Carteira de ações: 3 dicas importantes para diversificar os investimentos

Redação EuQueroInvestir
Colaborador do Torcedores
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Em tempos de juros baixos, investir no mercado acionário passou a ser uma opção até mesmo entre os investidores mais conservadores. No entanto, é fundamental diversificar a carteira de ações, para que a estratégia tenha sucesso.

Nesse artigo, falaremos sobre três pontos básicos que você deve observar para diversificar corretamente a sua carteira de ações: os setores da bolsa, a análise das ações e a diversificação internacional. Confira a seguir!

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Carteira de ações: os principais setores da bolsa

A bolsa de valores classifica as empresas em 10 principais setores. É importante conhecê-los para investir em diferentes perfis de empresas. Não adianta, por exemplo, ter três empresas na carteira, mas todas terem o mesmo perfil.

1. Bens industriais

Esse setor engloba companhias diretamente envolvidas na produção de bens de capital, serviços de transporte e infraestrutura, e é um dos maiores da bolsa. Alguns exemplos de empresas classificadas no setor de bens industriais são Embraer, Gol, Azul e Weg.

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2. Comunicações

O setor de comunicações é subdividido em mídia, telecomunicações, telefonia fixa e produção e difusão de filmes e programas. Nessa caso, alguns exemplos são Oi, Tim, Cinesystem, Telemar e Telefônica Brasil.

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3. Consumo cíclico

Basicamente, o consumo cíclico engloba bens de consumo não essenciais. Dessa maneira, as companhias desse setor acabam sentindo mais os efeitos de  crises econômicas, uma vez que seus produtos são os primeiros a deixarem de ser consumidos nesses momentos. Algumas empresas desse setor são CVC, Magazine Luiza, Via Varejo, Vivara e Arezzo.

4. Consumo não-cíclico

Por sua vez, nesse setor as companhias são menos sensíveis aos ciclos econômicos. Isso porque o consumo não-cíclico abrange subsetores como alimentos, bebidas, agronegócio, entre outros. Ambev, JBS e Camil Alimentos, são alguns exemplos de ações de consumo não-cíclico

5. Saúde

Já esse setor abrange empresas de planos de saúde, comércio e distribuição de medicamentos, serviços médicos e outros relacionados à saúde. Recentemente, grandes empresas desse setor fizeram IPO na bolsa, entre elas a Rede D’Or, em dezembro de 2020.

6. Financeiro

O setor financeiro também está entre os mais representativos da B3. Nesse sentido, abrange bancos, corretoras, seguradoras, empresas de previdência e do ramo imobiliário. Alguns exemplos são Itaú Unibanco, Bradesco, Shopping Iguatemi e Sul América

7. Petróleo, gás e combustíveis

No caso desse setor, temos a Petrobras como principal representante na bolsa, inclusive com grande participação no Ibovespa.

8. Materiais básicos

Nesse segmento estão relacionadas as fornecedoras de insumos para outros setores, como minérios, produtos químicos e embalagens. Brasken, Klabin, Siderúrgica Nacional e Gerdau são algumas das companhias de materiais básicos.

9. Tecnologia da informação

Trata-se de um setor ainda pouco expressivo na bolsa brasileira, mas que possui empresas importantes listadas. Nesse sentido, o setor de TI possui duas subclassificações: computadores e equipamentos e programas e serviços. Algumas companhias importantes desse segmento são Positivo, Locaweb, Totvs e Universo Online.

10. Utilidade pública

Por último, esse segmento é composto basicamente por companhias estatais Isso porque ele contempla a prestação serviços públicos, como água, energia e saneamento. Copel. Algumas dessas empresas são AES Sul, Cemig, Sanepar e Eletropaulo.

Análises para escolher a carteira de ações

Agora que você já sabe como estão classificadas as empresas na bolsa, é hora de analisá-las para formar a sua carteira de ações.

Nesse sentido, existem duas principais escolas utilizadas no mercado acionário: a análise técnica e a análise fundamentalista. Vejamos agora como atua cada uma dessas metodologias.

Nesse artigo, daremos mais ênfase à análise fundamentalista. Isso porque os indicadores da análise técnica são bem mais complexos, e já foram abordados separadamente neste artigo sobre volatilidade.

Análise técnica

Basicamente, a análise técnica (também chamada de análise “gráfica”) estuda o movimento do preço das ações ao longo do tempo a partir de gráficos. Por meio da observação de como se comportaram os preços no passado, os analistas determinam padrões de comportamento futuro.

Em outras palavras, a análise técnica leva muito mais em consideração o histórico de movimentação dos preços do que perspectivas de mercado. Por isso, ela é mais utilizada no curto prazo, principalmente por profissionais e investidores que operam no day trade.

Análise fundamentalista

Por sua vez, a análise fundamentalista considera fatores macroeconômicos, mercado de atuação e indicadores financeiros para avaliar as empresas. Como o próprio nome sugere, essa metodologia está interessada nos fundamentos da companhia, e não na movimentação passada dos preços da carteira de ações.

Vejamos agora como funcionam os fatores macroeconômicos, de mercado e internos da empresa avaliados pela análise fundamentalista.

Fatores macroeconômicos

Os fatores macroeconômicos são aqueles que têm relação com a à conjuntura econômica à qual pertence a companhia. Nesse sentido, a evolução do PIB e projeções de indicadores como taxas de juros, inflação e câmbio são alguns exemplos.

Fatores de mercado

Já os fatores de mercado estão relacionados às perspectivas do setor de atuação da empresa e ao seu posicionamento frente à concorrência.

Fatores internos

Por sua vez, os fatores internos estão relacionados especificamente à empresa. A depender do aspecto que eles abordam, podem ser qualitativos ou quantitativos.

Basicamente, os aspectos qualitativos dizem respeito às relações internas da companhia e à sua imagem perante a sociedade. Nesse sentido, critérios de governança corporativa, inclusão social, sustentabilidade são alguns exemplos.

Já os aspectos quantitativos são analisados por conceitos contábeis e indicadores financeiros, os quais veremos a seguir.

Conceitos contábeis e indicadores financeiros utilizados pela análise fundamentalista

Alguns dos principais conceitos contábeis e indicadores financeiros utilizados pela escola fundamentalista na avaliação da carteira de ações são os seguintes:

Receita líquida de vendas

A receita líquida de vendas representa o faturamento total da empresa deduzido  dos impostos, descontos, abatimentos e devoluções. No Demonstrativo de Resultado do Exercício (DRE), ela é expressa da seguinte forma:

Receita bruta de vendas

(-) impostos

(-) descontos e abatimentos

(-) devoluções de vendas

= Receita líquida de vendas

É importante analisar a evolução da receita líquida ao longo dos exercícios. Isso porque, além de comparar o desempenho da empresa com a concorrência, ela permite identificar possíveis problemas operacionais, caso esteja reduzindo.

EBITDA

EBITDA representa a geração de caixa operacional da empresa, ou seja, os recursos que a companhia consegue gerar somente com a sua atividade operacional. Isso porque, no cálculo do EBITDA, não são considerados juros, impostos, depreciação e amortização.

EV

O EV (enterprise value ou valor da firma) é a soma dos ativos e das obrigações de uma empresa. Em outras palavras, o indicador mostra ao investidor quanto custaria para comprar a companhia.

Isso porque, ao se adquirir uma empresa, não se está comprando somente os seus bens, mas também as suas dívidas.

EV/ EBITDA

Ao saber o EBITDA e o EV de uma empresa, pode-se descobrir quanto tempo levaria para o investimento na sua compra ser pago com o lucro operacional. Isso ajuda a identificar as empresas com mais eficiência operacional.

LPA (lucro por ação)

Como o nome diz, esse indicador mostra o quanto do lucro total da empresa é representado por cada um de seus títulos em circulação no mercado. Ou seja:

LPA = lucro líquido / n° de ações em circulação

Para saber quanto uma ação irá render para o investidor, não basta saber somente o lucro líquido da empresa. Isso porque, se a companhia teve lucro mas também emitiu mais títulos, esse resultado ficará diluído entre mais acionistas.

P/L (preço/lucro)

O P/L mostra a relação entre o preço de cada ação e quanto ela pagou ao investidor no último exercício. Dessa forma, esse indicador dá uma ideia de quanto os investidores estão dispostos a pagar pelo lucro da companhia.

Esse indicador é importante porque mostra o preço da ação associado ao lucro que ela proporciona. Em outras palavras, não adianta somente olhar o preço do título; é preciso saber quanto ele pode proporcionar de retorno. Ou seja, avaliar a sua relação custo/benefício.

Em tese, quanto maior for esse indicador, mais o mercado estará motivado a comprar as ações da empresa. Mas isso não significa que uma relação P/L mais baixa seja ruim. Isso pode acontecer, por exemplo, quando uma ação ainda não é muito conhecida pelos investidores.

Dividend Yield

Para quem quer ter uma renda periódica com os rendimentos das aplicações, o dividend yield (DY) é um indicador muito importante. Isso porque ele mostra o rendimento que o dividendo proporciona em relação a sua ação. Para isso, é feito o seguinte cálculo

DY = (dividendos pagos em 12 meses / preço atual da ação) x 100

Diversificação internacional (investir direto, BDR ou ETF S&P)

Por fim, se você deseja ter uma carteira de ações realmente diversificada, deve pensar em investir em ativos estrangeiros. Isso porque esses investimentos conseguem atenuar o risco-país do seu patrimônio.

Uma das alternativas é abrir uma conta no exterior para adquirir diretamente ações de companhias estrangeiras. Para isso, você terá que escolher criteriosamente uma corretora lá fora.

Mas, se você desejar algo mais simples e direto, há algumas boas alternativas. Nesse sentido, destacamos os BDRs e os ETFs referenciados em índices estrangeiros.

BDRs

Os BDRs (Brazilian Depositary Receipts) se tornaram mais populares entre os investidores a partir de outubro de 2020. Atualmente eles são acessíveis ao público em geral (antes somente investidores qualificados podiam investir em BDR).

Esses títulos representam ações de companhias estrangeiras, porém são negociados na bolsa brasileira. Ao adquirir um BDR, o investidor passa a ter algumas prerrogativas dos acionistas dessas companhias, como o recebimento de dividendos, se isso for política da empresa.

ETFs

Os Exchange Traded Funds (ETFs) são fundos de investimento que replicam um determinado indicador do mercado financeiro. Nesse sentido, há quatro ETFs comercializados na B3 que representam índices internacionais. Vejamos quais são:

IVVB11

O IVVB11 replica o S&P500, um dos principais índices do mercado financeiro norte-americano. Para isso, o fundo adquire cotas do IVV, um outro ETF que investe em empresas como Apple, Facebook, Microsotf, entre outras .

SPXI11

Esse ETF também acompanha o S&P500, porém ele investe no ETF norte-americano VOO Vanguard S&P 500.

XINA11

o XINA11 tem foco no mercado chinês. Nesse sentido, visa acompanhar o índice MSCI China, que representa cerca de 600 companhias chinesas.

EURP11

Por fim, o EURP11, formado em janeiro de 2021, replica o Trend ETF MSCI Europa. Esse índice é formado por mais de 1000 empresas europeias altamente capitalizadas.

(Por Carla Carvalho)

Atingir um patrimônio de R$ 100 mil é para poucos, o que amplia o desafio de busca pelas melhores aplicações para multiplicá-lo.