não precisava mais trabalhar.”

Dividendos, o “segredo” do sucesso de Luiz Barsi

“Sem trabalhar, sentado nesta cadeira, a Eletrobras me dá o equivalente a R$ 300 mil por mês. Um salário bem razoável”, brincou, em recente entrevista à CNN.

Apesar da frase aparentemente ter conotação ostentosa, na verdade, Barsi não é o típico bilionário extravagante.

“Já tive R$ 3 bilhões, mas também já tive R$ 500 milhões. Não faço a conta”, afirmou, assegurando que não sabe quanto é seu patrimônio, mas se interessa muito pelos dividendos pagos pelas empresas em que investe dinheiro.

“Eu me dei conta de que o empresário, dono de uma empresa de capital aberto, vai sempre ter uma aposentadoria. Isso porque, além de seu trabalho, vai sempre ter um rendimento do negócio dele chamado dividendo.” Barsi diz que nem fica acompanhando o Ibovespa. “E não dou nenhum valor para o patrimônio, patrimônio não te alimenta. O que te alimenta é o dividendo, a renda que esse patrimônio gera, e é para isso que eu olho. O meu DNA é dividendo”, completou.

O portfólio de Barsi

Entre as empresas de destaque no seu portfólio, além da Eletrobras, podem ser citadas algumas cujos investimentos foram feitos quando ele iniciou sua trajetória na bolsa, há mais de cinco décadas.

Barsi diz ter na carteira ações compradas há 50 anos. Entre elas estão as do Banco do Brasil, do qual é o maior acionista individual. Também têm participação nas  empresas de papel e celulose Klabin e Suzano, no Grupo Ultra (do setor de distribuição de combustíveis), Itaúsa (holding que controla o Itaú),  na concessionária Transmissão Paulista, na fabricante de materiais de construção Eternit, e nas químicas Unipar Carbocloro e Braskem.

Ao falar sobre seu portfólio, o economista deixa dá mais uma lição: “Eu fico comprando, nunca vendo. Tenho ações do Banco do Brasil que comprei em 1972, por 60 centavos, e nunca mais vendi. Foi assim que virei o maior acionista pessoa física do banco, coisa que nem imaginava”, exemplificou.

Questionado sobre o que muitos especialistas em mercado financeiro costumam falar sobre diversificação, Barsi foi categórico: “Todo mundo fala que é necessário pulverizar, aí o Barsi vai falar pra você: todo mundo está errado, porque todo mundo não chegou aonde eu cheguei. Eles não chegaram porque não fizeram o que eu fiz, fizeram o que eles fazem”.

Pagar imposto é bom sinal, segundo Barsi

O economista mostrou ter opinião diferente de praticamente todos os brasileiros quando o assunto em pauta foi pagamento de impostos.

Para Luiz Barsi, a aversão da população ao tema é equivocada. “O brasileiro tem aversão a pagar imposto. Eu adoro pagar imposto porque é sinal de que eu ganhei, entende?”, afirmou, dizendo ser contrário apenas a um possível tributo sobre dividendos, que vem sendo estudado pelo Ministério da Economia como parte da reforma tributária.

O bilionário também tem opinião controversa sobre os bancos e até sobre a B3.

Segundo ele, os bancos “administram recursos em benefício próprio, e não do mercado”, enquanto a B3 é “um monopólio com privilégios odiosos”, que “estimula a especulação e não o investimento real nas empresas”.

Herdeira segue a mesma trilha

Louise Barsi é a filha caçula de Luiz Barsi e a maior defensora das ideias do pai, por mais controversas que pareçam aos olhos de quem acompanha o mercado financeiro.

Aos 26 anos, Louise explicou que, para que a estratégia dele funcione, não basta “não vender e ponto final”. É necessário seguir as companhias de perto, estudar seus balanços, participar das teleconferências com acionistas.

“O investidor tem que se sentir confortável. Será que ele consegue acompanhar três empresas ao mesmo tempo? Enquanto não ganha uma musculatura, pode acompanhar só uma. Quando já tem frequência, pode se aventurar por mares nunca antes navegados”, aconselhou.

“Se você investe R$ 500 em 20 empresas, não ganha nem com a valorização dos papéis, nem com os dividendos”, complementou a herdeira, caçula entre os cinco filhos do bilionário e única a trabalhar com mercado financeiro.

Louise, ao lado de dois sócios, trabalha em um projeto para ajudar novos investidores a trabalharem com dividendos: “Ações garantem o futuro”. O nome do projeto é o mesmo do livro em que ele publicou seu método pela primeira vez, em 1972.

As dicas favoritas do investidor

Como o badalado investidor escolhe os melhores nomes da bolsa para lucrar no futuro?

Em entrevistas para veículos como InfoMoney, Exame e Neofeed, entre outros, Barsi deu algumas dicas importantes:

  • Investir em holdings, empresas sólidas e setores perenes;

“Isso faz com que não tenham a receita toda concentrada em um único negócio”.

  • Investir em setores como o financeiro, de energia, saneamento ou de insumos básicos como papel e celulose;

“Você consegue viver sem energia? As pessoas vão ficar sem tomar banho por causa da crise do subprime nos Estados Unidos?”.

  • Reinvestir e aportar mais;

““Isso gera um efeito multiplicador que não existe em outras aplicações”.

  • Ficar atento às oportunidades.

Ser fiel à carteira não significa se fechar para novas oportunidades. Foi assim que, quando o governo Dilma Rousseff mexeu nas tarifas de energia elétrica, em 2012, e reduziu os preços das empresas do setor, Barsi correu para comprar mais ações da Eletrobras.

As apostas durante a crise do coronavírus

Luiz Barsi não parou mesmo durante a crise do coronavírus, que fez muita gente perder dinheiro e entrar em desespero.

Em julho deste ano, o investidor revelou que aumentou seu leque de ações de empresas como Banco do Brasil e Geradora Tietê.

De quebra, Barsi ainda divulgou qual sua aposta para um futuro próximo:

“Um papel que me agrada muito é o da Transmissora Paulista de Energia Elétrica. É um papel que tem duas trajetórias. Se presta para tê-lo na carteira como uma segurança extraordinária, uma expectativa de valorização a médio e longo prazos, e, ao mesmo tempo, paga dividendos”, explicou. “A Taesa é outro papel também, a Geradora Tietê e o Banco do Brasil também”, completou.

Para Barsi, ainda há uma longa caminhada até a total recuperação do mercado. “Não acho que houve uma retomada. De dez degraus, subimos três ou quatro. Ainda tem muito degrau para subir”.

O bilionário admitiu ainda que, em seus 50 anos como investidor, jamais viu uma crise similar à que o Brasil e o mundo vivem atualmente.

“Sou testemunha de que já tivemos crises políticas, econômicas, cambiais, de bolhas. Nenhuma delas gerou um estrago tão potente como essa crise de saúde gerou porque não permitiu que ninguém tivesse as portas abertas. Essa crise vai demorar um pouco. Muitas pessoas tiveram de fechar suas atividades, principalmente os pequenos e médios empreendedores”.

Warren Buffett brasileiro?

Avesso aos holofotes, apesar de não se negar a dar (boas) entrevistas, Barsi evita qualquer comparação com o magnata norte-americano Warren Buffett. E explica:

“Não sou o Buffett brasileiro. O negócio é o seguinte: tem que ter uma máxima a ser respeitada. O cidadão que compra ações de boas empresas, que pagam dividendos, que têm uma perspectiva boa de crescer e evoluir, vai ganhar dinheiro”, resumiu.

As apostas erradas do “rei da bolsa”

Nem só de glória e sucesso vive Luiz Barsi. O “rei da bolsa” já  fez algumas apostas erradas e, com isso, perdeu dinheiro.

Os negócios “furados” em que Barsi investiu foram, segundo ele, porque as empresas não vingaram e acabaram falindo nos anos 90, como os bancos Nacional, Econômico e Progresso.

“Foram três perdas que eu tive que sustentar, mas que não me abalaram porque eu continuava com os outros papéis. Eu nunca perdi nada porque comecei do zero e aquilo que me foi tirado foi parte do que ganhei do mercado”, disse à CNN.

 

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