Money Week terá André Esteves, um dos maiores banqueiros do País

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: Divulgação Money Week

Aos 52 anos e com um patrimônio estimado em R$ 24,96 bilhões, André Esteves desponta como o sétimo colocado no ranking de bilionários brasileiros de 2020 da revista Forbes.

Por trás da cifra,  está a história de um jovem carioca de classe média que se tornou um dos maiores banqueiros do País.

André Esteves é um dos convidados da próxima Money Week , maior evento online totalmente gratuito de investimentos da América Latina, que começa nesta segunda-feira (23).

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Hoje o Twitter é pauta na Money Week.

No início, ele só queria um emprego

Criado pela mãe e pela vó, André Esteves tinha um objetivo de vida quando começou a cursar sua faculdade: conseguir um emprego. “Era um ambiente econômico horroroso”, lembrou durante evento da Fiesp. “Ter um emprego era o mais importante, era o que todo mundo queria. Empreender era um delírio na época.”

Ele contou que tinha muitos interesses, mas, pelas dificuldades financeiras que sua família enfrentava, era preciso ser muito prático: entrar em uma faculdade pública e em um curso que fosse passaporte para uma vaga de trabalho.

“Eu era bom aluno e gostava de muita coisa. Mas fui fazer matemática porque tinha emprego. Eu tinha que entrar em uma faculdade que não precisasse pagar e ela tinha que ser boa”, complementou.

Foi, então, que ele começou a cursar matemática com ênfase em informática na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Informática, na época, era considerado um campo bastante promissor.

Esteves começou a trabalhar na própria faculdade, mas sabia que precisava expandir horizontes. Até que, lendo um jornal, descobriu que um banco de investimentos estava recrutando jovens talentos. “Eu não fazia ideia do que era um banco de investimentos, mas coloquei minha melhor roupa e fui.”

Trabalho duro, mas com meritocracia

O banco em questão era o Pactual, fundado por André Jakurski, Luiz Cezar Fernandes, Renato Bronfman e o hoje ministro da Economia, Paulo Guedes. Ali, um time jovem e ambicioso estava ganhando destaque no mercado financeiro, com uma proposta de trabalho que soou a Esteves como o ambiente perfeito para se desenvolver.

Trabalhava-se duro, mas com bonificações que recompensavam e estimulavam a dedicação. “A palavra meritocracia nem era falada na época, mas era isso. Esse discurso me seduziu”, afirmou.

Esteves conta que, chegando em casa, contou para a mãe que iria trabalhar em banco, ganhando metade do que recebia no estágio da faculdade, mas que acreditava fortemente nas bonificações. A mãe, professora universitária, duvidou: “Mas você vai acreditar em banqueiro?”, ela disse. Não só acreditou, como se tornou um.

Carro roubado no primeiro dia

Logo no primeiro dia do trabalho, porém, ele teve um revés. Seu carro, um Gol ainda não quitado, foi roubado na porta do escritório. “O Gol representava uns 150% do meu patrimônio. Não tinha seguro e eu ainda tinha uma dívida a pagar. E eu ganhava, então, uns R$ 400 de salário”, recordou, rindo da própria má sorte.

Resiliente e endividado, ele seguiu no banco e, com a formação que possuía, acabou virando o faz tudo que consertava os computadores. Mas sua dedicação era grande e logo ele foi notado. Virou operador de mesa de renda fixa.

Neste outro começo, mais uma surpresa desagradável: logo que assumiu a renda fixa, veio o Plano Collor, com forte impacto nesta modalidade de investimento.

Os executivos do banco se desdobravam para encontrar saídas ao plano, quando Esteves sugeriu elaborar um fundo de aplicação em fundos de aplicação financeira (FAFs). O plano deu certo e ele ganhou nova promoção: virou chefe da equipe de renda fixa.

As bonificações cresceram e veio, então, o convite para se tornar sócio, mediante a aquisição de ações.

A crise econômica que se seguiu e discordâncias internas fizeram com que Jakurski e Guedes se afastassem do Pactual.

Luiz Cezar Fernandes seguiu à frente dos negócios, com foco em transformar o Pactual em um banco de varejo. No entanto, a estratégia não deu certo.

Diante das dificuldades financeiras de Fernandes, Esteves e mais três colegas se juntaram e fizeram uma proposta: eles pagariam as dívidas do banqueiro, mas em troca queriam sua participação total no banco.

O Pactual seguiu só como banco de investimentos e Esteves se tornou sócio-gerente. Em 2006, o banco UBS comprou o Pactual por US$ 3,1 bilhões, mas Esteves e os sócios continuaram no negócio.

Bilionário aos 37

Aos 37 anos, ele já tinha um patrimônio pessoal de US$ 1 bilhão e era chefe global da área de renda fixa do UBS Pactual. Ficou no cargo por mais dois anos.

Depois, se afastou e, junto a nove sócios minoritários, começou do zero com o BTG Investments. Em 2008, em plena crise mundial, o novo banco já se destacava pelos resultados.

Back do the game

Enxergando na crise uma oportunidade, Esteves realizou o que possivelmente tenha sido sua maior sacada: com o UBS endividado, ele recomprou o Pactual por US$ 2,5 bilhões – ou seja, valor inferior ao que recebeu pela venda três anos antes.

Esteves tornou-se, então, CEO e chairman do novo BTG Pactual, levando a instituição a figurar como o maior banco de investimentos da América Latina. O Financial Times já chegou a chamar o BTG Pactual de “Goldman Sachs Tropical”, tamanha sua relevância.

Durante a jornada de sucesso, o banco se envolveu em atuações bastante complexas. Como a compra do Panamericano, o banco falido de Silvio Santos; a participação na Sete Brasil, criada para operar sondas da Petrobras; além da reestruturação das empresas de Eike Batista.

Esteves chegou a ter seu nome envolvido em uma delação da operação Lava-Jato, mas foi absolvido por falta de provas.

Reconhecimentos e ações filantrópicas

Esteves foi eleito banqueiro do ano pela World Finance em 2015. Também pessoa do ano pela Câmara de Comércio Brasileira do Reino Unido em 2014; e pessoa do ano pela Câmara de Comércio EUA-Brasil em 2012. Ainda, uma das 50 pessoas mais influentes do mundo pela Bloomberg em 2012.

Além da atuação no mercado financeiro, ele também se envolve em diversas causas filantrópicas e humanitárias. Esteves é membro do Conselho da Conservation International (CI), uma das mais importantes instituições do mundo na preservação do meio ambiente. Dedica-se ainda a projetos e instituições que ajudam a melhorar a educação, o meio ambiente e a saúde.