Pregões inesquecíveis: Collor provoca maior baixa e maior alta já registradas na bolsa

Regiane Medeiros
Colaborador do Torcedores
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Crédito: Reprodução/Internet

Em 1989, Fernando Collor de Mello, atualmente senador e, então, ex-governador de Alagoas, foi eleito presidente do Brasil. Aquela era, então, a primeira eleição direta desde o golpe de 1964.

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O discurso do novo presidente era pautado sobretudo na necessidade de implementar um programa nacional de desestatização. Também em abrir o mercado brasileiro e eliminar a inflação.

No entanto, seu plano, que inicialmente teve boa aceitação, acabou por aprofundar a recessão econômica. E agravou ainda mais a inflação. No mercado financeiro, ele provocou uma das maiores volatilidades da história da B3.

Cenário Econômico

Desde a metade da década de 1980, a inflação era um dos problemas mais graves a serem enfrentados pelos gestores públicos.

Para se ter uma ideia, no ano em que Collor foi eleito, o Brasil registrou uma inflação anual de 1.972%.

Antes disso, no período entre fevereiro de 1986 até novembro de 1989, o IPCA (indicador oficial de inflação) acumulado foi de 107.492,07%.

Até ali, muitas foram as tentativas de frear a inflação. E muitos foram os planos econômicos implantados, no entanto, todos falharam.

Quando Collor assumiu a presidência, decidiu também implantar seu próprio plano de recuperação econômica e combate à inflação.

Estava criado o Plano Brasil Novo, mais popularmente chamado de Plano Collor. Em 16 de março de 1990, por meio de um pronunciamento do próprio Collor, ele foi apresentado aos brasileiros.

Entre as principais medidas estava a mudança da moeda, de Cruzados Novos para Cruzeiros, sem corte de zeros. Também o início do processo de privatização das estatais.

Entretanto, o item mais marcante da pauta de mudanças e que ainda está na memória da população brasileira foi o confisco da poupança.

De acordo com as novas regras estabelecidas pelo plano, de todo o montante depositado na poupança, apenas 50 mil cruzados novos poderiam ser convertidos em cruzeiros e resgatados, sendo que o restante ficaria bloqueado por 18 meses.

As consequências dessas medidas drásticas foram as piores possíveis. Além de não melhorar os rumos da economia, o feito impactou diretamente no mercado de capitais brasileiro.

Plano Collor I: bolsa despenca

Três dias após o lançamento do novo plano, no pregão do 19 de março de 1990, a Bolsa de Valores do Rio de Janeiro (hoje extinta) não registrou uma única negociação.

Ao mesmo tempo, na Bovespa (hoje B3) somente nove negócios foram transacionados. E o Ibovespa recuou 12,1% no dia.

Um dia após, em 20 de março, uma terça-feira, o pânico tomou conta da Bolsa de Valores. A Bolsa derreteu 20,97%, superando a queda de 16,1% de outubro de 1987, quando ocorreu o crash da bolsa de Nova York.

Já no dia 21 de março, o Ibovespa registrou a maior queda da história da Bolsa brasileira. Recuou 22,27%. Em apenas três dias, a Bolsa registrou mais de 55,34% de desvalorização.

As ações com maior peso na carteira do Ibovespa — Vale, Petrobras e Paranapanema —, representavam mais de 75% do volume no dia.

Na época, a Petrobras viu seu valor de mercado desabar 33,3%. Ao mesmo tempo em que a Paranapanema registrou queda de 12,5%. A Vale foi a menos prejudicada, com uma desvalorização de 5,5%.

Entretanto, mesmo com a forte desvalorização entre março e abril de 1990, o Ibovespa reverteu a tendência e retomou o viés de alta, terminando o ano de 1990 com uma valorização acima de 308%.

Collor

Reprodução/Capas de jornais e revistas da época

Plano Collor II: Bolsa dispara 

Quase um ano depois, em 4 de fevereiro de 1991, o governo lança o Plano Collor 2. Este foi imediatamente bem recebido pelo mercado.

Com a expectativa de que desta vez a inflação seria controlada por meio de uma política de preços eficaz, o Ibovespa registrou naquele dia a maior alta da história da Bolsa em um único pregão: 36,05%.

Uma semana antes, o Ibovespa já vinha em um impressionante viés de alta, com valorizações diárias de 11,96%, 6,18%, 6,12%, 8% e 3,40%, que somadas aos 36,05% resultaram em uma valorização de 71% em seis pregões consecutivos.

Entre os projetos do governo que alavancaram o Ibovespa estavam o Programa Nacional de Desestatização, a criação do Fundo de Aplicações Financeiras, a abertura do mercado brasileiro às importações e a abertura da Bolsa ao investidor estrangeiro.

Desses, o mais expressivo avanço para a Bolsa, que esteve diretamente ligado à fase de transição da economia, foi a abertura da bolsa ao investidor estrangeiro.

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