Dividend Payout: entenda o que é e como funciona esse indicador

Carla Carvalho
Graduada em Ciências Contábeis pela UFRGS, pós-graduada em Finanças pela UNISINOS/RS. Experiência de 17 anos no mercado financeiro, produtora de conteúdo de finanças e economia.

Crédito: Canva

Se o seu objetivo é investir em ações para receber dividendos, precisa conhecer o dividend payout.

De forma geral, o dividend payout é o indicador que demonstra o quanto de seu lucro a empresa distribuirá aos acionistas. Ele é expresso em percentual, e sua fórmula é a seguinte:

Dividend Payout = (dividendos totais / lucro líquido) x 100

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Dessa forma, se uma empresa apresentou um payout de 30%, isso significa que ela distribuiu 30% do lucro do exercício aos acionistas nos últimos 12 meses. Por sua vez, os restantes 70% foram retidos para diversos fins, como novos investimentos, por exemplo.

Quanto a empresa deve distribuir de dividendos?

Normalmente, a política de dividendos consta no estatuto da companhia. Porém, se no documento for omisso, o artigo 202 da Lei 6.404 (Lei das S/A), determina que a distribuição deve ser de 50% do lucro líquido após os ajustes.

E quais são esses ajustes?

Segundo a Lei 6.404, o lucro líquido deve ser ajustado pela constituição da reserva legal e pela formação da reserva de contingências e reversão da mesma em exercícios anteriores. Logo, o lucro líquido contábil é diferente do lucro líquido ajustado.

A empresa pode não distribuir lucros?

Sim, pode. Isso porque a companhia é livre para decidir o que fará com os seus resultados.

Nesse sentido, há muitas empresas que, em vez de distribuir dividendos, preferem reaplicar os lucros no próprio negócio. Se existe algum projeto de expansão, por exemplo, pode ser mais vantajoso para a companhia utilizar o seu resultado para isso do que financiar junto a bancos.

Por isso, quem deseja investir em uma ação, não deve pensar somente na distribuição de dividendos. Afinal, se os recursos são aplicados na empresa, isso acabará valorizando os papéis no futuro. Ou seja, o maior valor da ação compensará o não recebimento de dividendos.

E como saber qual o dividend payout ideal?

Para saber isso, um dos fatores a se considerar é a possibilidade de crescimento que a empresa tem no seu mercado.

Companhias de energia e infraestrutura, por exemplo, já atuam em segmentos maduros. Logo, as chances de expansão são pontuais, e acabam sendo reduzidas de modo geral.

Por não terem muito mais como crescer, normalmente essas empresas são boas pagadoras de dividendos. Não faz muito sentido reter os lucros, pois as suas oportunidades acabam sendo limitadas.

Por outro lado, empresas de tecnologia e do e-commerce têm um potencial imenso de expansão de suas atividades. Por isso, faz mais sentido que essas retenham mais os seus resultados para investirem no próprio negócio. Além disso, teoricamente as ações dessas empresas têm mais espaço para a valorização, o que justificaria o recebimento de baixo ou nenhum dividendo.

Dividend payout muito elevado: cuidado!

Elevados dividendos atraem o investidor, mas, muitas vezes podem estar encobrindo uma situação financeira não muito saudável. A empresa pode estar, por exemplo, com dificuldade de caixa e até mesmo de acesso a crédito. Por isso, acaba recorrendo mais ao acionista.

Como vimos, o payout ideal dependerá muito da atividade da companhia. Via de regra, faz mais sentido uma empresa de segmento maduro distribuir mais dividendos do que quem atua num mercado em ascensão.

Qual a diferença entre dividend payout e dividend yield?

Ambos os indicadores são muito importantes para quem investe em ações com a intenção de obter uma renda periódica.

Resumidamente, o dividend payout é o indicador que mostrará qual a política de dividendos de uma empresa. Ou seja, o quanto ela distribui de seus resultados num determinado período.

Por sua vez, o dividend yield vai demonstrar quanto representam os dividendos pagos num ano em comparação ao preço da ação.

Para saber mais sobre dividend yield, leia esse artigo e aprenda como calculá-lo!