Netflix (NFLX34): conheça a empresa e como investir neste BDR

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: Reprodução/Pixabay

Desde o dia 22 de outubro de 2020, todo brasileiro pode investir em empresas listadas em bolsas de valores estrangeiras via Brazilian Depositary Receipts (BDRs) disponíveis na B3. Antes da mudança, esses papéis eram restritos a instituições financeiras e pessoas com mais de um R$ 1 milhão em investimentos.

Com a liberação dos BDRs, qualquer pessoa física tem a oportunidade de investir em grandes companhias lá de fora, como a Netflix, considerada a maior empresa de mídia do mundo. Em cinco anos, as ações da companhia registraram uma valorização de 350%.

Na bolsa brasileira, o papel que espelha a ação da Netflix no mercado americano é negociado sob o código NFLX34.

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  • Interessado em saber mais sobre a Netflix? Reunimos informações sobre a companhia e sobre os BDRs. Confira abaixo

O que é a Netflix?

A Netflix Inc. é uma empresa americana que oferece um serviço de assinatura para assistir a programas de televisão e filmes pela internet via streaming – transmissão ao vivo, sem a necessidade de download.

Os assinantes podem assistir instantaneamente a um número ilimitado de programas de televisão e filmes transmitidos pela internet para seus televisores, computadores e dispositivos móveis. Nos Estados Unidos, os assinantes da Netflix também podem receber DVD ou Blu-ray entregues em casa.

Conheça a história da Netflix

A Netflix foi fundada em 1997, por Reed Hastings e Marc Randolph, na cidade de Scotts Valley, Califórnia.

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A empresa funcionava, a princípio, como uma locadora de filmes nos moldes antigos – você escolhia a fita ou DVD, pagava, assistia em casa e devolvia ao final.

Um ano depois, foi lançado o site Netflix, através do qual era possível pedir os filmes pela internet. Eles eram enviados até as residências pelo correio.

Netflix

Reprodução/Netflix

Em 1999, a Netflix lançou um serviço de assinatura mensal: por determinada quantia paga mensalmente, o cliente tinha locação ilimitada de DVDs.

As assinaturas fizeram muito sucesso. Tanto que Hastings e Randolph chegaram a oferecer a empresa para a Blockbuster, então sua maior concorrente. Mas a Bockbuster não acreditou que as assinaturas durariam. Curiosamente, a Blockbuster faliu.

Começo do streaming

A Netflix prosperou e levou a ideia de uma assinatura mensal a preço acessível para as transmissões via streaming.

Em 2007, a Netflix começou a transmissão por streaming, que acontece em tempo real, sem a necessidade de downloads.

Em 2010, a empresa iniciou seu processo de globalização, começando pelo Canadá, seguido de América Latina e Europa. No Brasil, a novidade da Netflix chegou em 2011.

“Não oferecemos pay-per-view ou conteúdo gratuito com anúncios. Esses são bons modelos de negócios que outras empresas executam bem. Nosso objetivo é a visualização ilimitada de taxa fixa, sem comerciais”, afirma a empresa em sua apresentação.

E complementa: “Não somos uma empresa genérica de ‘vídeo’ que transmite todos os tipos de vídeo. Somos uma rede de entretenimento de filmes e séries de TV”. Entre os principais concorrentes da Netflix estão Google Play e Amazon Prime Video.

A empresa, no entanto, aponta a pirataria como sua maior preocupação. “Se a pirataria de vídeo se tornar fácil, confiável e socialmente aceitável, poderá se tornar nosso maior concorrente”, afirma em relatório.

Os números da Netflix

As ações da empresa são negociadas na Nasdaq desde 2002. Em sua oferta pública inicial de ações (IPO), a empresa levantou cerca de US$ 82,5 milhões. Na época, possuía 600 mil assinantes.

Em maio de 2018, a Netflix passou a The Walt Disney Company e se tornou a empresa de entretenimento com maior valor de mercado do mundo (US$ 153 bilhões).

Atualmente, o enterprise value (valor da empresa, considerando cotação das ações mais ativos e passivos) é de US$ 221,65 bilhões.

A Netflix, hoje, está disponível praticamente em todos os lugares, exceto na China. Tem 195,1 milhões de assinantes globais.

Resultado do terceiro trimestre

No terceiro trimestre, a empresa registrou lucro líquido de US$ 790 milhões, com crescimento de 18,7% na comparação anual.

A receita da companhia cresceu 22,7% de julho a setembro, para US$ 6,43 bilhões.

Em termos de novos assinantes, a Netflix cresceu 23,3% no ano até setembro.

O avanço foi de apenas 1,14% em relação ao trimestre anterior, mas se explica pelo boom de novas assinaturas que a empresa viveu no auge da pandemia. Com o retorno das pessoas à normalidade pós-quarentena, a tendência é que a demanda pelos serviços caia mesmo.

Ainda assim, os 2,2 milhões de novos assinantes vieram bem abaixo dos 3,32 milhões previstos pelos analistas, bem como pelas projeções da própria empresa. No dia da divulgação do balanço, as ações da empresa caíram 6%.

“É o sinal de um negócio em amadurecimento”, disse Jim Nail, analista da Forrester Research à Bloomberg. “O crescimento infinito não pode durar para sempre”, ele disse.

Crescimento excepcional durante a pandemia

Nos primeiros nove meses de 2020, a empresa adicionou 28,1 milhões de assinaturas à sua carteira de clientes, desempenho inédito. O número ultrapassa os 27,8 milhões de todo o ano de 2019. Ou seja, a pandemia foi favorável ao negócio.

Segundo a empresa, a pandemia “puxou para a frente” o crescimento no primeiro semestre. E o resultado do terceiro trimestre já aponta a antecipação do que deveria vir diluído entre os meses do ano.

Para o quarto trimestre, a Netflix espera chegar aos 201,1 milhões de assinaturas.

A projeção é de que 34 milhões de usuários sejam adicionados à clientela em 2020, o que seria seu crescimento mais forte já registrado.

E endividamento é algo que não preocupa a Netflix no momento. “Podemos dizer com segurança que vamos autofinanciar nosso crescimento sem acessar os mercados de capitais”, disse Spencer Neumann, CFO da empresa à Bloomberg.

Ações valorizam 350% em cinco anos

Do primeiro pregão deste ano até 26 de outubro, as ações da empresa valorizaram 48%: de US$ 329,81 para US$ 488,24.

Na análise de cinco anos, o desempenho é muito superior: 350% de valorização.

A relação preço/lucro da empresa é de 78,88 vezes.

Netflix

Desempenho dos BDRs

No Brasil, a Netflix movimentou 1.392 negócios no dia 22 de outubro, data de estreia dos BDRs na B3. Porém começou com desvalorização de 1,04%. No dia 26, a Netflix teve queda de 0,18%, cotada a R$ 54,85.

Como investir na Netflix?

Os investidores brasileiros podem ter acesso aos chamados BDRs – Brazilian Depositary Receipts – da Netflix.

Eles são ativos que representam ações de empresas estrangeiras. No Brasil, investidores pessoas físicas, não-qualificados, agora podem investir em BDRs.

Quem adquire um BDR está, indiretamente, participando de uma empresa no exterior, e terá direito aos dividendos distribuídos pela companhia lá fora.
Funciona mais ou menos como um fundo de investimento. O investidor não vira o dono da ação, portanto não é sócio da empresa em questão.

Para comercializar um BDR, a instituição emissora do papel adquire várias ações de empresas estrangeiras, monta um “pacote” e vende partes dele aos investidores. Logo, esses títulos são como cotas.

O que é preciso fazer para investir na Netflix?

Para adquirir BDRs da Netflix, o investidor precisa procurar um banco ou uma corretora de valores autorizados pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

  • Quer saber mais sobre como investir em BDRs ou outros ativos correlacionados ao mercado exterior? Preencha o formulário abaixo que um assessor da EQI Investimentos irá entrar em contato!