Dossiê da Análise Fundamentalista: aprenda sobre o tema e faça sua inscrição para o Cases da Bolsa

Carla Carvalho
Graduada em Ciências Contábeis pela UFRGS, pós-graduada em Finanças pela UNISINOS/RS. Experiência de 17 anos no mercado financeiro, produtora de conteúdo de finanças e economia.

Crédito: Pixabay

Na próxima terça-feira (28), aEQI Investimentos promove o evento Cases da Bolsa. Online e gratuito, ele contará com a participação de especialistas ensinando o investidor a fazer análise fundamentalista e não perder nunca mais uma oportunidade na bolsa. Para participar, basta realizar o seu cadastro:

Mas para “aquecer os motores” até lá, vamos de dossiê da análise fundamentalista, com uma síntese de todos os principais pontos que serão abordados no evento.

Praticidade e precisão, saiba quais melhores investimentos e como melhorar rentabilidade de suas ações

O que é análise fundamentalista?

A análise fundamentalista é uma metodologia que reúne diversas informações financeiras e mercadológicas das empresas para definir se vale a pena ou não investir em suas ações.

Nesse sentido, são utilizados demonstrativos contábeis, indicadores financeiros, dados macroeconômicos, projeções financeiras e de resultados, e tudo mais que possa exercer alguma influência sobre o valor dos títulos das empresas. Ao reunir e analisar todas essas informações, o investidor consegue ter parâmetros consistentes para comparar diferentes empresas e decidir pelas melhores opções de investimentos.

A análise fundamentalista é a metodologia preferida de quem adota a estratégia buy and hold (investidores de longo prazo). Ou seja, o objetivo desse investidor é adquirir bons títulos e permanecer com eles durante muito tempo, e não vendê-los assim que alcancem alguma valorização.

Como fazer uma análise fundamentalista?

Para facilitar o entendimento desse processo, dividimos a análise fundamentalista em três etapas.

Primeiramente, conheceremos alguns dos indicadores financeiros mais utilizados por essa estratégia.

Logo após, veremos dois métodos que estabelecem relações entre as empresas e o mercado (top down e bottom up).

Por fim, mostraremos como funciona o valuation, técnica utilizada por grandes nomes do mercado, como Warren Buffett, e aperfeiçoada por Aswath Damodaran. Confira a seguir!

Principais indicadores financeiros da análise fundamentalista

A maioria dos indicadores financeiros que veremos a seguir pode ser obtida com base nas informações das demonstrações contábeis da empresa. Nesse sentido, as principais são o Balanço Patrimonial (BP) e a Demonstração de Resultados do Exercício (DRE).

Preço sobre Lucro (P/L)

O P/L é um dos indicadores mais utilizados por quem investe em ações. Basicamente, ele serve para demonstrar a relação entre o preço atual de uma ação e o lucro que essa ação acumulou nos últimos 12 meses.

A sua fórmula é a seguinte:

P/L = Preço atual da ação / Lucro por ação nos últimos 12 meses 

Ao analisar esse indicador, o investidor consegue descobrir quantos anos serão necessários para ele recuperar o valor investido somente com o recebimento de lucros da empresa. Teoricamente, quanto mais alto o P/L, mais os investidores estarão dispostos a pagar pelos lucros da companhia.

Preço sobre Valor Patrimonial (P/VP)

O P/VP é outro indicador que se pode utilizar para saber se uma ação está cara ou barata. Nesse sentido, ele representa o valor da empresa em bolsa dividido pelo seu patrimônio líquido.

A sua fórmula é a seguinte:

P/VP = Valor de mercado / Valor patrimonial

Quando o P/VP é inferior a 1, significa que a empresa vale em bolsa menos do que o seu patrimônio líquido. Isso pode significar que o mercado está vendo algum problema na ação, ou que ela representa uma boa oportunidade para o investidor. Para uma análise mais assertiva, deverão ser contemplados outros indicadores financeiros.

Enterprise Value (EV)

Também conhecido como valor da firma, o EV mostra quanto seria preciso gastar  para adquirir a empresa, considerando todos os seus ativos e passivos.

A fórmula do EV é a seguinte:

EV = valor de mercado + dívida – caixa

Por sua vez, o valor de mercado é obtido multiplicando o número de ações em circulação pelo preço de cada uma delas:

Valor de mercado: n° de ações em circulação X preço da ação.

EBITDA

A sigla significa earnings before interest, taxes, depreciation and amortization (ou lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização).

Basicamente, o EBITDA mostra a geração operacional da empresa, ou seja, o quanto ela gera de dinheiro somente com a sua atividade. Por isso, trata-se de um importante indicador de eficiência operacional, muito utilizado pela análise fundamentalista.

Dívida Líquida/EBITDA

A Dívida Líquida/EBITDA mostra a relação entre a dívida total da empresa e o quanto ela gera de caixa operacional. Em outras palavras, esse indicador demonstra quanto tempo seria necessário para a empresa pagar toda a sua dívida somente com a geração de caixa da própria operação.

Dívida Líquida/PL

Esse é mais um indicador de endividamento, que representa o total das dívidas da empresa em relação ao seu capital próprio. Dessa forma, quanto menor for a relação Dívida Líquida/PL, menos a empresa estará endividada e mais saudável será a sua situação financeira.

ROE

A sigla ROE (return on equity) significa retorno sobre o patrimônio líquido. Nesse sentido, o indicador mede a rentabilidade sobre o dinheiro colocado pelos acionistas na empresa.

Em outras palavras, o ROE vai demonstrar o quanto a empresa consegue gerar de lucro com base no seu patrimônio líquido.

A sua fórmula é a seguinte:

ROE = lucro líquido do exercício / patrimônio líquido.

ROIC

ROIC (return on invested capital), ou retorno sobre o capital investido mostra o quanto a empresa gera de recursos mediante o capital investido (próprio e de terceiros)

Esse indicador permite uma noção geral da rentabilidade do negócio. Ou seja, quanto maior ele for, mais eficiente em termos de resultados a empresa será.

Para calcular o ROIC, é preciso conhecer o NOPAT e o capital investido.

Na tradução, NOPAT significa lucro operacional sem os impostos (ou EBIT). Por sua vez, o capital investido é a soma de todos os recursos investidos na empresa, sejam eles de sócios ou de terceiros.

Assim, temos que a fórmula do ROIC é:

ROIC = NOPAT / capital investido

Da mesma forma que o ROE, o ROIC está relacionado à rentabilidade da empresa. A diferença é que o ROIC considera em seu cálculo também o capital de terceiros, ao passo que o ROE contempla apenas o capital próprio na geração de resultados.

ROA

O ROA (return on assets), que significa retorno sobre ativos, é utilizado para avaliar a geração de valor de um negócio. Nesse sentido, o indicador demonstra, em percentual, quanto de dinheiro voltou para o investidor sob a forma de lucro.

Para calcular o ROA, basta dividir o Lucro Líquido pelo ativo total da empresa:

ROA = (Lucro Líquido / Ativo Total) x 100

Teoricamente, quanto mais alto for o ROA, mais eficiente deverá ser a empresa. Isso porque ela tem capacidade de gerar mais resultado com um investimento menor em ativos.

Dividend Yield (DY)

O dividend yield (DY) é muito utilizado para quem busca ter renda passiva com investimentos. Isso porque ele demonstra o quanto uma ação paga de dividendos a um acionista, proporcionalmente à quantidade de ações que ele possui.

A fórmula do DY é a seguinte:

DY = dividendo por ação / preço da ação

Quanto maior for o DY, maior será o pagamento de dividendos que a empresa fará aos seus acionistas.

Dividend Payout

Já o dividend payout demonstra o quanto do lucro a empresa distribuirá aos acionistas. Ele é expresso em percentual, e sua fórmula é a seguinte:

Dividend Payout = (dividendos totais / lucro líquido) x 100

Por exemplo, se uma empresa apresentou um payout de 30%, isso significa que  ela distribuiu 30% do lucro do exercício aos acionistas nos últimos 12 meses. Os restantes 70% foram retidos como reservas ou para fins de novos investimentos.

Top down e bottom up

Top down e bottom up são duas estratégias utilizadas pela análise fundamentalista para avaliação de investimentos. No entanto, elas contemplam aspectos diferentes e, por isso, o ideal é que sejam utilizadas de maneira complementar. A seguir, entenda o que são e qual a diferença entre ambas.

Top down

Top down (ou de cima para baixo) é uma estratégia de análise que inicia pelos fatores macroeconômicos, e vai descendo até alcançar detalhadamente os fundamentos da empresa.

Ao adotar essa estratégia, o investidor procurará entender primeiro o cenário econômico, indicadores de inflação, taxas de juros, câmbio, e assim por diante. Após analisar esses fatores, a próxima etapa é entender a atuação da empresa no mercado, comparando-a à concorrência. Por fim é que serão analisados os indicadores financeiros e outros detalhes inerentes à organização.

Em relação ao ciclo de negócios da empresa, a estratégia top down considera três etapas distintas:

  • Expansão: é a melhor fase de desempenho da empresa. Nesse momento, a expectativa é o incremento da atividade e a melhoria contínua dos resultados. Por isso, no período de expansão, normalmente os preços das ações estão em alta.
  • Pico: aqui, tanto a empresa quanto economia local já atingiram a maturidade. Ou seja, já não há tanto espaço para que o crescimento continue.
  • Contração: depois do pico, ocorre o movimento natural de contração, que é quando a atividade econômica começa a arrefecer. Isso significa que, de forma geral, o consumo desaquece e as empresas começam a reduzir a atividade. A etapa de contração é natural nos ciclos financeiros. No entanto, ela pode ser agravada, ou mesmo antecipada, por crises econômicas.
  • Ponto de virada: por fim, o ponto de virada reinicia o ciclo de retomada da atividade. Nesse momento, a economia começa a reagir e a população volta a consumir. Dessa forma, as empresas retomam gradualmente os patamares anteriores de produção.

Bottom up

Já a estratégia bottom up (de baixo para cima) é inversa ao top down. Ou seja, a análise da empresa inicia pelos pontos mais específicos, como demonstrações contábeis e indicadores financeiros. Logo após, serão avaliados os critérios de governança da empresa. Por último é que será feita a análise dos fatores macroeconômicos que influenciam no desempenho da companhia.

A metodologia bottom up classifica as empresas em três categorias: defensivas, cíclicas e em crescimento.

As empresas defensivas, também chamadas de anticíclicas, costumam ser menos vulneráveis aos ciclos econômicos. Isso porque as pessoas não deixam de consumir seus produtos mesmo quando a economia está contraída. Alguns exemplos são os setores de alimentação, medicamentos e serviços públicos.

Por outro lado, o desempenho das empresas cíclicas está diretamente relacionado com a performance da economia. Dessa forma, essas empresas apresentam bom desempenho em momentos prósperos. No entanto, períodos de recessão fazem com que reduzam as suas atividades. Nesse sentido, alguns exemplos são os segmentos da construção civil e a indústria.

Por fim, as empresas em crescimento são as que conseguem se descolar das tendências do mercado. Normalmente, isso acontece com startups e com outras empresas que investem fortemente em inovações tecnológicas.

Valuation

Por fim, conheceremos o valuation, que, traduzido literalmente, significa “avaliação” ou “valoração”.

De forma geral, o valuation busca relacionar o valor de uma ação ou outro ativo financeiro a fatores que possam influenciá-lo. Desse modo, consegue determinar quanto esse ativo poderá trazer de retorno ao investidor.

Existem diferentes maneiras de se fazer o valuation. Nesse sentido, algumas das mais conhecidas são as seguintes:

Fluxo de caixa descontado (FCD)

A metodologia do fluxo de caixa descontado é uma das mais completas formas de se fazer valuation. Basicamente, o FCD busca descobrir o valor futuro da empresa ao realizar projeções dos seus resultados. Dessa forma, pode-se  encontrar o valor intrínseco da companhia.

Uma das principais vantagens dessa metodologia é permitir avaliar o fluxo de caixa da empresa no médio e longo prazo. De forma geral, o período utilizado para o cálculo é de cinco a dez anos.

Múltiplos de mercado

Já o valuation baseado nos múltiplos de mercado utiliza a comparação de indicadores financeiros. Nesse caso, as comparações podem ser feitas entre os indicadores da própria empresa em diferentes anos ou entre os indicadores atuais e os de outras empresas de mesmo porte e setor de atuação.

Valor patrimonial

O valor patrimonial é a forma mais fácil e direta de fazer o valuation. Nesse caso, a empresa é avaliada pelo valor do seu patrimônio.

Basicamente, é como se fosse tirada uma fotografia da empresa em uma determinada data. Nesse momento, soma-se o ativo circulante e o ativo não circulante e, logo após, deduz-se todas as suas obrigações. O resultado do cálculo será o valor patrimonial da companhia.

No entanto, o valor patrimonial não considera no seu cálculo os ativos intangíveis. Por isso, poderão ocorrer distorções no caso de empresas que possuem marcas e patentes valiosas.

Valor de liquidação

Por fim, o valuation pelo valor de liquidação também é dado pela diferença entre os ativos e passivos da empresa. Nesse caso, a diferença é que o valor de liquidação é utilizado, normalmente, só para levantar o patrimônio total da companhia no caso de encerramento de suas atividades.

Esse foi somente um resumo do que é o valuation e de que formas ele pode ser utilizado. Como o assunto é bem mais extenso e complexo, sugerimos que você clique nos links abaixo para saber mais sobre valuation e value investing.

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