Pregões inesquecíveis: o estouro da bolha das ‘pontocom’

Regiane Medeiros
Colaborador do Torcedores
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Crédito: Reprodução/Pixabay

Em uma época em que a internet começava a ganhar espaço entre a população, com perspectivas tecnológicas otimistas, o estouro da bolha da internet, também conhecida como bolha das “pontocom”, causou forte impacto no mercado financeiro.

Nos Estados Unidos, a repercussão foi ainda maior. O país era berço de inúmeras empresas de tecnologia que despontavam no mundo inteiro.

Para se ter uma ideia, o valor de mercado das ações de tecnologia dos EUA cresceu exponencialmente em um espaço de cinco anos. Tanto que o índice Nasdaq passou de 1.000 pontos em 1995 para mais de 5.000 em 2000.

Entendendo a bolha das pontocom

A bolha da internet surgiu de uma combinação de investimentos especulativos, abundância de financiamento de capital de risco para startups e falhas das empresas “pontocom” em lucrar.

De acordo com o ex-presidente do Federal Reserve, Alan Greenspan, o estouro foi precedido por um longo período de “exuberância irracional”.

O mercado virtual era considerado muito promissor. E, por conta disso, retroalimentava um ciclo de intensa valorização.

A Bolsa da Nasdaq, famosa por reunir empresas de alta tecnologia em eletrônica, informática, telecomunicações e biotecnologia, teve seu boom entre os anos de 1997 e 2000. Exatamente quando ocorreu a evolução das empresas de tecnologia.

Em meio a esse cenário otimista, os investidores ganharam confiança. E apostaram forte no segmento, sem levar em conta a análise fundamentalista das companhias listadas.

Ao mesmo tempo, a baixa taxa de juros nos EUA também incentivou o mercado a migrar para a renda variável.

Com efeito, na época, investir em ações de empresas de tecnologia e startups da internet parecia ser a melhor alternativa para aumentar a rentabilidade da carteira.

Com a forte injeção de capital no setor, as empresas entraram em uma corrida para crescer de forma ainda mais rápida.

Na época, empresas sem qualquer tecnologia gastavam fortunas em marketing para estabelecer marcas que os diferenciariam da concorrência. Algumas startups gastaram até 90% de seu orçamento em publicidade.

Quantidades recordes de capital começaram a fluir para a Nasdaq em 1997. Em 1999, 39% de todos os investimentos em capital de risco iam para empresas da internet.

Naquele ano, a maioria das 457 ofertas públicas iniciais (IPOs) estavam relacionadas a empresas de tecnologia, seguidas por 91 apenas no primeiro trimestre de 2000.

Estouro da bolha das pontocom

Conforme mostra o gráfico abaixo, em 10 de março de 2000 a bolha atinge seu pico e reverte a tendência, de modo a mergulhar em uma profunda queda em seguida.

A desvalorização que se seguiu a partir de então deixou os investidores perplexos e em pânico. O índice Nasdaq recuou de um pico de 5.048,62 em 10 de março de 2000, para 1.139,90 em 4 de outubro de 2002, uma queda de 76,81%.

Já as perdas estimadas para os investidores atingiram a casa dos US$ 5 trilhões.

Ao final de 2001, a maioria das companhias “pontocom” listadas na Bolsa norte-americana faliram.

Até mesmo os preços das ações empresas de tecnologia blue-chips perderam mais de 80% de seu valor. Foi o caso de Cisco, Intel e Oracle.

Levaria 15 anos para a Nasdaq recuperar seu pico, o que fez em 24 de abril de 2015.

Entre as empresas que sobreviveram à bolha estão Amazon, eBay e Priceline.

Impactos no Ibovespa

Na época do estouro da bolha da internet ainda não havia companhias do setor de tecnologia com capital aberto na B3.

Por conta disso, o impacto do desempenho na Nasdaq foi pouco sentido no Ibovespa.

Vale destacar, no entanto, que no acumulado do ano, o principal índice da Bolsa brasileira absorveu a desvalorização do mercado externo. E recuou 18,7% em 2000.

Um ano antes, o Ibovespa havia registrado alta acumulada de 110%.

Além disso, mesmo sem ações na bolsa, alguns sites da época não sobreviveram à bolha das “pontocom”. Isto porque eram financiados com recursos norte-americanos.

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