Petrobras (PETR4) anuncia mais um reajuste no preço dos combustíveis

Paulo Amaral
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Crédito: Reprodução / Pinterest

A Petrobras (PETR4) confirmou que os combustíveis – gasolina e diesel – sofrerão mais um reajuste nos preços a partir desta terça-feira (2).

De acordo com a estatal, a nova alta, quinta da gasolina apenas em 2021, será de 4,8% no preço médio do litro do combustível.

A Petrobras confirmou também um aumento de de 5% no litro do diesel, o quarto desde a virada do ano.

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Os reajustes serão aplicados nos preços aplicados nas refinarias e, certamente, chegarão em breve aos consumidores finais, nos postos de combustível.

A partir desta terça, o preço médio do litro da gasolina será de R$ 2,60 por litro, registrando alta de R$ 0,12. O diesel, por sua vez, passará a R$ 2,71, aumento de R$ 0,13 por litro.

Reajustes nos combustíveis passam de 30% em 2021

Os novos aumentos confirmados pela Petrobras farão com que os combustíveis acumulem mais de 30% de elevação nos preços em apenas 60 dias no ano.

O diesel, por exemplo, disparou 34% desde o primeiro dia de janeiro, enquanto a gasolina atingiu alta de 41,5% após cinco reajustes no período.

Além dos combustíveis, a Petrobras anunciou um novo aumento do gás de cozinha, que passará a custar 5% a mais aos distribuidores R$ 3,05 por kg (equivalente a R$ 39,69 por 13kg).

As constantes altas e reajustes nos preços dos combustíveis levaram o presidente Jair Bolsonaro a interferir na Petrobras e sugerir o nome do general da reserva, Joaquim Silva e Luna, para substituir Roberto Castello Branco na presidência da estatal.

Preço abaixo da média

Castello Branco, por sua vez, saiu em defesa do método utilizado pela Petrobras para estabelecer os preços e reajustes dos combustíveis no País.

O executivo chegou a mostrar indignação ao comentar que “o preço dos combustíveis ainda é alvo de palpites de jogo de futebol” e que não vê, em sua opinião, exagero nos preços da gasolina, diesel e demais combustíveis no País.

“Falo isso baseado em estatísticas com preços de 160 países. A média dos preços do País está abaixo da média global. Mesmo se corrigirmos pela renda per capita, o preços ficam ligeiramente abaixo da média global”, afirmou.

“Petróleo é commodity, cobrada em dólar, não há como fugir. A empresa ainda é muito endividada, em dólar; como conciliar com receita em real?”, questionou, emendando, na sequência, mais uma justificativa para a política de preços praticada pela Petrobras.

“Se o Brasil quer ser uma economia de mercado, tem que ter economia de mercado. Preços abaixo do mercado geram consequências negativas”, argumentou, em uma tentativa de embasar os quatro aumentos já aplicados nos combustíveis somente em 2021.

Agência independente?

Rubem Novaes, ex-presidente do Banco do Brasil (BBAS3), e hoje assessor do Ministro da Economia Paulo Guedes, teve uma ideia que, segundo ele, pode acabar com a celeuma que envolve o reajuste no preço dos combustíveis no País.

Em entrevista para o colunista Lauro Jardim, da Veja, Novaes sugeriu a criação de uma “agência independente” para executar tal função.

“A fixação de preços dos combustíveis com base na paridade internacional é o correto, mas não se deve dar esta incumbência a uma empresa monopolista, ou quase monopolista, por razões óbvias”, pontuou o executivo, que é a favor da privatização da Petrobras (PETR4).

“O ideal seria termos competição e privatização em todo o setor de óleo e gás, mas, na ausência destas, o melhor arranjo institucional consistiria num instrumento legal consagrando a regra de paridade e a responsabilidade pela fixação de preços sendo transferida da Petrobrás para uma agência independente. Tanto a Petrobrás como o Presidente da República estariam livres de pressões e investidores estariam tranquilos quanto ao tratamento justo de seu capital”, complementou.

Impostos dos combustíveis

O presidente Jair Bolsonaro está preparando um decreto que mudará a rotina dos postos de combustíveis em breve.

O texto obrigará que os estabelecimentos apresentem aos consumidores os valores exatos dos impostos que são cobrados sobre os combustíveis.

Os postos devem instalar painéis que forneçam as seguintes informações: valor médio regional dos produtos; preço de referência para cobrança do ICMS; valor do ICMS; valor do PIS/Cofins; e valor da Cide.

O presidente da República não definiu uma data para o decreto entrar em vigor, mas as medidas deverão ser cumpridas em até 45 dias após sua publicação.