EBITDA: O que é e como calcular

Késia Rodrigues
Colaboradora Independente do Portal EuQueroInvestir e leitora assídua de conteúdos sobre economia e política. Apaixonada por tecnologia, investimentos e viagens.

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Hoje, falaremos sobre um indicador financeiro muito importante para o mundo das finanças, sobretudo, para o empreendedorismo.

A relevância desse indicador, em primeiro lugar, se dá porque para se gerir/investir em uma empresa é necessário saber mais do que apenas suas receitas e despesas. Há outros dados tão importantes, quanto os lucros e prejuízos que o empreendimento tem, que precisam ser entendidos.

Consequentemente, conhecer e estabelecer a saúde financeira de uma empresa é fundamental para alavancar seu crescimento e seus investimentos.

Com o EBITDA, é possível avaliar o empreendimento, tendo uma preciosa ferramenta de auxílio na hora de decisões importantes, como a compra e venda de ações a curto, médio e longo prazo.

Ao descobrir o Ebitda, o investidor passa a saber de fato a realidade financeira da empresa como sua eficiência e competitividade ao longo dos anos.

O que é o Ebtida? Como calculá-lo? Essas são algumas perguntas que serão respondidas ao longo deste post.

Aprenda detalhes sobre o indicador financeiro que tem causado muitas dúvidas no mundo dos investimentos. Vamos lá?!

O que é EBITDA?

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Em tradução livre para o português, EBITDA (“Earning Before Interest, Taxes, Depreciation and Amortization”) significa “Lucros Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização”. O conceito é conhecido, também, como LAJIDA.

Trata-se de um modo de medir a saúde financeira de um empreendimento, sendo, portanto, um índice de análise.

Isto é, é uma forma de medir o quanto a empresa consegue gerar de receita.

Ao se calcular o EBITDA, chega-se ao fluxo de caixa. O indicador, assim, revela, na prática, o desempenho financeiro.

Sua importância consiste em fornecer uma espécie de raio-X do negócio, mostrando sua capacidade de capital, sua produtividade e eficiência.

Por isso, ele pode e deve ser usado por investidores de qualquer nível.

EBITDA, para quem?

O EBITDA é uma ferramenta bastante usada na análise de empresas de capital aberto.

Lembre-se que esse tipo de empresa são as que têm suas ações listadas na Bolsa de Valores.

E o que isso significa mesmo?

Ao abrir seu capital, a empresa deixa de ser controlada internamente, passando a ser constituída por ações que são negociadas na Bolsa de Valores. Elas ficam disponíveis livremente para a compra e para a venda.

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Desse modo, qualquer pessoa que comprar uma ação da companhia passa a ser proprietária de uma parte do negócio.

Na prática, isso significa que você adquire uma fração do patrimônio da empresa da qual você adquiriu as ações.

Lembrando que, ao se tornar um acionista, você tem vários direitos, mas também várias obrigações.

Quer um exemplo? Se, por um lado, os acionistas, em linhas gerais, recebem os lucros da empresa; por outro, eles arcam, também, com as dívidas que a companhia assume.

Vale ressaltar que uma das principais diferenças de uma empresa com capital aberto para outra de capital fechado corresponde à sua forma de realizar a contabilidade.

Nas companhias de capital aberto, ao contrário das de capital fechado, na qual as finanças são feitas por meio da figura do contador (devidamente contratado), as contas são gerenciadas, geralmente, por um conselho (devidamente escolhido pelos acionistas).

Quer entender melhor sobre quais são os tipos de ações existentes hoje? Leia aqui nosso artigo sobre o tema e aprenda mais a respeito de ações Ordinárias (ON) e Ações Preferenciais (PN).

O cálculo do EBITDA

Se cada empresa possuir um método individual de análise de dados, como você, na condição de acionista, avaliará se uma empresa é rentável ou não? Ficaria muito difícil, não é verdade?!

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Por incrível que pareça, as coisas eram assim até o ano de 2012. Ou seja: não havia nenhuma padronização, um consenso de metodologia, para se calcular o EBITDA.

Isso se constituía como um grande empecilho na comparação dos dados de mercado, pois permitia que empresas apresentassem números supostamente otimistas.

Tal resultado poderia influenciar seus acionistas a tomar uma determinada decisão.

Perceba, portanto, que ter um EBITDA não uniformizado poderia produzir análises distorcidas.

Por isso, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) estabeleceu parâmetros, por meio da CVM nº 527/2012, para unificar as informações empregadas no cálculo do EBITDA.

Como calcular o EBITDA?

Para se calcular o EBITDA, antes de tudo, é necessário conhecer o lucro operacional do empreendimento.

E o que é o lucro operacional?

O lucro operacional de uma empresa é sua receita operacional líquida descontadas as despesas do negócio, mas não são quaisquer despesas!

Para se chegar ao Lucro Operacional, portanto, basta subtrair o custo das mercadorias vendidas (CMV) e as despesas operacionais e as despesas financeiras da receita líquida.

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Exemplos de tipos de despesas operacionais

São exemplos de despesas operacionais de vendas: gastos com comissão propaganda e publicidade, marketing e comissão de vendas.

São exemplos de despesas operacionais administrativas:  salários e aluguéis de escritórios.

São exemplos de despesas operacionais financeiras:  pagamentos de juros e descontos financeiros.

De volta ao cálculo, convém destacar que a receita líquida é formada pela receita bruta subtraída as deduções.

Feito isso, soma-se ao lucro operacional a depreciação e a amortização.

A fórmula do EBITDA

A fórmula do EBITDA, portanto, é:

Lucro Operacional Líquido + Depreciação + Amortização

Confuso?! Recapitule:

A primeira coisa a fazer é o cálculo das despesas operacionais. As despesas operacionais correspondem à soma das despesas com vendas, das despesas gerais e das despesas administradas menos a depreciação somada à amortização.

A partir deste valor, gere o lucro operacional líquido, que é formado pela receita operacional líquida diminuída dos custos dos produtos vendidos somados às despesas operacionais e às despesas financeiras líquidas.

Observação importante: veja que não se trata do lucro bruto.

Lembramos, também, que o valor está disponível na Demonstração do Resultado do Exercício (DRE), que discrimina:

a) a receita bruta das vendas e serviços, as deduções das vendas, os abatimentos e os impostos;

b) a receita líquida das vendas e serviços, o custo das mercadorias e serviços vendidos e o lucro bruto;

c) as despesas com as vendas, as despesas financeiras, deduzidas das receitas, as despesas gerais e administrativas, e outras despesas operacionais;

d) o lucro ou prejuízo operacional, as outras receitas e as outras despesas.

Voltando à fórmula, por fim, some o Lucro Operacional Líquido à depreciação e à amortização.

O resultado (que é o índice em si), geralmente, é publicado pelas empresas em seus relatórios de balanço, o que é ótimo para os investidores, pois otimiza o trabalho dos analistas.

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A depreciação e a amortização

A depreciação compreende o cômputo da desvalorização de um ativo no decorrer de sua vida útil.

A redução de seu valor, isto é, seu desgaste, pode se dar por:

a) ação humana;

b) ação da natureza;

c) obsolescência.

Atenção: a partir do momento que um ativo é disponibilizado para uso, já se inicia um processo de depreciação.

A amortização, por sua vez, compreende na alocação do valor amortizável de ativo intangível.

Qual a diferença entre os dois conceitos então?

A depreciação ocorre sobre ativos físicos, como um computador de trabalho; a e amortização incide sobre ativos intangíveis, como direitos com prazo limitado.

EBITDA na prática

Ainda com dúvidas sobre como calcular o EBITDA?

Tomemos um exemplo prático. Suponha uma empresa que tenha os dados a seguir:

a) R$ 8.400,00 de despesas com vendas

b) R$ 4.200,00 com despesas gerais

c) R$ 1.600,00 de despesas administrativas:

d) R$ 820,00 de despesas com depreciação

e) R$ 1.240,00 de despesas com amortização

Como o primeiro passo para o cálculo do EBITDA é soma das despesas operacionais, temos:

R$ 8.400,00 (despesas com vendas) + R$ 4.200,00 (despesas gerais) + R$ 1.600,00 (despesas administrativas) + R$ 820,00 (despesas com depreciação) + R$ 1.240,00 (despesas com amortização).

As despesas operacionais, portanto, correspondem a R$ 16.260, 00.

O segundo passo é o cálculo do lucro operacional líquido que tem por fórmula ser a soma da receita operacional líquida subtraída dos custos dos produtos vendidos somados às despesas operacionais.

Vamos considerar que a empresa tem:

a) R$ 46.000,00 de receita líquida;

b) R$ 3.600,00 de CMV;

c) R$ 16.260, 00 de despesas operacionais, que já calculamos

O lucro operacional líquido, portanto, será:

R$ 46.000,00 – (R$ 3.600,00 + R$ 16.260,00) = R$ 25,780,00

Enfim chegamos ao cálculo do EBITDA.

Considerando os resultados do lucro líquido (R$ 25.780,00) + depreciação (R$ 820,00) + amortização (R$ 1240,00), o resultado EBITDA dessa empresa será de R$ 27.840,00.

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Margem EBITDA

A Margem EBITDA é um indicador de lucratividade.

Seu objetivo é medir a eficiência operacional a partir do percentual EBITDA.

Esse percentual representa as Vendas Líquidas (ou Receita Líquida) da empresa.

Considerações finais

Excelente indicador econômico-financeiro, o EBITDA é um instrumento para se ter uma análise do potencial financeiro de uma empresa.

Uma de suas principais vantagens, como demonstramos, é a facilidade com que se pode comparar empreendimentos do mesmo ramo, podendo ser usado como uma espécie de benchmark financeiro.

Não se esqueça, contudo, de associar o EBITDA a outras ferramentas de análises.

Ele, sozinho, pode dar impressões falsas sobre uma determinada empresa. A liquidez, por exemplo, não pode ser determinada apenas por bons resultados.

Lembre-se, sempre, de que o caixa da empresa pode ser altamente prejudicado por movimentações financeiras. Isto é: um EBITDA positivo, infelizmente, pode esconder o fato de uma empresa estar no vermelho, estar endividada ou estar realizando poucas vendas.

Quanto mais informações precisas você conseguir, mais fácil será determinar se o negócio é ou não viável. Seus investimentos agradecem!

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