Dividend yield: o que é e como identificar ações pagadoras de dividendos

Carla Carvalho
Graduada em Ciências Contábeis pela UFRGS, pós-graduada em Finanças pela UNISINOS/RS. Experiência de 17 anos no mercado financeiro, produtora de conteúdo de finanças e economia.

Crédito: Canva

O Dividend Yield (DY) é um indicador importante para quem investe no mercado financeiro. Especialmente para quem está interessado em receber rendimentos com regularidade.

Entretanto, além de calculá-lo, é fundamental, também, saber como interpretá-lo. Isso porque, o DY é um dos indicadores que permitem medir o desempenho de uma companhia de capital aberto, com análise dos dividendos pagos aos seus acionistas em um ano. Ele mostra a relação entre esses dividendos e o preço atual da ação.

Como calcular o Dividend Yield

Seu cálculo é dado pela fórmula:

DY = (total de dividendos pagos em 12 meses / preço atual da ação) x 100

Ou seja, o dividend yield é o retorno que o dividendo traz em relação à sua ação.

Vejamos um exemplo:

Imagine que a ação de uma companhia esteja custando R$ 50, e que ela tenha pago, no último ano, R$ 5,00 em dividendos aos acionistas.

Desse modo, teremos:

DY = (5 / 50) X  100 = 10%

Isso significa que as ações da empresa renderam 10% sobre o valor inicialmente investido. Ou seja, no período, o retorno do investimento foi de 10% ao ano.

Como vimos, o fato de saber quanto um papel remunera seus investidores pode ajudar a tomar decisões no mercado acionário.

Porém, é importante que esse indicador seja analisado em conjunto com outros fundamentos da empresa. Isso porque, sozinho, o dividend yield pode distorcer a avaliação do investidor.

Além disso, é importante que se saiba que, nem sempre, uma empresa que distribui dividendos é uma boa opção de investimento. Da mesma forma, existem excelentes papéis cujo retorno independe da distribuição de lucros.

Como analisar o dividend yield

Vejamos quatro pontos importantes a serem analisados na geração do DY:

Lucros não recorrentes

Suponha que, em determinado exercício, a empresa tenha vendido parte expressiva de seus imóveis. E decidiu que os recursos da venda seriam distribuídos aos acionistas como dividendos.

Logo, o dividend yield desse ano foi maior do que o de anos anteriores. O motivo foi a influência da receita não recorrente, que veio da venda dos imóveis.

Ou seja, o investidor deve ter consciência de que não pode esperar por essa receita com regularidade. Por isso, para evitar surpresas, deve estar atento à origem do dinheiro distribuído pela companhia.

Geração de caixa e alavancagem

Eventualmente, algumas empresas podem distribuir dividendos superiores aos seus resultados. Para isso, elas utilizam o próprio caixa ou, até mesmo, aumentam o seu endividamento.

Isso pode ocorrer quando essas empresas precisam de novas fontes de financiamento. E, ao realizarem boas distribuições, tornam-se interessantes para o investidor.

Esse é outro cuidado que se deve ter ao analisar o DY. Isso porque, ao receber dividendos atraentes, o investidor pode não perceber que a empresa pode estar sacrificando caixa ou aumentando dívidas.

Potencial de crescimento

Um DY baixo também pode significar que a empresa prefere reinvestir seus lucros no próprio negócio em vez de distribuí-los aos acionistas.

Nesse sentido, há, inclusive, empresas que não pagam dividendos, mas são boas opções de investimentos. Isso pode ocorrer quando a companhia acredita que a rentabilidade dos novos projetos supera o custo de oportunidade do mercado de capitais. Ou seja, o potencial de crescimento do negócio pode ser tão alto que, dificilmente, outros ativos poderiam dar maiores retornos.

Logo, um papel com DY baixo não pode ser considerado um mau investimento por si só.

Setores maduros ou com limitação de expansão

Por outro lado, a distribuição de dividendos também pode estar associada à necessidade de capital intensivo. Isso porque, quando a empresa atua em setores maduros ou que possuem alguma limitação de crescimento, ela não precisa reinvestir constantemente.

Um exemplo disso é o setor de energia elétrica. Nesse sentido, as empresas do segmento precisam de licenças para atuarem em determinada região geográfica. Logo, seu potencial de crescimento é limitado, pois depende de variáveis externas.

Ao não investirem com tanta frequência, essas empresas conseguem ter mais sobra de recursos para distribuir aos acionistas. E isso torna o seu DY mais alto.

Afinal, qual o dividend yield ideal?

Não há uma resposta única para essa pergunta.

Isso porque, como vimos, não basta somente calcular o indicador. O mais importante é analisar os fundamentos das empresas para tentar entender como o DY poderá variar no futuro.

Por fim, é bom lembrar que, como qualquer outro indicador, o dividend yield é parte integrante de uma análise. Logo, deve ser utilizado para complementar uma avaliação mais profunda da empresa, e sempre em conjunto com outros índices.

Resumo geral

A seguir, um resumo dos pontos mais importantes sobre dividend yield, para você não esquecer na hora de analisar as suas ações:

1 – Para que serve o DY?

O indicador mostra a relação entre o quanto uma ação pagou de dividendos em um ano e o seu preço atual. Logo, o DY serve para indicar o retorno que o dividendo traz em relação a sua ação.

2 – Quais são as empresas que pagam dividendos na bolsa?

Geralmente, as empresas que mais pagam dividendos são aquelas mais consolidadas, que atuam em setores maduros.

Alguns exemplos mais comuns de setores bons pagadores de dividendos são bancos, energia e infraestrutura. Esses segmentos da economia tradicional abrangem empresas já consolidadas. Isso significa que elas não passarão mais por fortes expansões, seja por limitações do mercado ou pelo fato de já terem atingido a sua maturidade.

Uma vez que esses setores não exigem reinvestimentos constantes, essas empresas conseguem distribuir uma parte maior dos seus lucros aos acionistas.

3 – Vale a pena investir em empresas que não pagam dividendos?

Por outro lado, empresas que atuam em setores mais recentes e com alto potencial de crescimento (como as startups, por exemplo) costumam reinvestir praticamente todo o seu resultado no próprio negócio, ao menos nos primeiros anos de atividade. Somente após conquistarem um posicionamento no mercado é que começarão a distribuir lucros de forma mais recorrente.

Certamente essas empresas representam mais risco para o investidor. Isso porque, tanto o seu histórico quanto os setores nos quais atuam são bem mais recentes do que as mais maduras.

No entanto, isso não significa que não sejam uma boa opção de investimento. Ao contrário, mesmo que não paguem dividendos e sejam mais arriscadas, elas oferecem potencial de valorização bem maior se comparadas às empresas da velha economia.

É claro que esse potencial poderá ou não se cumprir. Tudo dependerá da estratégia de gestão e, é claro, das condições da economia. No entanto, para uma boa diversificação da carteira, o ideal é distribuir o portfólio entre ações com bom DY e com maior potencial de valorização.

4 – Além do DY, o que mais analisar na hora de escolher uma ação?

Como já vimos, nenhum indicador pode ser utilizado de forma isolada para a escolha de uma ação. No caso do DY, se ele estiver muito acima da média do mercado, é preciso cautela. Isso porque algumas empresas podem estar distribuindo lucros para atrair investidores mesmo em uma situação econômica de fragilidade. Isso pode acontecer por falta de fontes de financiamento (dificuldades de obter crédito, por exemplo).

Inclusive, além de indicadores financeiros, outros pontos devem ser observados para a escolha das ações. Veja no artigo abaixo tudo o que você precisa saber para montar uma carteira de ações sólida e diversificada.