Pregões inesquecíveis: bolsa subia após facada em Bolsonaro

Regiane Medeiros
Colaborador do Torcedores
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Crédito: Reprodução/Internet

Em 6 de setembro de 2018, a notícia a respeito da facada sofrida pelo então candidato à presidência da república, Jair Bolsonaro, pegou o país de surpresa.

Na época, Bolsonaro estava em um evento, em Juiz de Fora, estado de Minas Gerais, onde promovia sua campanha para a presidente do país.

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O autor do ataque, Adélio Bispo de Oliveira, foi preso logo em seguida. Já Bolsonaro precisou passar por quatro cirurgias no abdômen e teve implantada uma bolsa de colostomia.

Impacto da facada na bolsa

No dia, pouco antes das 16h, o principal indicador de referência da Bolsa de Valores, o Ibovespa, registrava uma leve alta de 0,37%, aos 75.371 pontos.

No entanto, logo após o ataque a Bolsonaro, o índice disparou e passou a operar com alta acima de 1,5%.

No fechamento do pregão, o Ibovespa chegou a 1,76%, saltando dos 75.098 pontos para 76.533 pontos, como pode ser visto na figura abaixo:

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Depois do fechamento, o Ibovespa futuro chegou a avançar 4%. Ao mesmo tempo, o dólar, que apresentava pouca oscilação ao longo do dia, seguiu na direção contrária e caiu 0,94%, para R$ 4,104.

A facada e a avaliação do mercado

Antes do episódio, Bolsonaro liderava as pesquisas eleitorais feitas por institutos como o Ibope e o Datafolha.

Havia dúvida ainda sobre quem seria seu o principal adversário, pois na época o PT ainda persistia na ideia de manter a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva.

Já o nome de Fernando Haddad como presidenciável só viria a ser confirmado cinco dias após a facada.

Os demais candidatos, como Ciro Gomes,  Marina Silva e Geraldo Alckmin, estavam bem atrás nas pesquisas.

A avaliação do mercado na ocasião foi a de que, com o ataque ao candidato, o sentimento de polarização no país seria ainda mais fortalecido.

Além disso, analistas pontuavam que o ataque poderia ser crucial para decidir as eleições por três motivos. Primeiro: Bolsonaro ganhou mais visibilidade nacional. Segundo: passou a ser visto como um mártir. E ainda pode migrar sua estratégia de comunicação de campanha para as redes sociais, tendo em vista que ele não possuía condições de saúde suficientes para participar dos debates junto a seus adversários.

Com isso, Bolsonaro poderia ser mais beneficiado. Isto porque, apesar de liderar as pesquisas eleitorais, ele ainda sofria uma grande rejeição por parte do eleitorado.

Ao mesmo tempo, a leitura era de que a esquerda poderia ser prejudicada por conta desta polarização. O que consequente, também fortalecia Bolsonaro.

Discurso liberal de Bolsonaro agradava mais aos investidores

Diante desses fatos, o episódio poderia aumentar as chances de Bolsonaro ir para o segundo turno.

Apesar de não ser unanimidade entre os investidores, Bolsonaro era mais bem-visto do que os concorrentes de esquerda, por defender posições liberais na economia.

Dessa forma, o mercado passou a ver de maneira mais positiva uma eventual vitória do candidato Bolsonaro, sobretudo por conta de seu assessor econômico, Paulo Guedes.

O nome Guedes, que pregava privatizações e reformas, para comandar o ministério da economia, contribui ainda mais para que Bolsonaro fosse bem aceito pelos investidores.

Na leitura dos profissionais à época, o ataque poderia fazer com que os candidatos mais à esquerda, e menos favoráveis à implementação de reformas econômicas, perdessem espaço.

facada Bolsonaro

Reprodução/Capas de jornal do dia

Vitória de Bolsonaro nas urnas

Apesar da facada e da abrupta mudança de rumos na campanha, Bolsonaro foi o mais votado no primeiro turno. Em 7 de outubro, ele recebeu 46,03% dos votos válidos. Contra 29,28% de Fernando Haddad (PT).

Em 28 de outubro de 2018, ambos se enfrentaram no segundo turno. E Bolsonaro foi eleito presidente com 55,13% dos votos válidos, contra os 44,87% de Haddad.

O capitão reformado do exército, eleito como o 38º presidente do Brasil, era deputado federal desde 1991.

Entre as principais promessas de campanha estavam a aplicação de uma agenda de reformas liberais na economia. Ela vinha acompanhada de um discurso conservador nos costumes. E também contrário à corrupção.

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