Cases da Bolsa: entenda o valuation, metodologia de análise de empresas

Redação EuQueroInvestir
Colaborador do Torcedores

Crédito: Pixabay

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Entre os temas que serão abordados está o valuation. Se você já investe, ou pretende começar a investir em ações, é muito importante que conheça a metodologia. Trata-se de um conjunto de técnicas utilizadas pela análise fundamentalista para avaliar as companhias e precificar os seus títulos.

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É importante saber que essa metodologia pode ser utilizada também para outros investimentos. No entanto, nosso foco nesse artigo será o valuation de empresas.

Continue a leitura, e entenda o que é e de que formas se pode utilizar o valuation para selecionar as ações da carteira. Confira a seguir!

O que significa valuation?

Traduzida literalmente do inglês, a palavra significa “avaliação” ou “valoração”.

Basicamente, o valuation determina que todo ativo vale algo em função do retorno financeiro que proporcionará ao investidor.

Em outras palavras, o objetivo de quem investe sempre é receber um valor maior do que aportou inicialmente. Nesse sentido, o valuation busca estabelecer relações entre o valor do ativo e tudo o que possa exercer influência sobre ele, para, então, determinar o quanto ele trará de retorno para o investidor.

Essa metodologia é muito utilizada pela análise fundamentalista. Isso porque alguns indicadores ajudam a determinar o preço justo de uma ação e, dessa forma, é possível encontrar boas oportunidades de investimentos.

Como fazer o valuation?

Como vimos no início, estamos falando de um conjunto de técnicas, e não de uma metodologia de avaliação específica. Logo, há diferentes formas de se fazer o valuation de uma empresa.

A seguir, veremos algumas das mais conhecidas e utilizadas por investidores.

Fluxo de caixa descontado (FCD)

O fluxo de caixa descontado é uma das mais completas e utilizadas formas de se fazer valuation. Basicamente, essa metodologia procura descobrir o quanto a empresa valerá no futuro a partir de projeções dos seus resultados. Ao fazer isso, é possível encontrar o valor intrínseco da companhia.

É importante saber que o FCD não é utilizado só na avaliação das empresas, mas também na analise de viabilidade de projetos de forma geral.

Como funciona o FCD

O objetivo dessa metodologia é trazer a valor presente o fluxo de caixa futuro, seja de uma empresa ou de um projeto específico. Para isso, é utilizada uma taxa de desconto, que contempla o custo do capital e os riscos inerentes ao negócio.

De forma geral, o FCD considera três elementos:

– Estimativa de fluxo de caixa: é a projeção de tudo o que a empresa faturou e gastou em um período específico. Essa estimativa é importante quando, por exemplo, uma empresa necessita de recursos para financiar algum projeto e o submete a investidores. Nesse caso, a projeção mostrará quanto o projeto poderá agregar nos resultados da empresa no futuro.

– Taxa de desconto: essa taxa é determinada pelo custo médio ponderado de capital da empresa e pelos riscos do investimento. Esses valores não são fixos, e dependem de várias premissas, como indicadores financeiros da empresa, risco da atividade, entre outros.

– Valor residual: Em uma empresa, todos os bens que formam o seu ativo (máquinas, automóveis, entre outros) têm um prazo de vida útil determinado. O valor residual representa o que esses bens valem após o término de sua vida útil.

Após serem identificados os três itens acima é que se pode calcular o FDC.

Essa metodologia é considerada por muitos analistas a forma mais completa para o valuation. Nesse sentido, uma de suas principais vantagens é a possibilidade de avaliação do caixa da empresa no médio e longo prazo. Normalmente, o período utilizado para o cálculo é entre cinco e dez anos. Acima disso, as projeções correm o risco de se tornarem pouco precisas.

Múltiplos de mercado

Já a técnica dos múltiplos de mercado se baseia em comparações de indicadores. Nesse sentido, as comparações podem ser feitas analisando os indicadores da própria empresa em anos anteriores ou comparando os atuais a outras companhias que têm o mesmo porte ou atuam no mesmo segmento.

O objetivo dos múltiplos de mercado é verificar se uma ação está cara ou barata. Nesse sentido, alguns dos mais utilizados são os seguintes:

P/L (Preço/Lucro)

Um dos múltiplos mais conhecidos e utilizados, o P/L mostra quanto cada ação pagou de lucro ao investidor em relação ao preço pelo qual foi adquirida. Em outras palavras, o indicador dá uma ideia de quanto o mercado está disposto a pagar pelos lucros da empresa.

Quando se vai comprar uma ação, de nada adianta olhar somente o seu preço. Em vez disso, deve-se avaliar o quanto ela pode trazer de lucro mediante o preço pago, pois, em alguns casos, uma ação mais cara pode trazer retorno muito maior ao investidor.. É exatamente essa a função do P/L

P/VPA (Preço/Valor Patrimonial)

Enquanto o P/L avalia a ação mediante o lucro que ela proporciona, o P/VPA considera se o título está pouco ou muito valorizado em função do valor do seu patrimônio líquido (PL). Ou seja, ele é um indicativo de quanto os investidores pagaria pelo PL da empresa.

Dessa forma, temos:

P/VPA menor que 1: a empresa vale menos do que o seu PL. Em tese, a ação estaria “barata”.

P/VPA maior que 1: a empresa vale mais do que o seu PL. Logo, a ação estaria “cara”.

P/VPA igual a 1: a empresa vale exatamente o seu PL.

É importante saber que a relação acima é somente um indicativo, não algo a se considerar isoladamente para decidir pela compra ou não de uma ação. Isso porque, para avaliar adequadamente uma empresa, é necessário combinar a análise de vários outros indicadores.

Clique no link abaixo, e veja como esse tema foi abordado de forma mais ampla.

Como diversificar a carteira de ações: 3 dicas importantes (euqueroinvestir.com)

EV/EBITDA (Valor da empresa/EBITDA)

Esse indicador demonstra em quanto tempo o investimento se pagaria somente com a geração de caixa operacional da empresa. Ao comparar o EV/EBITDA de empresas diferentes, é possível identificar as que têm maior eficiência operacional.

DY (Dividend Yield)

Já o dividend yield compara os dividendos recebidos pelo acionista no último ano com o valor da ação no momento do cálculo. Esse indicador é importante para o investidor que deseja uma entrada de caixa periódica com o resultados das aplicações.

A sua fórmula é a seguinte:

DY = (dividendos pagos em 12 meses / preço atual da ação) x 100

Limitações da metodologia

Por causa da sua simplicidade, os múltiplos de mercado acabam sendo uma das metodologias mais utilizadas no valuation. No entanto, para que traga bons resultados, é melhor que se analise empresas de um mesmo setor. Logo, se uma companhia não possui concorrentes, a metodologia fica limitada por não haver comparações a serem feitas.

Além disso, ao considerar somente os indicadores, não há uma visão clara sobre o atual momento da empresa. Isso pode atrapalhar na identificação de outros fatores ou riscos importantes.

Valor patrimonial

Esse é o método de valuation mais fácil e direto. Como o nome sugere, a empresa é avaliada pelo valor do seu patrimônio.

Trata-se de uma fotografia da empresa em uma determinada data, exatamente como ocorre com o balanço patrimonial. Nesse sentido, é preciso somar o ativo circulante da empresa (caixa, recebíveis, estoques, etc) e o ativo não circulante (imóveis, máquinas, equipamentos, etc). Depois disso, subtrai-se desse total todas as obrigações da empresa (fornecedores, salários, bancos, entre outros). O resultado será o valor patrimonial da companhia.

Veja que o valuation pelo valor patrimonial depende totalmente das demonstrações contábeis. Por isso, para que essa metodologia seja assertiva, a contabilidade da empresa deve ser confiável e bem organizada.

Um dos problemas do valor patrimonial é o fato de não serem considerados os ativos intangíveis no seu cálculo. Dessa maneira, pontos importantes como marcas e patentes não são avaliados, e isso distorce a análise.

Valor de liquidação

Por fim, temos o valor de liquidação, muito semelhante à metodologia anterior. Ou seja, chega-se no valuation pela diferença entre os ativos e passivos da empresa.

Nesse caso, a diferença que o valor de liquidação é utilizado, na maioria das vezes, somente para levantar o patrimônio total da empresa para o encerramento de sua atividade operacional.

Para que mais o valuation é importante?

Como vimos, o objetivo do valuation é definir um valor justo para a empresa. Além de ajudar a encontrar as melhores ações para investir e auxiliar as empresas nas estratégias de gestão, a técnica também é utilizada em outras situações. Vejamos algumas delas:

Abertura de capital

Quando uma empresa deseja fazer a sua oferta pública inicial (IPO), ela precisa determinar quantas ações colocará à venda e por qual valor elas serão negociadas.

Nesse sentido, o valuation determinará o valor total da empresa. Ao dividir esse valor pelo número de papéis que serão negociados, encontra-se o preço de cada um deles.

Logicamente esse preço sofrerá alterações após o IPO, a depender da reação do mercado. Mas o valor inicial é definido pelo valuation da empresa.

Fusões e aquisições

Nessas transações, o valuation é um dos pré-requisitos mais importantes para a precificação das empresas. Isso porque, por meio do laudo de avaliação, ele dá visibilidade ao mercado e segurança aos possíveis investidores sobre aspectos legais e financeiros das organizações.

Cisões, saída de sócios e partilha de bens (herança)

Essas situações podem ser traumáticas e, muitas vezes, envolvem litígios que demoram a se resolver. Nesses casos, utilizar o valuation dará mais transparência aos processos e pode encurtar os prazos legais.

(Por Carla Carvalho)