Dívida líquida/patrimônio líquido é indicador de endividamento; entenda

Natalia Gómez
Editora, é jornalista especializada no mercado de investimentos há 17 anos. Formada pela PUC-SP, teve experiências em veículos como Agência Estado, Valor Econômico e Revista Você SA; e na área de comunicação corporativa e relações públicas para instituições financeiras.

Existem várias maneiras de analisar o endividamento de uma empresa. Uma delas é usando a relação Dívida Líquida/Patrimônio.

Quando menor for este índice, mais saudável financeiramente está a companhia. 

Quanto maior, mais alavancada está a empresa, o que aumenta o risco para os investidores.

Outra forma usual de olhar para o endividamento das empresas é usando o indicador Dívida líquida/Ebitda.

Como calcular a Dívida Líquida/Patrimônio

Para calcular a Dívida líquida/Patrimônio, é preciso saber o que significam estes dois dados.

Primeiramente, a dívida líquida é a soma do volume de empréstimos e financiamentos menos o caixa e equivalentes de caixa da empresa.

Já o patrimônio líquido representa o total de bens e direitos de uma empresa (como dinheiro em caixa e imóveis) menos o valor de todas as obrigações e dívidas a pagar.

Você pode encontrar os dados financeiros de uma empresa na área de Relações com Investidores do site. 

Como interpretar este dado

A medida de dívida líquida/Ebitda mostra o quanto uma empresa está financiando suas operações por meio de dívida ou recursos próprios. 

Caso o negócio venha a falir, a dívida líquida/patrimônio reflete o quanto o patrimônio líquido será capaz de cobrir todas as dívidas.

Por isso, uma relação elevada de dívida líquida sobre patrimônio é associada com riscos altos. Significa que a empresa foi agressiva e captou muitas dívidas para poder crescer.

Antes de continuar, um detalhe importante é que este múltiplo varia muito de acordo com o setor da economia, destaca a Investorpedia. 

Isso ocorre porque o volume ideal de dívida varia entre diferentes indústrias. 

“Um indicador Dívida Líquida/Patrimônio Líquido relativamente alto pode ser comum em uma indústria, enquanto um índice baixo pode ser comum em outra. Por exemplo, indústrias de capital intensivo como a automobilística tendem a ter um índice acima de 2, enquanto empresas de tecnologia ou serviços podem ficar abaixo de 0,5”, explica.

Indicador varia por setor

De acordo com o livro Análise econômico-financeira, da FGV Management, empresas que vendem produtos ou serviços considerados essenciais são menos afetadas numa recessão. 

Por isso, costumam trabalhar com índices de endividamento mais elevados. Para estas empresas, isso pode ser benéfico, já que o custo da dívida pode ser baixo.

Por outro lado, empresas com vendas mais instáveis devem trabalhar com níveis de endividamento mais baixo. Desta forma, ficam mais protegidas em momentos de crise. 

Os autores destacam que o setor de tecnologia também não deve ter o indicador dívida líquida/patrimônio muito elevado. Isso porque grande parte do ativo é intangível e o fluxo de caixas futuros envolvem incertezas.