Lições do crash de 1929: especulação e excesso de otimismo trazem risco

Regiane Medeiros
Colaborador do Torcedores
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Crédito: Reprodução/Internet

O ano era 1929, a economia norte-americana encontrava-se em um momento de plena prosperidade.

Isso porque os Estados Unidos tinham se tornado um dos principais credores na reconstrução dos países europeus destruídos durante a Primeira Guerra Mundial.

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A indústria vivia um período de forte expansão. Em 1925, os Estados Unidos contavam com 183,9 mil indústrias. Quatro anos depois, em 1929, eram 206,7 mil. No comércio, o faturamento também havia disparado, de 236 milhões, em 1923, para 1,25 bilhão de dólares seis anos mais tarde.

No mercado de ações, os preços dos papéis subiam em linha com as perspectivas econômicas otimistas para o país. O que contribuía para atrair uma onda cada vez maior de investidores e especuladores.

No entanto, todo esse otimismo e euforia vividos pelo mercado no início de 1929 acabou sendo canalizado para um cenário de pânico. O índice Dow Jones mergulhou em queda livre naquilo que seria um dos piores declínios da história dos EUA.

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crash de 1929

O que foi o crash de 1929?

O crash de 1929 começou em uma quinta-feira do dia 24 de outubro. Por esse motivo foi apelidado de “quinta-feira negra”.

Na data, o Dow Jones abriu o pregão em 305,85 pontos. Imediatamente, caiu 11%. O que já sinalizava uma forte correção do mercado de ações. No dia, as negociações foram o triplo do volume normal.

Dois pregões depois, na segunda-feira, 28 de outubro, ou “segunda-feira negra” o DJI caiu 13,47%, para 260,64.

No dia seguinte, 29 de outubro, o índice aprofundou ainda mais a queda. Despencou  mais 11,7%, para 230,07 pontos.

Investidores em pânico venderam 16.410.030 de papéis. Ações de bancos e outras empresas ficaram completamente desvalorizadas.

Diante desse cenário de completo caos, milhares de acionistas perderam, literalmente da noite para o dia, grandes somas em dinheiro. Muitos perderam tudo o que tinham.

crash de 1929

O que causou o crash de 1929?

A principal causa do crash de 1929 foi a especulação de ativos, em um período de grande expansão que os Estados Unidos viviam após a Primeira Guerra Mundial.

Ao assumir uma posição hegemônica no mundo, o país vivia uma fase de forte aumento na produção industrial, melhoria do poder aquisitivo da população e liberalização do crédito que culminaram em uma explosão de consumo.

Nesse contexto, investidores, atraídos pela expansão das empresas, tomaram empréstimos para comprar ações e revendê-las com lucro.

Esse processo fez com que, entre 1925 a 1929, o valor das ações das empresas subissem de US$ 27 bilhões para US$ 87 bilhões.

No entanto, a situação passou a ficar nebulosa. A superprodução em muitas indústrias causou um excesso de oferta de aço, ferro e bens duráveis, provocando enormes excedentes.

Quando ficou claro que a demanda era baixa e não havia compradores suficientes para suas mercadorias, as indústrias começaram a reduzir a produção e o preço dos produtos, assumindo grandes prejuízos. Como reflexo imediato, o preço das ações começou a cair vertiginosamente.

Acionistas em pânico com o novo ambiente procuraram se desfazer dos papéis a todo o custo e o índice Dow Jones iniciou, então, seu mergulho rumo a uma queda vertiginosa.

No total, a Bolsa de Nova York registrou perdas de aproximadamente R$ 30 bilhões, número dez vezes maior que o orçamento do governo do país na época.

O mercado só foi capaz de recuperar os patamares anteriores ao crash de 1929 25 anos depois, no final de 1954.

Fonte: Tradingview

Quais foram as consequências da crise?

A crise na Bolsa de Valores levou os Estados Unidos a mergulhar no mais longo período de recessão econômica do século XX. E ela acarretou o que ficou conhecido como a “Grande Depressão”.

Milhares de bancos e empresas faliram e a indústria reduziu drasticamente a produção. Para se ter uma ideia, em 1929, o valor total dos produtos industrializados fabricados nos Estados Unidos foi de US$ 104 bilhões. Em 1933, este valor havia caído para 56 bilhões, queda de 45%.

Na mesma direção, a produção de aço caiu em cerca de 61%, entre 1929 e 1933, e a produção de automóveis desabou cerca de 70%.

As taxas de desemprego eram de 25% (ou um quarto de toda a força de trabalho americana). Entre os que continuaram trabalhando, muitos foram obrigados a aceitar reduções em seus salários.

O preço de produtos agropecuários caiu em cerca de 50% por conta do excedente de produção. Ou seja, a quantidade dos produtos à venda excedia largamente a demanda. E isso causou uma queda nos preços, elevando o endividamento de muitos fazendeiros.

A economia norte-americana só voltaria a reagir depois que o presidente Franklin Roosevelt deu início a um programa de reformas. Conhecido como New Deal, ele foi implantado em 1933. No entanto, a crise só seria totalmente sanada na II Guerra Mundial.

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