BDRs devem se consolidar em 2021 no mercado brasileiro

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Foto: BDRs

Ao optar por ter ativos no exterior, o investidor brasileiro diversifica seu portfólio geograficamente. Assim, minimiza sua exposição ao chamado risco Brasil, que depende não só de questões econômicas internas, mas de questões políticas. Pode também ter acesso às maiores empresas do mundo, como FacebookNetflix, Tesla etc.

No entanto, muitos ainda ficam ressabiados diante das oscilações do câmbio e das burocracias para internacionalizar o portfólio.

Para estes, uma boa opção é apostar nos Brazilian Depositary Receipts (BDRs), que espelham as ações de empresas listadas no exterior.

Como explica Elias Wiggers, assessor e sócio daEQI Investimentos, os BDRs nada mais são do que recibos lastreados de ações.

Na grande maioria, os BDRs são recibos de ações custodiadas em grandes bancos estrangeiros e disponibilizados no Brasil para todos os investidores interessados – e levam o nome de BDRs não patrocinados. Em menor escala, os BDRs podem ser recibos das próprias companhias estrangeiras – neste caso, levam o nome de BDRs patrocinados.

Até outubro de 2020, os BDRs eram limitados aos investidores qualificados, que são aqueles com mais de R$ 1 milhão em investimentos. Mas, desde esta data, se tornaram acessíveis a todos. Tal movimento proporcionou a popularização e uma maior procura pelos ativos, tendência que deve ser mantida no próximo ano.

Perspectivas para 2021

Para 2021, as perspectivas são de que os BDRs atraiam mais investidores e, com isso ganhem liquidez.

Isto porque, atualmente, apesar de serem indicados como uma boa opção de diversificação e de investimento em grandes empresas, eles ainda são classificados como ativos de baixa liquidez. O que quer dizer, na prática, que geram poucos negócios e não é fácil encontrar compradores para os papéis, caso deseje vendê-los.

Mas, conforme os BDRs “caiam na boca do povo”, o problema da liquidez deverá ser solucionado.

“Hoje, a liquidez dos BDRs já não é um problema do tamanho que era há seis meses. Isso tende a diminuir cada vez mais. Trabalhamos com a projeção de que os BDRs se consolidam a partir de 2021”, diz Wiggers.

Henrique Esteter, analista da Guide, confirma que as perspectivas são muito boas. “O número de investidores praticamente dobrou em 2020, apesar de o volume dos BDRs negociados ainda ser baixo. Mas o mercado deve aumentar mais”, aponta.

Dólar em queda pode reduzir rentabilidade

Com as vacinas de Covid-19 se tornando realidade, a retomada do crescimento mundial demandando commodities e a chegada ao poder nos Estados Unidos de um presidente mais progressista (Joe Biden), o cenário que se desenha é de maior liquidez direcionada aos mercados emergentes. Logo, a tendência é de apreciação do real, já que o Brasil tende a atrair os investidores estrangeiros e também se beneficiar do ciclo favorável das commodities.

No entanto, dólar mais baixo significa menor rendimento para os BDRs.

“O dólar baixo prejudica a rentabilidade do BDR. Hipoteticamente, se você tem, por exemplo, 10% de alta na ação da empresa e alta de 10% do dólar, você ganha 20% com o BDR. Mas o contrário também pode acontecer”, explica Wiggers.

Ainda assim, os BDRs seguem sendo apontados como um investimento que vale a pena, afinal, são papéis atrelados a empresas líderes mundiais em seus respectivos setores, e que devem continuar a ter bons resultados financeiros.

“Se o perfil do investidor for sofisticado e ele estiver à procura de diversificação, os BDRs são adequados”, recomenda Wiggers.

OS BDRs mais negociados

Segundo levantamento feito junto à Economatica, os BDRs mais movimentados de 15 de novembro a 14 de dezembro foram, nesta ordem, e com as respectivas movimentações médias diárias:

  • Tesla (TSLA34) – R$ 43,914 milhões
  • Mercado Livre (MELI34) – R$ 25,982 milhões
  • Facebook (FBOK34) – R$ 10,946 milhões
  • Amazon (AMZO34) – R$ 10,502 milhões
  • Apple (AAPL34) – R$ 9,424 milhões
  • Pfizer (PFIZ34) – R$ 8,358 milhões
  • Alibaba (BABA34) – R$ 8,011 milhões
  • Microsoft (MSFT34) – R$ 7,582 milhões
  • Walt Disney (DISB34) – R$ 6,915 milhões
  • Alphabet (GOOGL34) – R$ 6,017 milhões

Além das “big techs”, gigantes da tecnologia, chama a atenção na lista a presença de Mercado Livre e Pfizer.

O Mercado Livre é apontado como um dos BDRs de maior liquidez e demonstra a força da empresa, que é argentina e não americana, como a imensa maioria. De janeiro até 16 de dezembro, os BDRs do Mercado Livre valorizaram 248%. Os da Tesla, que movimentaram o maior volume diário, valorizaram 83%.

Já a Pfizer se destaca por ser a farmacêutica à frente do imunizante que já vem sendo adotado nas campanhas de vacinação emergencial contra a Covid-19 – a primeira, e até aqui, única, vacina adotada no Ocidente.

Como adquirir BDRs?

Para adquirir BDRs, o investidor precisa procurar um banco ou uma corretora de valores autorizados pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Como dito, os BDRs estão acessíveis a todos investidor interessado, seja ele qualificado ou não.

Quer saber mais sobre como investir em BDRs ou outros ativos correlacionados ao mercado exterior? Preencha o formulário abaixo que um assessor da EQI Investimentos irá entrar em contato!