ROE: saiba tudo sobre esse indicador de eficiência de uma empresa

Carla Carvalho
Graduada em Ciências Contábeis pela UFRGS, pós-graduada em Finanças pela UNISINOS/RS. Experiência de 17 anos no mercado financeiro, produtora de conteúdo de finanças e economia.

Crédito: Pixabay

Se você já investe em ações, ou deseja aprender a analisar empresas para começar a investir, precisa conhecer o ROE.

Esse é um indicador muito importante da análise fundamentalista, e demonstra o grau de eficiência de uma empresa. A seguir, entenda o que significa o ROE, e saiba como calculá-lo e interpretá-lo na análise financeira de empresas.

O que é ROE?

A sigla ROE vem do inglês (return on equity) e significa retorno sobre o patrimônio líquido. Nesse sentido, ao calcular o ROE, é possível medir a rentabilidade dos recursos que foram investidos pelos acionistas em uma empresa.

Em outras palavras, o ROE vai demonstrar o quanto a empresa consegue gerar de lucro líquido com base no seu patrimônio líquido.

Antes de continuarmos com a análise do ROE, vejamos rapidamente os dois componentes de sua fórmula: o lucro líquido e o patrimônio líquido.

Lucro líquido (LL)

O lucro líquido corresponde à última linha do Demonstrativo do Resultado do Exercício (DRE). Como o próprio nome diz, ele demonstra o ganho líquido da empresa, ou seja, o que efetivamente sobrou de resultado depois de deduzidos todos os custos e despesas de um exercício.

No artigo abaixo, veja como calcular o lucro líquido de uma empresa:

Patrimônio líquido (PL)

Já o patrimônio líquido representa o total dos recursos que, de fato, pertencem à empresa e aos acionistas. Ele corresponde aos bens e direitos (ativos) subtraídos de todas as obrigações (passivo). Ou seja:

Patrimônio Líquido = Ativo – Passivo

Fórmula do ROE

Vistos os dois componentes do ROE, chegamos à sua fórmula:

ROE = Lucro Líquido do Exercício / Patrimônio Líquido

Para calcular o ROE, é preciso deduzir do lucro líquido os dividendos pagos aos acionistas donos de ações preferenciais. Somente depois disso é que serão deduzidos os dividendos das ações ordinárias.

Como analisar o ROE

Um exemplo ajuda a entender como utilizar o ROE na comparação entre duas empresas.

Imagine que duas empresas (X e Y) tenham apresentado lucro líquido de R$ 50 milhões em um determinado exercício. Conforme os balanços patrimoniais de cada uma delas no final do mesmo exercício, o patrimônio líquido (PL) da empresa X era de R$ 200 milhões, e o da Y, R$ 500 milhões.

Dessa forma, temos que o ROE de cada uma das empresas é o seguinte:

Empresa X: (R$ 50 milhões / R$ 200 milhões) x 100 = 25%

Empresa Y: (R$ 50 milhões / R$ 500 milhões) x 100 = 10%

Perceba que, mesmo com lucro líquido idêntico, a empresa X proporciona rentabilidade sobre o PL bem superior à Y. Ou seja, a empresa X consegue otimizar mais os recursos próprios pois, com um PL menor, gerou o mesmo lucro da empresa Y.

E o que isso significa?

No exemplo acima, vimos que as duas empresas têm graus de eficiência diferentes, certo?

Sabe aquela máxima de “fazer mais com menos”? É exatamente isso o que o ROE procura demonstrar para o acionista e para o mercado. Quanto mais a empresa consegue lucrar com menos capital investido, mais eficiente ela será. É por isso que o ROE é considerado um indicador de eficiência, e o mercado precifica melhor as empresas que conseguem ser mais rentáveis.

Cuidados ao analisar o ROE

Como qualquer outro indicador da análise fundamentalista, o ROE isoladamente não diz nada sobre a eficiência de uma empresa. Por isso, é necessário tomar alguns cuidados na análise desse indicador, a fim de que não ocorram distorções.

A seguir, vejamos algumas situações que merecem atenção.

Comparar empresas do mesmo setor

Digamos que uma empresa de tecnologia e uma indústria de máquinas pesadas tenham tido o mesmo lucro no exercício. No entanto, pela característica da atividade, o capital próprio (PL) da indústria tende a ser maior do que a empresa de TI. Logo, se compararmos o ROE de ambas, possivelmente a indústria ficará em desvantagem. Por isso a importância de comparar sempre empresas do mesmo segmento.

Atenção ao endividamento

Outro cuidado que é preciso ter com o ROE é que ele não demonstra o endividamento da empresa. Utilizando o exemplo acima, podemos supor que a empresa de TI financie grande parte da sua atividade com recursos de terceiros (o que é normal nesse ramo). Logo, pode ser que ela seja mais endividada do que a indústria, que possui PL maior.

Em outras palavras, é possível que, mesmo com um ROE maior, a empresa de TI represente mais risco para o acionista, por estar mais endividada do que a indústria. Aqui, mais uma vez a importância de nunca analisar um indicador de forma isolada para avaliar empresas.

Empresas que não distribuem lucros

Quando não distribuem lucros, as empresas podem reinvestir no próprio negócio ou incorporar os resultados às reservas do patrimônio líquido. Nesse segundo caso, o PL aumenta, e isso puxa o ROE para baixo.

Ou seja, mesmo lucrativas, essas empresas terão um ROE mais baixo. No entanto, isso não significa que sejam ineficientes.

Prejuízo líquido no exercício

Quando uma empresa encerrar o exercício com prejuízo líquido, o ROE será negativo. Nessa situação, é preciso entender quais foram as causas do resultado negativo para que se possa fazer uma análise mais completa de sua eficiência operacional.

Pode ser que o prejuízo tenha sido causado por queda nas vendas, aumento de custos ou outras questões ligadas à operação. Nesse caso, tudo indica que a empresa esteja perdendo eficiência devido a problemas próprios.

No entanto, o resultado negativo pode ter ocorrido devido a um evento não recorrente, como um sinistro, uma multa ou qualquer outro fato que tenha provocado algum desembolso inesperado. Dessa forma, possivelmente o ROE será mais baixo somente no exercício em questão. Ou seja, assim que passado o efeito do problema pontual, a empresa retomará o seu grau de eficiência.

Prejuízo líquido e patrimônio líquido negativo

Outro perigo de olhar somente o ROE é quando, além do prejuízo líquido, a empresa apresentar também patrimônio líquido negativo.

O PL negativo acontece quando o endividamento da empresa é maior do que todos os seus ativos somados. Em outras palavras: nessa situação, a empresa não tem mais recursos próprios, pois tudo está comprometido com dívidas. Ou seja, a situação possivelmente seja a mais crítica possível.

Nesse caso, como os dois componentes da fórmula do ROE são negativos, o resultado será positivo. Mais um perigo da análise isolada de indicadores.

Resumo geral

Para ajudar a lembrar, segue um breve apanhado do que vimos sobre o ROE:

  • O ROE representa o retorno sobre o patrimônio líquido, e mede a eficiência operacional de uma empresa (fazer mais com menos).
  • Para conhecer o ROE, basta dividir o lucro líquido do exercício pelo patrimônio líquido.
  • É importante comparar ROE de empresas do mesmo setor, pois cada setor possui características distintas.
  • Além disso, ele também serve para comparar o desempenho que a mesma empresa teve em anos diferentes. Ou seja, como ela evoluiu em termos de eficiência operacional ao longo do tempo.
  • Assim como qualquer outro indicador, o ROE deve ser sempre associado a outros indicadores. Alguns dos principais utilizados pela análise fundamentalista são o P/L, P/VPA, EV/Ebitda, dividend yield, dividend payout, receita líquida, entre outros.