ETFs: conheça essa alternativa para começar na bolsa de valores

Carla Carvalho
Graduada em Ciências Contábeis pela UFRGS, pós-graduada em Finanças pela UNISINOS/RS. Experiência de 17 anos no mercado financeiro, produtora de conteúdo de finanças e economia.
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Crédito: Reprodução/ Freepik

Os ETFs, também conhecido como Exchange Traded Fund, são uma boa alternativa para quem quer investir na bolsa de valores de forma fácil e diversificada.

Além disso, desde o final de setembro, essas aplicações ficaram ainda mais acessíveis para os investidores. O motivo foi a redução do lote mínimo de negociação.

Quer saber mais sobre esse investimento de renda variável? Então, continue conosco e conheça as características e peculiaridades desses fundos.

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O que são ETFs?

Basicamente, os ETFs são fundos de investimento negociados na bolsa de valores, também chamados de “fundos de índices”. Isso porque o objetivo desse investimento é replicar determinado índice, como o Ibovespa, por exemplo.

Dessa forma, os ETFs acabam apresentando desempenho semelhante ao seu índice de referência. Logo, a rentabilidade do BOVA11, por exemplo, acompanhará a evolução das ações que compõem o Ibovespa.

Assim como qualquer outro fundo, um Exchange Traded Fund é gerido por um profissional, que faz as operações de compra e venda. Logo, para aplicar em um ETF, é preciso apenas comprar as cotas.

Vantagens dos ETFs

Vejamos agora quais as principais vantagens dessas aplicações:

Diversificação com facilidade

Os ETFs podem ser a forma mais simples de dar os primeiros passos na bolsa de valores com diversificação.

Isso porque, para montar uma carteira de ações, o investidor precisa selecionar cada papel de acordo com os seus objetivos. Porém, ao adquirir cotas de um ETF, é como se ele investisse em vários ativos já devidamente selecionados por profissionais. Ou seja, com os fundos de índice, ele já inicia suas aplicações com uma carteira das principais ações do mercado.

Além disso, os ETFs já possuem uma estratégia definida pelo gestor. Isso poupa tempo e dá segurança para quem tem menos conhecimento sobre o mercado de capitais.

Acessibilidade

Atualmente, há no mercado cotas a partir de R$ 55, o que torna os ETFs bastante acessíveis.

Além disso, como vimos, as recentes modificações nas regras dos ETFs diminuíram o volume inicial exigido para a negociação. Nesse sentido, o lote mínimo passou de dez para uma unidade, o que torna o investimento mais acessível para o público em geral.

Menores custos

Ao adquirir um ETF, é como se o investidor negociasse vários ativos por meio de uma só operação. Então, os custos operacionais desse investimento, como taxas de corretagem, serão menores se comparados à compra de várias ações, por exemplo.

Além disso, os ETFs possuem uma gestão passiva, o que reduz a taxa cobrada pelo gerenciamento dos ativos desses fundos.

Internacionalização

Com os ETFs, é possível investir em moeda estrangeira sem precisar enviar recursos ao exterior. Isso porque alguns desses fundos replicam índices de bolsas como a de Nova York (NYSE), por exemplo.

Dessa maneira, o investidor tem acesso a ativos internacionais de uma forma mais acessível do que se adquirisse diretamente os papéis dessas companhias.

Desvantagens dos ETFs

Por outro lado, esses fundos também apresentam algumas desvantagens:

Liquidez

Apesar de serem negociados na bolsa, nem sempre é tão fácil vender as cotas dos ETFs. O motivo é que o volume de negociação desses fundos ainda é pequeno se comparado a outros ativos.

Assim, em alguns momentos, isso pode prejudicar a liquidez desses investimentos.

Tributação

Diferentemente do investimento direto em ações, os ETFs não possuem isenção de imposto de renda para as vendas abaixo de R$ 20 mil. Nesse sentido, eles seguem as regras dos fundos de índices, ou seja, sua alíquota é de 15% sobre o lucro da operação.

Diferença entre ETFs e fundos de ações

Embora os dois fundos acompanhem o desempenho das ações, existem diferenças entre eles. Veja as principais:

Estratégia de gestão

A primeira grande diferença entre os dois tipos de fundos está na estratégia de gestão.

Como vimos, o objetivo do ETF é acompanhar o comportamento de um determinado índice. No caso dos ETFs de ações, seu desempenho estará ligado ao volume negociado dos papéis que compõem o Ibovespa.

Portanto, os ETFs são fundos de gestão passiva. O papel do gestor é, basicamente, adquirir proporcionalmente as ações que representam o índice. Desse modo, as taxas de gestão desses fundos acabam sendo menores.

Os fundos de ações, por seu lado, têm estratégia ativa. Nesse caso, o gestor seleciona os papéis de acordo com as suas projeções para a economia e perspectivas de sucesso das empresas.

Forma de negociação das cotas

Outra diferença é a forma de negociação das cotas.

Um fundo de ações pode ser adquirido diretamente nas instituições financeiras ou nas plataformas de investimentos. Já os ETFs só podem ser negociados no pregão da bolsa de valores, e com a intermediação de uma corretora.

Resgate

Normalmente, o resgate de fundos de ações demora trinta dias para liquidação financeira. No caso dos ETFs, por serem negociados na bolsa, a liquidação ocorre em até dois dias uteis.

Acompanhamento do desempenho

Por fim, fundos de ações e ETFs também possuem formas diferentes de acompanhamento do desempenho. A rentabilidade dos fundos de ações deve ser fornecida por seus administradores, pela Anbima (Associação das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) e pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários).

Por sua vez, as cotas dos ETFs podem ser acompanhadas na bolsa de valores, ao longo do dia e em tempo real.

Principais ETFs do mercado brasileiro

Há diversos tipos de ETFs disponíveis no mercado, como os de renda fixa, de commodities, de moedas, de segmento, entre outros. Porém, no Brasil, os mais comuns são os ETFs de renda variável.

Vejamos alguns deles:

BOVA 11

O BOVA11 tem referência no índice Ibovespa. Assim, é formado por papéis de grandes empresas negociadas na bolsa brasileira, em especial de segmentos como bancos, mineração, petróleo, bebidas, entre outros.

BOVV11

Esse índice é formado pelas empresas que representam, aproximadamente, 80% do total negociado diariamente na B3.

DIVO11

O indicador contempla as melhores pagadoras de dividendos aos seus acionistas nos 2 anos imediatamente anteriores à formação da carteira.

SMAL11

Nesse caso, o índice mede o desempenho das ações das Small Caps da B3, ou seja, das  empresas menores, com baixa liquidez e alto potencial de valorização.

IVVB11

Esse índice segue o S&P 500, o qual reúne as 500 maiores empresas em valor de mercado negociadas nos Estados Unidos.

Como investir em ETFs

Antes de mais nada, é necessário ter conta em uma corretora. Para a escolha da instituição, é importante avaliar fatores como expertise, diversidade de opções, custos e tecnologia da plataforma de negociação.

Além disso, uma assessoria especializada pode ajudar na seleção adequada ao perfil de risco do investidor.

Outro ponto importante é contar com as ferramentas que esses profissionais disponibilizam para a escolha dos ativos. Nesse sentido, relatórios de recomendação podem ajudar bastante o investidor.

O fundo ETF-ESG do BTG Pactual

Nessa semana, o BTG lançou o primeiro ETF-ESG do mercado.

O termo ESG vem do inglês (Environmental, Social & Governance), e, literalmente, significa ambiental, social e governança. Dessa forma, designa investimentos sustentáveis e socialmente responsáveis, o que, também, inclui o respeito a normas ambientais.

O fundo começou a ser comercializado na B3 sob o código ESGB11, e seu tíquete inicial é de R$ 100. A estratégia tem foco na compra de ações de empresas com valores baseados em ESG.

Segundo Andrea Weinberg, sócia e gestora de renda variável da BTG Pactual Asset, o fundo foi em busca da análise da S&P Dow Jones, considerada a melhor da atualidade.  Para ela, o aumento de lançamentos de produtos ESG acaba por incentivar os critérios de sustentabilidade nas empresas.

 

Quer saber mais sobre os ETFs? Então, assista a esse vídeo com dicas de nossos especialistas!