Ebitda: o que é e como calcular

Karin Barros
Jornalista com atuação nos dois principais jornais impressos da Grande Florianópolis por quase 10 anos. Costumo dizer que sou viciada em informação, por isso me encantei com a economia, que une tudo de alguma forma sempre. Atualmente também vivo intensamente o mundo da assessoria de imprensa e do PR.

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Se você está iniciando sua trajetória como investidor precisa entender alguns indicadores, seus significados e como decifrá-los para tomar boas decisões de investimento.  O Ebitda é um deles.

A sigla deriva da expressão em inglês Earnings before interest, taxes, depreciation and amortization. Traduzindo, significa “Lucros Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização” (também conhecido como Lajida).

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Na prática, com esse indicador, é possível mensurar o desempenho da empresa. Isso porque ele mostra quanto a companhia está gerando de lucro com suas atividades operacionais, deixando de fora dessa conta investimentos financeiros, empréstimos e impostos.

Portanto, o Ebitda é mais preciso para medir a produtividade e a eficiência do negócio do que o seu resultado final. O indicador é útil, por exemplo, para medir o desempenho de empresas endividadas. Nesses casos os encargos que essas empresas precisam pagar podem reduzir em muito o seu lucro ou mesmo resultar em prejuízo. 

Ao se olhar para o Ebitda, é possível ver se a empresa está sendo produtiva e eficiente, o que indica potencial para pagar suas contas e gerar caixa no futuro.

  • Neste post vamos explicar em detalhes como funciona e como calcular esse indicador financeiro

Para que serve o Ebitda?

O Ebitda ajuda a medir a saúde financeira de um empreendimento, sendo, portanto, um índice de análise.  Ao se calcular o Ebitda, chega-se ao fluxo de caixa. O indicador, assim, revela, na prática, o desempenho financeiro.

Sua importância consiste em fornecer uma espécie de raio-X do negócio, mostrando sua capacidade de capital, sua produtividade e eficiência. Por isso, ele pode e deve ser usado por investidores de qualquer nível.

Para cumprir o objetivo de auxiliar a avaliação de empresas, especificamente no seu desempenho operacional, o Ebitda não leva em consideração os dados da empresa referente aos juros, impostos, depreciação e amortização. 

Esses indicadores são retirados do cálculo do Ebitda justamente porque não fazem parte da operação principal da companhia. Por isso, é possível dizer que esse indicador tenta retratar fielmente apenas a geração de caixa de uma empresa, excluindo despesas não-caixa.

Esse tipo de avaliação é importante porque é uma maneira de enxergar melhor o resultado de uma companhia no presente para tentar determinar seu desempenho no futuro.

Vantagens do Ebitda

O Ebitda é mais preciso para medir a produtividade e a eficiência do negócio do que o seu resultado final. O indicador é útil, por exemplo, para medir o desempenho de empresas endividadas, pois os encargos que essas empresas precisam pagar podem reduzir em muito o seu lucro ou mesmo resultar em prejuízo.

Ao se olhar para o Ebitda, é possível ver se a empresa está sendo produtiva e eficiente, o que indica potencial para pagar suas contas e gerar caixa no futuro.

Desvantagens do Ebitda

Uma das desvantagens de se analisar apenas o Ebitda é que ele desconsidera a rentabilidade financeira, excluindo os juros do seu cálculo. Esses juros são representados pelo resultado financeiro da companhia na Demonstração de Resultado do Exercício (DRE).

Essa é uma desvantagem em certas análises porque existem companhias que, ao invés de pagar juros (despesa financeira), recebem juros (receita financeira). Este é o caso das empresas que possuem muito dinheiro em aplicações financeiras.

Nesse sentido, é possível que existam empresas, por exemplo, em que o resultado da atividade principal advém justamente da receita obtida com receita de aplicações financeiras. Por isso, desconsiderar esses juros pelo Ebitda significa retirar da análise um aspecto fundamental a ser analisado nessa empresa.

O Ebtida também disfarça a alta alavancagem por desconsiderar os efeitos dos juros e da amortização. Por conta disso, ele fica incapaz de traduzir a situação financeira de uma companhia.

Assim, caso um investidor analise apenas o Ebitda de uma empresa com má situação financeira, ele acabará sendo levado ao erro. Isso porque não será possível observar como a alta alavancagem financeira está prejudicando o resultado líquido da companhia.

E, no longo prazo, o que importa é o lucro das empresas, ou seja, a real geração de valor para os acionistas. Por isso, é preciso tomar cuidado e nunca utilizar o Ebitda isoladamente em uma análise.

O cálculo do Ebitda 

Se cada empresa possuir um método individual de análise de dados, como você, na condição de acionista, avaliará se uma empresa é rentável ou não? Ficaria muito difícil, não é verdade?!

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Por incrível que pareça, as coisas eram assim até o ano de 2012. Ou seja: não havia nenhuma padronização, um consenso de metodologia, para se calcular o Ebitda.

Isso se constituía como um grande empecilho na comparação dos dados de mercado, pois permitia que empresas apresentassem números supostamente otimistas.

Tal resultado poderia influenciar seus acionistas a tomar uma determinada decisão.

Perceba, portanto, que ter um Ebitda não uniformizado poderia produzir análises distorcidas.

Por isso, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) estabeleceu parâmetros, por meio da CVM nº 527/2012, para unificar as informações empregadas no cálculo do ebitda.

Como calcular o Ebitda?

Para se calcular o Ebitda , antes de tudo, é necessário conhecer o lucro operacional do empreendimento.

E o que é o lucro operacional? O lucro operacional de uma empresa é sua receita operacional líquida descontadas as despesas do negócio. Mas não são quaisquer despesas!

Para se chegar ao Lucro Operacional, portanto, basta subtrair o custo das mercadorias vendidas (CMV) e as despesas operacionais e as despesas financeiras da receita líquida.

Exemplos de tipos de despesas operacionais

São exemplos de despesas operacionais de vendas: gastos com comissão propaganda e publicidade, marketing e comissão de vendas.

São exemplos de despesas operacionais administrativas:  salários e aluguéis de escritórios.

São exemplos de despesas operacionais financeiras:  pagamentos de juros e descontos financeiros.

De volta ao cálculo, convém destacar que a receita líquida é formada pela receita bruta subtraída as deduções.

Feito isso, soma-se ao lucro operacional a depreciação e a amortização.

A fórmula do Ebitda

A fórmula do Ebitda , portanto, é:

Lucro Operacional Líquido + Depreciação + Amortização

Confuso?! Recapitule:

A primeira coisa a fazer é o cálculo das despesas operacionais. As despesas operacionais correspondem à soma das despesas com vendas, das despesas gerais e das despesas administradas menos a depreciação somada à amortização.

A partir deste valor, gere o lucro operacional líquido, que é formado pela receita operacional líquida diminuída dos custos dos produtos vendidos somados às despesas operacionais e às despesas financeiras líquidas.

Observação importante: veja que não se trata do lucro bruto.

Lembramos, também, que o valor está disponível na Demonstração do Resultado do Exercício (DRE), que discrimina:

a) a receita bruta das vendas e serviços, as deduções das vendas, os abatimentos e os impostos;

b) a receita líquida das vendas e serviços, o custo das mercadorias e serviços vendidos e o lucro bruto;

c) as despesas com as vendas, as despesas financeiras, deduzidas das receitas, as despesas gerais e administrativas, e outras despesas operacionais;

d) o lucro ou prejuízo operacional, as outras receitas e as outras despesas.

Voltando à fórmula, por fim, some o Lucro Operacional Líquido à depreciação e à amortização.

O resultado (que é o índice em si), geralmente, é publicado pelas empresas em seus relatórios de balanço, o que é ótimo para os investidores, pois otimiza o trabalho dos analistas.

A depreciação e a amortização

A depreciação compreende o cômputo da desvalorização de um ativo no decorrer de sua vida útil.

A redução de seu valor, isto é, seu desgaste, pode se dar por:

a) ação humana;

b) ação da natureza;

c) obsolescência.

Atenção: a partir do momento que um ativo é disponibilizado para uso, já se inicia um processo de depreciação.

A amortização, por sua vez, compreende na alocação do valor amortizável de ativo intangível.

Qual a diferença entre os dois conceitos então?

A depreciação ocorre sobre ativos físicos, como um computador de trabalho; a e amortização incide sobre ativos intangíveis, como direitos com prazo limitado.

Ebitda  na prática

Ainda com dúvidas sobre como calcular o Ebitda ?

Tomemos um exemplo prático. Suponha uma empresa que tenha os dados a seguir:

a) R$ 8.400,00 de despesas com vendas

b) R$ 4.200,00 com despesas gerais

c) R$ 1.600,00 de despesas administrativas:

d) R$ 820,00 de despesas com depreciação

e) R$ 1.240,00 de despesas com amortização

Como o primeiro passo para o cálculo do Ebitda é soma das despesas operacionais, temos:

R$ 8.400,00 (despesas com vendas) + R$ 4.200,00 (despesas gerais) + R$ 1.600,00 (despesas administrativas) + R$ 820,00 (despesas com depreciação) + R$ 1.240,00 (despesas com amortização).

As despesas operacionais, portanto, correspondem a R$ 16.260, 00.

O segundo passo é o cálculo do lucro operacional líquido que tem por fórmula ser a soma da receita operacional líquida subtraída dos custos dos produtos vendidos somados às despesas operacionais.

Vamos considerar que a empresa tem:

a) R$ 46.000,00 de receita líquida;

b) R$ 3.600,00 de CMV;

c) R$ 16.260, 00 de despesas operacionais, que já calculamos

O lucro operacional líquido, portanto, será:

R$ 46.000,00 – (R$ 3.600,00 + R$ 16.260,00) = R$ 25,780,00

Enfim chegamos ao cálculo do Ebitda.

Considerando os resultados do lucro líquido (R$ 25.780,00) + depreciação (R$ 820,00) + amortização (R$ 1240,00), o resultado Ebitda dessa empresa será de R$ 27.840,00.

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Existe Ebitda negativo? 

A resposta é sim, uma empresa pode ter Ebitda negativo. Isso significa que a operação da empresa não está sendo rentável.

Isso não quer dizer que ela necessariamente está tendo prejuízos no seu resultado final, já que pode estar tendo ganhos, por exemplo, com o retorno de investimentos. Só quer dizer que a empresa não está gerando caixa operacional.

Ebitda ajustado

Como vimos, em 2002, a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) padronizou o cálculo do Ebitda, com o objetivo tornar esse indicador mais transparente e coibir abusos por parte das empresas.

Desde então, as empresas que quiserem fazer ajustes no seu Ebitda, incluindo ou deduzindo itens, devem utilizar a nomenclatura “Ebitda ajustado”. Ao fazer isso, a empresa precisa descrever a natureza do ajuste e justificá-lo.

Como não utilizam a mesma metodologia, é preciso cuidado ao comparar o Ebitda ajustado de diferentes empresas.

Margem Ebitda

O indicador de Margem Ebitda utiliza o resultado operacional para avaliar a capacidade da companhia de transformar sua receita líquida em lucro operacional, acrescido da depreciação e amortização.

Por isso, a Margem Ebitda é dada em uma porcentagem da receita líquida que se transformou em Ebitda. Ou seja, a fórmula da Margem Ebitda é: Ebitda / Receita Líquida

Seu objetivo é medir a eficiência operacional a partir do percentual Ebitda.

Ebit versus Ebitda: qual a diferença? 

Além de terem uma grafia parecida, o Ebit e o Ebitda também são calculados de forma muito semelhante. A grande diferença é que o Ebit considera os efeitos da amortização e da depreciação de uma companhia no seu cálculo.

Em inglês, a sigla de Ebit significa “Earning Before Interest and Taxes”.

Portanto, a fórmula do Ebit é: Resultado Líquido + Juros + Impostos

Considerações finais

Excelente indicador econômico-financeiro, o Ebitda  é um instrumento para se ter uma análise do potencial financeiro de uma empresa.

Uma de suas principais vantagens, como demonstramos, é a facilidade com que se pode comparar empreendimentos do mesmo ramo, podendo ser usado como uma espécie de benchmark financeiro.

Não se esqueça, contudo, de associar o Ebitda a outras ferramentas de análises.

Ele, sozinho, pode dar impressões falsas sobre uma determinada empresa. A liquidez, por exemplo, não pode ser determinada apenas por bons resultados.

Lembre-se, sempre, de que o caixa da empresa pode ser altamente prejudicado por movimentações financeiras. Isto é: um Ebitda positivo, infelizmente, pode esconder o fato de uma empresa estar no vermelho, estar endividada ou estar realizando poucas vendas.

Quanto mais informações precisas você conseguir, mais fácil será determinar se o negócio é ou não viável.