Paulo Guedes: governo estuda entregar parte de dividendos da Petrobras (PETR4) ao povo

Felipe Alves
Jornalista com experiência em reportagem e edição em política, economia, geral e cultura, com passagens pelos principais veículos impressos e online de Santa Catarina: Diário Catarinense, jornal Notícias do Dia (Grupo ND) e Grupo RBS (NSC).
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Crédito: Divulgação

O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse em entrevista nesta terça-feira (2) que um programa de transferência de renda ligada aos dividendos da Petrobras (PETR4) está em análise pelo governo federal.

Às 12h45, as ações ordinárias (PETR3) da estatal recuavam 1,68% e as preferenciais (PETR4) caíam 2,36%, cotadas, respectivamente, a R$ 21,65 e R$ 21,48.

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“Vamos pegar os dividendos da Petrobras e entregar uma parte para o povo brasileiro. A parte que nós temos, vamos entregar então. Temos uma ideia de fazer algo parecido um pouco à frente”, afirmou Guedes.

Em entrevista ao podcast Primocast, de Thiago Nigro, o ministro disse ainda que o objetivo é criar um fundo Brasil e colocar os ativos lá. Assim, os dividendos da Petrobras poderiam ser revertidos para “os mais fracos, os mais frágeis”.

As declarações vêm na esteira do quinto aumento de gasolina e diesel feito pela Petrobras desde o início do ano, pressionada pelo aumento do petróleo no mercado externo, e também da troca de presidente da estatal anunciada pelo presidente Jair Bolsonaro.

Confiança para o cargo de ministro

Durante a entrevista, Paulo Guedes disse que só vai embora do governo “se alguém me mostrar que estou fazendo algo muito errado”.

O chefe da Economia afirmou que tem noção de seu compromisso no cargo e que, enquanto puder ser útil e tiver confiança do presidente, continuará no cargo.

“Se o presidente não confiar em meu trabalho, sou demissível em 30 segundos. Se eu estiver conseguindo ajudar o Brasil, fazendo as coisas que acredito, devo continuar”, pontuou.

Paulo Guedes afirmou ainda que nunca pensou que seria o ministro que mais aumentaria gastos públicos no país (em decorrência da pandemia). “O destino me tornou a pessoa que gastou muito, mas gastei com consciência tranquila porque sei que era compromisso com a saúde dos brasileiros e com a recuperação econômica”, afirmou.

Apoio do Congresso

Paulo Guedes disse ainda ter uma comunicação boa com o presidente Jair Bolsonaro de e também a centro-direita.

“O que me tira daqui é a perda da confiança do presidente e ir pro caminho errado. Se tiver que empurrar o Brasil para o caminho errado, prefiro sair. Isso não aconteceu, tenho recebido apoio do presidente e do Congresso para ir na direção certa”, ressaltou Paulo Guedes.

“A maioria esmagadora do Congresso é reformista, mas tem meia dúzia porcento que está com maus desígnios”, disse ele.

“Narrativas idiota”, diz Paulo Guedes

Paulo Guedes comentou ainda sobre “narrativas idiotas” que o colocam como uma pessoa que quer reduzir gastos com saúde e educação.

O texto da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) Emergencial originalmente acabava com pisos de gastos para as duas áreas. “Quem é o idiota que seria contra a saúde? Como posso ser contra educação se sou produto da educação? São narrativas idiotas, despreparadas, odientas”, destacou o ministro.

Ele afirmou que quer “enjaular a besta” dos gastos desenfreados com a PEC Emergencial. “Queremos dizer que é preciso ter responsabilidade fiscal”, afirmou.

Juros baixos e gastos travados

Paulo Guedes defendeu ainda “moderação e foco em quem precisa” em programas de transferência de renda.

De acordo com ele, o Brasil “resistiu” à pandemia da Covid-19 pois fez a reforma da Previdência. “A taxa de juros está baixa porque travamos os gastos”, afirmou.

Segundo ele, o pagamento do auxílio emergencial sem contrapartidas fiscais seria “caótico” para o Brasil. “Isso teria um efeito muito ruim. É o que aprendemos ano passado, não podemos repetir”, destacou.

Paulo Guedes endossou a informação dita por Bolsonaro de que um novo auxílio emergencial agora será em parcelas de R$ 250. Mas o benefício só sairá com a aprovação da PEC Emergencial, que traz contrapartidas à despesa.

“Acho que o Congresso vai aprovar. Queremos ir para a estrada certa e tenho confiança que o Congresso vem junto”, disse.

Guedes alertou para o descontrole fiscal no país, e disse que o Brasil corre o risco de repetir a situação de países vizinhos dependendo do caminho que tomar.

“Seguramente, para virar Argentina, [serão necessários] seis meses. Para virar Venezuela, um ano e meio. Se fizer errado, vai rápido. Quer virar Estados Unidos ou Alemanha, dez ou 15 anos na outra direção”, afirmou o ministro.